1408 (1408, EUA, 2007)
Gênero: Terror
Duração: 94 min.
Elenco:
John Cusack, Mary McCormack, Jasmine Jessica Anthony, Tony Shalhoub, Samuel L. Jackson, Noah Lee Margetts, William Armstrong, Lan Cariou, Emily Harvey, Alexandra Silber
Compositor: Gabriel Yared
Roteiristas: Matt Greenberg, Larry Karaszewski, Scott Alexander
Diretor:
Mikael Håfström

Sem sustos

Nova adaptação de Stephen King para o cinema inicia de modo promissor, mas logo se percebe que nela falta o essencial a um filme do gênero

Fiquei desapontado com 1408 (2007), adaptação de um conto de Stephen King dirigida pelo sueco Mikael Håfström. Diferente de grande parte da crítica e do público, eu fui um dos que gostaram do menosprezado thriller anterior do diretor, FORA DE RUMO (2005), que prendia muito mais a atenção e mexia muito mais com nossos nervos do que esse terror psicológico que depende demais do carisma de John Cusack para conseguir se manter. Isso porque a maior parte do filme se passa dentro do assombrado apartamento 1408 do Hotel Dolphin, em Nova York (alguém sabe se existe mesmo esse hotel?).

1408 começa bem. O personagem de Cusack é um escritor que ganha a vida compondo livros do tipo "Os dez cemitérios mais assustadores do país" ou algo do tipo. Atualmente ele prepara um livro chamado "Dez Noites em Quartos de Hotel Mal-Assombrados" e o filme começa em clima hitchcockiano, emulando PSICOSE. A chuva, o quarto de hotel, a expectativa quanto ao que poderá acontecer naquele quarto, contribuem para criar um clima ao mesmo tempo amedrontador e agradável. Mas apesar de todo esse clima - já falei que adoro chuva em filmes? - não vai ser esse o apartamento que abalará o ceticismo do escritor.

Sim, ele é cético e simplesmente inventa as assombrações de seus livros, já que ele mesmo nunca viu fantasma nenhum em toda sua vida. Até o dia em que ele recebe em sua caixa postal um cartão com os dizeres "não visite o quarto 1408 do Hotel Dolphin". Mas a palavra "não" não tem o poder de nos impedir de fazer certas coisas, muito pelo contrário, como podemos ver no documentário O SEGREDO. Além do mais, como minha parceira de sessão muito bem lembrou, as crianças também não absorvem o "não". Assim, o personagem de Cusack ficou obviamente instigado a visitar o tal quarto.

O filme ainda conta com Samuel L. Jackson como o gerente do hotel, que tenta a todo custo evitar que o seu teimoso hóspede entre naquele quarto amaldiçoado, que já deixou um bom saldo de mortes e outros tantos de traumas naqueles que por lá passaram. Como se percebe, o começo do filme é promissor. Mas talvez o problema de 1408 esteja no fato de que ele estende muito o material original (uma short story), além de frustrar as expectativas do espectador no quesito "sustos". Não tomei um susto sequer o filme inteiro, apesar das tentativas do filme de assustar através do som.

Nem mesmo as referências claras a O ILUMINADO valorizam o trabalho de Håfström. Aliás, referência a bons filmes não é sinal de qualidade quando o trabalho em si não é digno o suficiente. Ainda assim, além do início promissor, 1408 tem os seus momentos. Sem falar que ele consegue driblar o final falso que faria qualquer espectador odiar o filme com todas as suas forças.

Cotação:
Ailton Monteiro
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