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Rhino Records 55322-2 (ed.
1996); 13 faixas, 78'' 44'
Cotação:***** |
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A recente edição de 1996
da Rhino Records, com a música usada em 2001: A Space Odyssey,
começa com algumas imprecisões. Talvez "Original Motion Picture
Soundtrack" não fosse a descrição mais bem escolhida, mas teremos que viver
com isso. Uma forma melhor de identificar o que temos perante nós talvez
apenas fosse mais confuso para o comprador regular, não habituado a
certas subtilezas neste campo da música para cinema. Mas na parte de
trás, logo acima da track list temos a informação "The Music as it
appears in the film".
Se calhar, tivessem os produtores apresentado a música tal como ouvida no filme, o cd
não seria tão audível, mas para quem quiser, basta comparar a cue
sheet com a track list para verificar as diferenças... Não que isso
seja demasiado grave para a qualidade do cd. Apenas é um reparo.
Porque de todas as edições anteriores da música usada no filme
(entretanto já fora de catálogo), esta é realmente a que mais próxima
está de como a ouvimos a música durante o visionamento da obra prima de Kubrick, e
a qualidade da apresentação (sonora e gráfica) é a melhor possível.
De particular interesse é a inclusão de passagens musicais ausentes nas
edições anteriores. Pela primeira vez é apresentada a gravação usada
da Introdução de 'Also Sprach Zarathustra' (R. Strauss), interpretada
pela Filarmónica de Viena, regida pelo lendário Herbert von Karajan,
ausente anteriormente devido a questões relacionadas com os direitos
sobre as gravações.
A outra principal adição é a peça 'Adventures' do compositor romeno György
Ligeti, de cujo um excerto foi usado na sequência final do filme.
Esta peça que é ouvida na sua forma truncada na parte final da faixa 7
('Jupiter and Beyond') faz uso de sons vocais, que continuam ainda agora a
ser confundidos com efeitos sonoros (estes efeitos são semelhantes a
alguns que John Williams usou em Images). Segundo consta Ligeti
não terá apreciado que tivessem alterado a sua peça para o filme, e
segundo alguns relatos chegou a processar Kubrick e a MGM. Mas para esta
edição, é apresentada também a versão completa desta obra (faixa 12, 10''
51'), e no final das notas temos um agradecimento ao compositor. Tal como as outras peças de Ligeti que Kubrick usou no filme,
é extremamente exigente para o ouvinte, e imagino que muitos simplesmente
avançaram estas faixas. O que é lamentável, pois a faixa mais
interessante, a já mencionada 'Jupiter and Beyond', que traça
musicalmente o encontro com o Monólito em Júpiter, e consequente viagem
de Dave Bowman, é constituído totalmente pela música atonal e
dissonante de Ligeti.
Para além da música de Ligeti, temos apresentações da valsa de Strauss
'The Blue Danube' (uma truncada, outra completa), mas nenhuma delas tal
como é ouvida no filme. O que é compreensível, uma vez que ouvir estas
peças cortadas já consegue ser suficientemente doloroso, ao menos assim,
foram-no de forma musical, e não para servir o filme. O adágio da suite
de bailado 'Gayane' (A. Kachaturian) é apresentado apenas na sua forma
completa, enquanto que no filme é ouvido por duas vezes, em versões
truncadas. Mais uma vez é a escolha musicalmente acertada.
Para além das primeiras 9 faixas, que pretendem representar a música tal
como aparece no filme, temos material adicional constituído pelo já
mencionado 'Adventures' na sua versão inalterada, outra peça de Ligeti,
'Lux Aeterna' (faixa 11), que aparece encurtada para metade da sua
duração na faixa 4, e a gravação da Introdução do poema musical de
Richard Strauss, usada nas edições anteriores. O álbum conclui com uma
montagem dos diálogos do computador HAL 9000, que não é mais que uma
souvenir do filme.
O som restaurado dificilmente podia ser melhor. Algumas destas gravações
são bastante antigas e é impossível melhorar mais do que foi conseguido
para este cd. Mesmo uma anomalia, que pós de parte noutras edições a
peça 'Lux Aeterna', obrigando a usar outra gravação, passa quase
despercebida, apenas sendo perceptível quando ouvimos a música com
auscultadores.
Para completar somos agraciados com um excelente ensaio "Music of the
Spheres", da autoria de Robert C. Cumbow, acompanhado com numerosas
fotografias do filme a preto e branco.
Esta é sem dúvida uma excelente forma de conhecer a música usada em 2001:
A Space Odyssey, e de sermos introduzidos a um dos mais vanguardistas
compositores do século XX, György Ligeti. Um álbum a adquirir pelos fãs
do filme, e pelos apreciadores de música que exige mais de nós.
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Varése Sarabande Records VSD-5400 (ed.
1993); 12 faixas, 35''28'
Cotação:***** |
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A música de Alex North para
o filme 2001: A Space Odyssey, é hoje, na forma que existe, aquilo
que Kevin Mulhall chama de Sinfonia Celestial. Pelo menos a segunda parte,
com sonoridades algo New Age, muito ambientais, poderia ser enquadrada
naquilo que muitos vêem como a música da exploração espacial (via a
associação da música de Vangelis e Jean Michel Jarre à NASA).
O cd que apresenta a música de North, está longe de ser uma uma
compilação de temas inéditos. Muito do material que North compôs para 2001
acabou noutros trabalhos seus, nomeadamente na sua 3ª Sinfonia e no film
score para Drangonslayer (1981, o End Title deste filme é
praticamente igual a 'Space Station Docking' em 2001). Nada a
criticar, principalmente tendo em conta o que North passou com Kubrick. Mas
é de facto a primeira vez que ouvimos estes temas na sua forma original,
embora não na sequência filmica (os produtores tiveram o cuidado,
juntamente com Jerry Goldsmith, em colocar as faixas de forma a aumentar o prazer
auditivo). E de facto a audição é fluida, algo raro na música para
cinema. O termo sinfonia, aplicado à música tal como aqui nos é
apresentada não podia ser mais feliz. Aqui temos uma peça sinfónica em
dois movimentos, cada um deles subdividido em cinco partes, mais uma
abertura (o main title) e finale, na forma do entr'acte, que nos arrebata
durante aproximadamente trinta e cinco minutos. E tudo excepcionalmente
interpretado por Sidney Sax e a sua orquestra, a National Philharmonic
(fundada por Sax, um violinista e concertino da orquestra, e pelo lendário
maestro Charles Gerhardt), dirigida pelo pupilo de North, o grande Jerry
Goldsmith.
O Main Title é um retrabalhar da introdução de 'Also Sprach Zarathustra'.
A construção melódica é chamativa e mais moderna que o modelo de Strauss.
A primeira parte que se segue, para as cenas passadas na pré-história é
em geral influenciada pelos ritmos modernistas de Igor Stravinsky (em
particular o célebre bailado 'A Sagração da Primavera'). Excepção é 'The
Foraging', muito mais atmosférico, próximo do que ouviremos na segunda
parte. 'Night Terrors' é também mais calmo, sendo estas duas faixas
momentos de descanso para o ouvinte por entre as passagens mais rigorosas.
'Eat Meat and The Kill' é violento e percussivo. Assim como o é 'The Bluff'
e 'The Dawn of Man'. Esta última foi composta para a mesma sequência que 'The
Foraging' e representa duas aproximações completamente diferentes à mesma
cena. Durante toda esta parte há um elemento musical, um motivo, derivado do
'Main Title' que aparece frequentemente, e que só será ouvido uma vez mais
na música, já na segunda parte.
'Space Station Docking' leva-nos para o futuro e para aquilo que podemos
chamar de segundo movimento desta sinfonia, com música de enorme
delicadeza, um belíssimo scherzo e valsa. 'Trip to the Moon' é muito mais
ambiental, embora uma sensação de vertigem seja causada pela escrita
contrapontistica nesta passagem. 'Moon Rocket Bus' faz antever sonoridades
New Age, através do uso da voz da soprano e de uma melodia de grande leveza,
enquanto os metais introduzem um motivo que nos impulsiona para a frente.
O uso de voz aqui terá certamente sido motivado pela peça coral que acabou
por ser usada para esta sequência, 'Lux Aeterna' do compositor romeno,
György Ligeti. É notável a secção central, com efeitos sonoros criados
pelo soprano, cravo, celesta e vibrafone, e depois o tema mais quente
apresentado pela trompa e oboés, antes de regressar ao tema principal desta
passagem, com rápidas referências ao material da primeira parte.
As duas peças restantes, 'Space Talk' e 'Interior Orion', são música de
fundo, mas ainda assim apresentam uma interessante escrita expressionista, e
demonstram um cuidado uso das cores orquestrais. 'Interior Orion' em
particular, põem à vista o excepcional conjunto de músicos de madeiras da
orquestra.
A nossa sinfonia chega ao seu termo com um grand finale, o 'Entr'Acte',
baseado em material modernista da primeira parte, com inflexões jazzisticas
pelo meio, típico nas composições de North.
Parece-me desnecessário discutir, pelo menos aqui, se devemos realmente
olhar para esta peça como música para cinema. No final sobreviveu, e
graças ao empenho de todos os envolvidos temos uma fantástica obra
musical, ainda que por vezes um pouco derivativa.
Os valores de produção são excepcionais, com uma gravação de elevada
qualidade e textos completos, ainda que algo tendenciosos.
Álbum a não perder pelos fãs de música para cinema, e pelos outros
também.
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