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2012
(2012,
EUA, 2009)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 158 min.
Elenco: John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Danny Glover, Thandie
Newton, Oliver Platt, Amanda Peet, Tom McCarthy, Chin Han, Woody
Harrelson
Compositor: Harald Kloser, Thomas Wanker
Roteiristas: Roland Emmerich, Harald Kloser
Diretor: Roland Emmerich |
É o fim
Dá até para
gostar do novo filme-catástrofe do diretor Roland Emmerich, se visto sob a ótica
de um despretensioso entretenimento B
Um dos segredos para se gostar de 2012 (2009), de Roland Emmerich, é encará-lo
como um filme B despretensioso. Mesmo sendo uma superprodução, 2012 tem o sabor
daqueles deliciosos filmes vagabundos que passavam no SBT nos anos 1980. Vendo
dessa forma, até dá pra relevar o final ridículo, os efeitos especiais nem
sempre eficientes e que às vezes parecem bem desleixados para tanto dinheiro
envolvido, os diálogos ruins e a extrema superficialidade dos personagens. Mas
não dá para esperar algo diferente de Emmerich. Principalmente levando em
consideração que o seu último filme é o horrível 10.000 A.C. (2008) e que o seu
melhor é O DIA DEPOIS
DE AMANHÃ (2004).
Emmerich, desde antes de SOLDADO UNIVERSAL (1992) já flertava com a ficção
científica, que alcançou o auge da popularidade nos anos 1950, com uma explosão
de disaster movies e de filmes que visualizavam um futuro negro para a
humanidade com um holocausto nuclear, talvez fruto de um sentimento de culpa
coletivo americano depois de eles terem bombardeado duas cidades inteiras no
Japão. Hoje, as preocupações se voltaram para a questão ambiental. Mas Emmerich
nem chega a explorar tanto esse filão no novo filme. Isso ele já havia explorado
antes em O DIA DEPOIS DE AMANHÃ.
Desta vez, ele se aproveita de profecias maias que preveem o fim do mundo - ou o
fim do mundo como o conhecemos - para dezembro de 2012. O que importa aqui não é
nem se o mundo vai ou não acabar em 2012, ainda que muita gente esteja realmente
preocupada com isso; o que importa é que as pessoas gostam de ver o mundo se
acabando no cinema. O que tem se mostrado em números e na prática. Não lembro de
nenhum outro filme este ano que tenha atraído tantas pessoas ao cinema. Que
tenha gerado filas tão grandes. O que, de certa forma, é animador para a
sobrevivência do cinema em tempos de downloads de filmes e DVDs piratas
nos camelôs. Mesmo aqueles que não têm o hábito de ir ao cinema estão se
sentindo motivados a saírem de suas casas para ver o fim do mundo sob a ótica do
puro entretenimento.
E no que se refere a entreter, Emmerich se sai muito bem. Afinal, o seu filme
tem duas horas e quarenta minutos de duração que passam voando. E um elenco de
rostos conhecidos. O personagem mais interessante é, de longe, o de Woody
Harrelson, que faz um radialista meio louco, ligado em teorias conspiratórias e
que já havia descoberto o que apenas os governantes dos países mais ricos ou
empresários milionários sabiam. Pode-se dizer que ele é uma espécie de alter-ego
de Emmerich na sequência em que ele vê o mundo ao seu redor desabando e ele
achando tudo aquilo lindo. O personagem principal, no entanto, é John Cusack, no
papel de um chofer de limusine que escreveu um livro de ficção científica que
praticamente ninguém leu e que é divorciado de Amanda Peet. Ele é a pessoa comum
de mais fácil identificação com o público. Não é nenhum dos ricos que compraram
uma vaga na nave que vai abrigar os poucos afortunados a sobreviver, nem nenhum
dos cientistas ou políticos mais envolvidos com o fim iminente. E a cena em que
ele foge no carro com a família enquanto as ruas vão se despedaçando é uma
espécie de versão exagerada e tosca da cena de Tom Cruise e família em
GUERRA DOS MUNDOS, de
Steven Spielberg.
E não resta dúvida que nas mãos de um Spielberg ou de um James Cameron o filme
teria resultado muito diferente. Teríamos nos preocupado com os personagens,
teríamos nos emocionado com as cenas dramáticas. Do jeito que ficou, todas as
cenas em que Emmerich tentou emocionar a plateia resultaram em fracasso. As
cenas de despedida do presidente Danny Glover com a família ou com o povo
americano, por exemplo, chegam a ser ridículas em suas tentativas vãs de
emocionar.
E se 2012 não tem uma cena tão antológica quanto a dos americanos procurando
abrigo no México em O DIA DEPOIS DE AMANHÃ, as cenas das arcas da salvação são
uma boa mostra da inventividade de Emmerich. Ainda assim, apesar de toda a
expectativa e de toda a propaganda em torno, o melhor filme sobre o fim do mundo
exibido no ano continua sendo o surpreendente PRESSÁGIO, de Alex Proyas.
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