300 (330, EUA, 2007)
Gênero: Aventura
Duração: 117 min.
Elenco: Gerard Butler, Lena Headey, David Wenham, Dominic West, Vincent Regan, Michael Fassbender, Rodrigo Santoro, Andrew Tiernan, Andrew Pleavin, Tyrone Benskin
Compositor: Tyler Bates
Roteiristas: Kurt Johnstad, Zach Snyder, Michael Gordon, Frank Miller
Diretor: Zack Snyder

Para quem é chegado

Adaptação da HQ de Frank Miller peca por ser excessivamente digital e estilizada, mas certamente agradará quem gosta de ver homens só de sunga

Quando foi anunciado que 300 (2006) seria dirigido por Zack Snyder, eu fiquei bastante animado. Afinal, MADRUGADA DOS MORTOS (2004) se revelou uma grata surpresa, um filme considerado por muitos superior ao original de George Romero. Pena que essa nova estética à SIN CITY, com cenários totalmente digitais e fotografia excessivamente estilizada, tenha vindo para prejudicar produções como essa, que tinha tudo para dar certo. Senti saudade das cenas de batalha de CORAÇÃO VALENTE, de Mel Gibson, essas sim viscerais, violentas, sangrentas. Em vez disso, Snyder optou por homenagear os desenhos de Frank Miller e as cores de Lynn Varley e pelo uso do sangue digital, da fotografia dessaturada e das lutas estilo videogame.

Além disso, o filme é cheio de contradições e de situações que são até motivo de riso para os espectadores. Muito disso tudo se deve à carga homo-erótica do filme, a começar pelo figurino econômico dos espartanos: apenas uma sunga preta e uma capa vermelha, que deve fazer a festa da mulherada e do público gay. Depois, tem a aparição de Rodrigo Santoro, no papel do Rei Xerxes, com aquele visual de quem vai pra "parada" - sobrancelha feita, unhas pintadas, piercings, chicote na mão, batom. Será que convidaram Santoro para 300 por causa de seu papel de travesti em CARANDIRU? Mas o mais esquisito mesmo é a sua voz, gutural, e o fato de ele ser gigante. Mas só percebemos isso quando ele se aproxima de Leônidas (Gerard Butler) por trás e tocando seu ombro, como se fosse lhe aplicar uma massagem.

Depõe contra o filme também o fato de a gente não se importar em nenhum momento com a vida dos espartanos. A obsessão deles pelo corpo perfeito, sem defeitos, acaba rendendo uma certa antipatia pelos heróis e uma simpatia pelos vilões, muito mais abertos ao diferente, aos defeituosos e à pluralidade das raças. No começo do filme, ficamos sabendo que os espartanos, sempre que nascem bebês defeituosos, os sacrificam e os lançam num precipício. Inclusive, um desses bebês rejeitados sobreviventes lembra imediatamente o Gollum, da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS. Lembrando que, apesar de obcecados pela perfeição, os espartanos precisam obedecer e respeitar um grupo de "sábios" de aspecto monstruoso que moram no cume de uma montanha.

Para quem ainda não leu nada sobre a trama nem a HQ de Miller, 300 é sobre a luta do Rei Leônidas e seus trezentos homens contra a invasão dos mais de 100.000 soldados chefiados pelo Rei Xerxes. Sem o apoio do Senado, o Rei de Esparta leva apenas os seus homens de confiança para lutar contra a invasão inimiga. Enquanto isso, em casa, a Rainha Gorgo, esposa de Leônidas, tem que lidar com um traidor na corte. A título de curiosidade, a atriz que interpreta a Rainha é Lena Headey, que está protagonizando atualmente a série de televisão THE SARAH CONNOR CHRONICLES (2007), baseada na cine-série O EXTERMINADOR DO FUTURO. Quanto a Zack Snyder, continuam as especulações sobre como será a aguardada adaptação de "Watchmen", de Alan Moore e Dave Gibbons. Rumores dizem que Gerard Butler estará no filme. Só não se sabe ainda em que papel.

Cotação:
Ailton Monteiro
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