O QUINTO ELEMENTO
Direção: Luc Besson
Elenco:
Bruce Willis, Milla Jovovich, Gary Oldman, Ian Holm, Chris Tucker

Distribuidora:
Sony

Duração:
126 min.
Região:
A, B, C

Lançamento:
18/09/2007

Nº de discos:
1

Cotações:
Filme -
BD -

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Quatro pedras são levadas da Terra por uma raça de alienígenas biomecânicos, os Mondoshawan, a fim de manter a humanidade a salvo do Mal. 300 anos depois eles estão retornando ao nosso planeta, porém sua nave é abatida por um grupo de mercenários Mangalores, deixando nosso planeta indefeso. Dos destroços da nave os cientistas conseguem recuperar uma garra, que usam para regenerar o “ser perfeito”, a jovem Leeloo (Milla Jovovich). Mas ela escapa do laboratório e, durante a perseguição, encontra o motorista de táxi Korben Dallas (Bruce Willis), que relutantemente acaba aceitando sua missão – resgatar as quatro pedras e reuni-las com Leeloo, antes que um planeta negro que é a pura essência do Mal colida contra a Terra.

COMENTÁRIOS
O diretor Luc Besson é conhecido por uma filmografia que, para horror de parte da crítica francesa, sempre flertou com o cinema de entretenimento americano. Acima de tudo suas realizações são sempre de produção bem cuidada, com um apurado estilo visual. Entre os seus filmes, este O Quinto Elemento pode ser considerado o mais extravagante – uma ficção científica absolutamente pop, com um desenho de produção muitas vezes camp que lembra os quadrinhos, e abundantes efeitos visuais. Alie-se a isso uma trama que trata do clássico confronto entre o Bem e o Mal, porém conduzida de forma irreverente e bem humorada, e temos a impressão de estarmos vendo um daqueles delírios cinematográficos dos anos 1960 tipo Barbarella e Diabolik. Sem dúvida, uma mistura que por vezes, por mais empolgante que seja, pode ser indigesta.

O Quinto Elemento é um projeto que o diretor concebeu quando ainda estava na escola, tendo levado 20 anos para conseguir realizá-lo mantendo toda a essência da idéia original – um espetáculo visualmente fascinante, leve, muitas vezes tolo, tendo os gibis e os filmes sci fi americanos em seu núcleo. Os efeitos visuais, em especial, procuram fazer essa ligação, e por incrível que pareça hoje, mais de dez anos após seu lançamento, eles não parecem ultrapassados. Também merece destaque o excêntrico figurino criado pelo célebre desenhista francês Jean 'Moebius' Giraud.

Bruce Willis estrela como o sarcástico e relutante herói, em papel típico de seus filmes de ação – continua “duro de matar”, porém agora às voltas com carros voadores e alienígenas esquisitos. Mas a partir da entrada em cena de Milla Jovovich como a sexy super-heroína Leeloo – papel que a consagrou internacionalmente e também lhe rendeu um casamento com Besson (a atriz parece gostar de casar com diretores, atualmente ela é esposa de Paul Anderson, que a dirigiu no primeiro Resident Evil) - não temos dúvida de que o filme é dela. Dificilmente alguém (do sexo masculino, pelo menos) não seja conquistado por sua adorável personagem, que transmite ao mesmo tempo sensualidade, vulnerabilidade, força e graça. É claro, no final Korben e Leeloo vão ter um envolvimento romântico, e a mensagem que o filme deixa é de que o amor é a maior arma contra a violência e o Mal. Mais “Flower Power”, impossível.

O filme também conta no elenco com os respeitáveis Ian Holm e Gary Oldman (este, como o vilão), que provavelmente devem ter se divertido à beça nas filmagens. E falando em diversão, o humorista Chris Tucker interpreta o inacreditável DJ Ruby Rhod, que com sua voz aguda e roupas drag encaixa-se perfeitamente neste universo ridículo, mas ao mesmo tempo adorável criado por Besson - eventuais indigestões à parte.

O BD
O Quinto Elemento, desde seu primeiro lançamento em DVD no final dos anos 1990 (quando já tinha video anamórfico e áudio multicanal), sempre foi um título de referência em qualidade para os adeptos do home theater. Isto se manteve nas posteriores edições Superbit e “Definitiva”, até que o filme foi um dos que inauguraram o então novíssimo formato de alta definição da Sony, o Blu-ray, em 2006. No entanto, a decepção nos mercados em que foi lançado (EUA e Japão) foi grande: a Sony utilizou um BD de camada simples (25Gb) e a mesma transferência MPEG-2 das versões anteriores em DVD, e segundo consta o ganho de qualidade do BD era muito pouco para compensar o upgrade. Como resultado, em julho de 2007 O Quinto Elemento tornou-se o primeiro relançamento da era Blu-ray, agora utilizando uma transfer remasterizada 1080p/MPEG4 AVC, em um disco de dupla camada (50Gb). Felizmente, esta foi a edição lançada pela Sony aqui, este ano.

Como não vi a versão anterior em Blu-ray, só posso comparar esta com o DVD disponível no Brasil (edição “Definitiva”), e neste sentido a diferença é considerável. A nitidez da imagem, perceptível já nos créditos iniciais, impressiona. As sujeiras e imperfeições da master antiga se foram. A imagem é sempre viva, e as cores, sólidas e exuberantes, sempre naturais. O contraste entre áreas claras e escuras foi muito melhorado, e há um maior senso de profundidade na imagem. Ainda permanecem alguns poucos trechos com granulação inerente ao filme, mas isto já seria de se esperar.

O áudio em inglês está disponível tanto em PCM 5.1 sem compressão como em Dolby TrueHD 5.1, o que parece redundante, já que este último formato, quando codificado, soará idêntico ao PCM lossless (ou seja, sem perdas). O que significa dizer que a dinâmica mixagem surround, a trilha musical híbrida techno-orquestral de Eric Serra, graves e efeitos direcionais ocuparão de forma agressiva todo o palco sonoro. Obviamente que, comparado ao som de filmes recentes, o áudio não soa tão vivo e potente, e por vezes o diálogo fica com um volume meio baixo. Na verdade, o áudio DTS do DVD da versão Superbit é no mínimo tão robusto e satisfatório quanto o deste BD. Também está disponível uma dublagem em francês Dolby Digital 5.1, e legendas em português, inglês, francês, espanhol, chinês e tailandês. Os menus (fixos e flutuantes) estão apenas em inglês.

OS EXTRAS
Se em termos de som e imagem o novo Blu-ray de O Quinto Elemento representa um grande avanço em relação aos DVDs prévios, o mesmo não pode ser dito em relação ao material suplementar. Enquanto que, por exemplo, na edição “Definitiva” havia seis featurettes de produção e uma galeria de fotos, no Blu-ray temos apenas uma faixa de texto chamada “Trilha de Fatos”. Como acontece neste tipo de extra, que não é novidade nem no formato DVD, durante o filme surge uma caixa pop-up contendo informações de produção, trivialidades sobre o elenco e outras curiosidades. O problema é que este recurso não foi traduzido para o português, portanto se você não lê inglês ele se torna inútil.

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