CLOVERFIELD - MONSTRO
Direção: Matt Reeves
Elenco:
Lizzy Caplan, Jessica Lucas, T.J. Miller, Michael Stahl-David, Mike Vogel, Odette Yustman, Anjul Nigam, Margot Farley, Theo Rossi, Brian Klugman, Kelvin Yu, Liza Lapira, Lili Mirojnick
Distribuidora:
Paramount
Duração:
84 min.
 
Região:
A, B, C

Lançamento:
03/06/2008

Nº de discos:
1

Cotações:
Filme -
BD -

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
A despedida de um rapaz que vai para o Japão é interrompida por uma série de explosões. Não demora muito para os jovens participantes da festa descobrirem que Nova York está sendo atacada pelo que parece ser um monstro gigantesco. Um deles, que estava gravando a festa em vídeo, permanece registrando os acontecimentos da noite. A fita é posteriormente encontrada pelo exército, e o que é visto nela é estarrecedor: mostra a odisséia de um grupo de amigos na cidade arrasada, tentando salvar a namorada de um deles e sobreviver aos ataques da criatura e de seus repelentes parasitas.

COMENTÁRIOS
CLOVERFIELD - MONSTRO, dirigido por Matt Reeves e produzido pela atual sensação de Hollywood J.J. Abrams (ALIAS, LOST, MISSÃO IMPOSSÍVEL 3 e o novo JORNADA NAS ESTRELAS), estreou nos cinemas do Brasil com repercussão bem menor que nos EUA. O filme adota uma abordagem similar a SINAIS e GUERRA DOS MUNDOS (versão Spielberg), ao mostrar a catástrofe sob o ponto de vista de um pequeno núcleo de pessoas - só que aqui, no lugar de uma invasão alienígena, temos o ataque de um monstro gigante a Nova York, como na refilmagem americana de GODZILLA (1998). Adicione-se a isso cenas "reais" tipo A BRUXA DE BLAIR (não recomendo o filme para quem enjoa com câmera rápida e tremida) e temos um filme curto, eletrizante, que não traz atores muito conhecidos - o que acaba ajudando na criação do senso de realismo pretendido.

Os efeitos visuais são impressionantes - parece que a cidade está mesmo sendo destruída pelo monstro. Que, por sua vez, é um show à parte, bem diferente do que já foi mostrado em filmes do gênero. Mas CLOVERFIELD tem problemas ao casar a estética "realista" do home made vídeo com um conceito que por si é irreal - o ataque de uma criatura gigante que parece ser indestrutível. E some-se a isso o comportamento "romântico" ou idealizado dos personagens, que redunda em ações heróicas típicas de... filmes. Apesar de não dirigir, dá para sentir a influência de Abrams no filme, principalmente no relacionamento dos amigos em perigo. Enfim, esta é uma viagem para não racionalizar muito e simplesmente ser curtida. E gostei até porque sou fã de filmes de monstro desde que vi o KING KONG original, passando pelos filmes dos anos 1950 com efeitos de Ray Harryhausen e o clássico GODZILLA japonês - a quem o filme homenageia já a partir do momento em que sabemos que o personagem principal está de partida para trabalhar no Japão.

Algumas curiosidades: a exemplo de A BRUXA DE BLAIR, o marketing de CLOVERFIELD incluiu uma pesada investida na internet, com a divulgação de sites e vídeos "reais" relacionados ao filme. Foram criados sites e blogs para a fictícia empresa japonesa Tagruato, que se dedica à prospecção marítima em grandes profundidades. Há até vídeos supostamente extraídos de telejornais, sendo que um deles mostra uma das plataformas da empresa sendo atacada e destruída por algo misterioso.

Por fim, um detalhe importante para os Scoretrackers: apesar de CLOVERFIELD não ter uma trilha incidental (as únicas músicas que se ouvem no filme são as da festa), vale a pena assistir todos os créditos finais. Para eles o compositor Michael Giacchino, colaborador habitual de Abrams, criou um longo e impressionante tema chamado "Roar", que é uma fantástica homenagem às trilhas do grande compositor dos filmes de Godzilla,
Akira Ifukube.

O BD
Enquanto CLOVERFIELD - MONSTRO está saindo em DVD no Brasil para locação, nos EUA o filme já faz parte da primeira leva de Blu-rays da Paramount lançada após o estúdio retomar seu catálogo no formato, em vista da morte do concorrente HD-DVD. E esta produção de J. J. Abrams chega à alta definição num BD tecnicamente brilhante, Região Free (reproduz em players de qualquer das três zonas do Blu-ray) que só não está plenamente localizado para o Brasil porque os menus não foram traduzidos e não há uma dublagem em português – apenas legendas. Mesmo assim, esta é a versão a ser lançada aqui em breve. O Blu-ray de dupla camada contém uma transferência 1080p/VC-1, em widescreen anamórfico 1.85:1, simplesmente impecável. Gravada em vídeo de alta definição, a imagem possui uma paleta de cores discreta, mas sólida e com tons de pele naturais. Os níveis de preto são fortes e bem delineados durante a maior parte do tempo. Há a granulação natural nas cenas escuras – principalmente nas do metrô – mas ainda assim a qualidade extrapola a da câmera amadora digital que estaria registrando os eventos. O mesmo pode se dizer da nitidez, que permite que o espectador perceba uma grande variedade de texturas e detalhes. Claro que há eventuais incidências de estática e interferências, mas são intencionais e não devem ser atribuídas a problemas na qualidade de imagem. De resto, aplicação de filtros ou aparições de artefatos, que não são raros em DVD, aqui são coisas inexistentes.

Se a imagem de CLOVERFIELD impressiona, seu áudio mais ainda. A Paramount criou uma primorosa mixagem Dolby TrueHD 5.1 em inglês, com o fim de reproduzir no home theater a rica experiência sonora ouvida nos cinemas. Apesar de os diálogos terem sido processados para soarem como se tivessem sido gravados por uma camcorder, eles sempre são perfeitamente audíveis e nítidos, mesmo quando os atores falam baixo. Porém o que realmente impressiona é o envolvente campo sonoro criado pela mixagem, seja durante a festa, seja nas cenas de caos onde ouvimos gritos da multidão, os rugidos do monstro e prédios desabando. Os graves que saem do subwoofer são de cair o queixo, e os canais surround reproduzem até mesmo o som de pequenos objetos ou destroços caindo. Esta faixa de áudio em inglês é, até onde se pode ouvir, perfeita, e mesmo quando reproduzida em Dolby Digital standard (comprimido) é um padrão de referência. Além do áudio em inglês, temos dublagens Dolby Digital 5.1 em francês e espanhol. Se o BD não inclui uma faixa de áudio em português, pelo menos nosso idioma foi incluído entre as opções de legendas, inclusive nos extras, juntamente com inglês, francês e espanhol. Os ótimos menus animados, que reproduzem cenas do filme, são de fácil navegação e, como é de praxe no formato, podem ser acessados durante a reprodução do filme, na forma de menus flutuantes.

OS EXTRAS
A edição em Blu-ray de CLOVERFIELD reúne todo o material bônus do DVD, porém em alta definição. Além disso inclui um relevante recurso exclusivo do formato, que será abordado adiante. À exceção dos comentários, do recurso exclusivo do Blu-ray e easter eggs, os extras apresentam vídeo anamórfico em alta definição (1080p), áudio em inglês 2,0 e legendas em português. Não traduzi o nome dos extras, deixando-os na forma como aparecem nos menus. 

  • Director’s Commentary – O filme pode ser assistido com comentários do diretor Matt Reeves (infelizmente sem legendas), que nos fala de forma acessível, sem ser excessivamente técnico, sobre a criação do conceito do filme, locações, estilo de filmagem utilizado e o envolvimento do produtor J. J. Abrams – pena que ele também não participou da faixa de comentários;

  • The Making of Cloverfield (28 min.) - Documentário sobre a produção com depoimentos do elenco e da equipe, incluindo o produtor J.J. Abrams, além de mostrar os cenários (grande parte deles com fundo verde ou azul para a inserção de efeitos visuais) e cenas de bastidores;

  • Cloverfield Visual Effects (23 min.) – Como o nome já indica este documentário trata dos efeitos visuais, principalmente os do monstro (chamado carinhosamente de Clover por seus criadores), de seus parasitas e da destruição digital de Nova York;

  • I Saw It! It’s Alive! It’s Huge! (6 min.) – Este featurette trata da criação do visual do monstro (sua aparência gerou muita especulação na internet antes da estréia do filme), sua biologia e até mesmo a história imaginada para ele por seu criador - ele seria um bebê perdido e aterrorizado, em busca da sua mãe!;

  • Deleted Scenes (3 min.) – Quatro cenas eliminadas que não fizeram falta na montagem final, e que podem ser vistas com comentários do diretor;

  • Alternate Endings (5 min.) – Dois finais alternativos para gerar discussão entre os fãs, principalmente quando chegar a inevitável continuação. Assim como as cenas eliminadas, possuem a opção de comentários do diretor;

  • Clover Fun (4 min.) – Erros de gravação e momentos divertidos com o elenco;

  • Special Investigation Mode – Este recurso exclusivo do Blu-ray é similar às faixas de legendas com informações e curiosidades sobre a produção – a diferença é que aqui é utilizado algo parecido com o PIP. Enquanto o filme passa numa janela menor, o restante da tela mostra um mapa que registra os movimentos de civis, militares e do monstro durante seu ataque a Nova York. Ao mesmo tempo, na parte de baixo da tela, surgem informações em texto sobre filmagens, personagens e criaturas – o detalhe é que são dados interessantes, já que não estão disponíveis no filme ou em nenhum dos outros extras. Pena que não foram traduzidos para o português;

  • Easter Eggs – O BD de CLOVERFIELD traz sua cota de surpresas escondidas, e normalmente não tenho divulgado como acessá-los para não tirar a graça em descobri-las. Mas como aqui em alguns casos a dificuldade é maior, e algumas almas caridosas da internet já divulgaram tais segredos, também os divido aqui com vocês (as únicas opções de legendas que consegui acessar neles foi espanhol):

  • Viral Videos – No menu de seleção de capítulos, destaque “13-16” e espere 1:17 min. para que surja um capítulo oculto, o 17. Através dele chegamos numa lista de vídeos anteriormente divulgados na internet – a destruição da plataforma marítima da Tagruato, um mini-site da bebida Slusho, um comercial surrealista da Slusho e uma série de clipes gravados por uma tal de Jami Lascano para serem enviados ao seu namorado Teddy Hanssen, um funcionário da empresa japonesa;

  • X Creatures – Ainda no menu de seleção de capítulos, destaque o 10 e aperte o botão direcional do controle remoto para cima. Surgirá um “X” vermelho, clique nele para ver uma versão não finalizada da cena do ataque dos parasitas no metrô;

  • Military Cast – No menu de seleção de áudio, destaque a opção “Spanish” e aperte o direcional para a direita duas vezes, para que surja o ícone vermelho de um helicóptero. Clique nele para assistir outros momentos de diversão do elenco, desta vez se fingindo de militares.

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