NASCIDO PARA MATAR
Produção: 1987
Duração:
116 min.
Direção:
Stanley Kubrick

Elenco:
Matthew Modine, Adam Baldwin, Vicent D'Onofrio, Dorian Harewood, Arliss Howard, R. Lee Ermey
Vídeo:
Widescreen Anamórfico 1.85:1 (1080p/VC-1)
Áudio: Inglês (PCM 5.1, Dolby Digital 5.1), Francês, Espanhol, Alemão, Italiano (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português (BR/PT), Inglês, Espanhol, Chinês, Dinamarquês, Holandês, Finlandês, Francês, Alemão, Italiano, Coreano, Norueguês
Nº de discos: 1
Região:
A, B, C
Distribuidora: Warner
Lançamento:
15/10/2008

Cotações:
Filme -

Imagem:

Áudio:
Extras/Menus:
Média:

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Esta é a saga de Stanley Kubrick sobre a Guerra do Vietnã e o processo desumano que transforma homens em assassinos treinados. Joker (Matthew Modine), Gomer (Vincent D´Onofrio), Cowboy (Arliss Howard) e muitos outros são jogados em um campo de treinamento, onde enfrentam D.I. (Lee Ermey), um sargento linha dura que os considera menos que vermes. Os que superam o treinamento são enviados ao Vietnã, onde Joker junta-se ao pelotão de Cowboy, Animal Mother (Adam Baldwin) e Eightball (Dorian Harewood). Lá, em um combate de pesadelo na cidade de Hue, os jovens descobrirão o real significado da Guerra.

COMENTÁRIOS
Quando se fala em Guerra do Vietnã no cinema, uma "Santíssima Trindade" de filmes vem de imediato à cabeça: APOCALYPSE NOW, de Francis Ford Coppola (1979), PLATOON, de Oliver Stone (1986) e este NASCIDO PARA MATAR (FULL METAL JACKET, 1987), de Stanley Kubrick. Dos três, considero o filme de Coppola o melhor disparado (principalmente em sua versão original, já que a "Redux" inclui uma subtrama que alonga demais o filme e pulveriza seu impacto), com o de Stone vindo em um honroso segundo lugar. O problema com a incursão bélica de Kubrick é que ela não tem o impacto das demais - em que pese muitos a considerarem outra das grandes obras-primas do diretor, ou até mesmo "o melhor filme de guerra já feito". Para mim ele é dos filmes mais fracos do diretor, que teve a louvável intenção de fazer um filme de guerra estilizado, focado no processo de transformação de jovens comuns em máquinas de matar. E essa linha é muito bem explorada na primeira metade do filme, sem dúvida a que mais vale a pena ser assistida.

No primeiro ato, que se passa em um campo de treinamento de fuzileiros nos EUA, o fio condutor é o personagem Gomer (Vincent D'Onofrio), um bonachão gorducho e "devagar", que é implacavelmente atormentado pelo instrutor, o Sargento Hartman (o ótimo R. Lee Ermey, em uma caracterização antológica). Os insultos politicamente incorretos de Hartman dirigidos aos recrutas são um show à parte - mais sadicamente engraçados, impossível. Nos treinamentos Gomer sempre fracassa, e ao seu colapso físico segue-se também o colapso mental, acelerado pela retaliação de seus colegas provocada pelos castigos do instrutor a todo o pelotão, em função dos erros dele. Após o desmoronamento de Gomer, narrado por Kubrick de forma similar ao enlouquecimento progressivo de Jack Torrance em O ILUMINADO (1980), entramos na segunda parte do filme, onde Joker (Matthew Modine), testemunha privilegiada da degradação de Gomer, busca fugir das atrocidades da guerra atuando como jornalista do exército. Porém ele acaba indo para a linha de frente com o pelotão de seu ex-colega de treinamento, Cowboy, que passa a ser dizimado por um franco-atirador vietnamita oculto nas ruínas da cidade de Hue.

O problema deste
segundo segmento de NASCIDO PARA MATAR é que, após um primeiro ato soberbo, nele vemos apenas um filme de guerra padrão - mesmo contando com a perícia de Kubrick para tentar reafirmar os temas abordados inicialmente. O final, que seria a conclusão do inevitável processo de desumanização dos jovens soldados, carece da brutalidade e impacto necessários para tornar o filme o clássico que merecia ter sido. Ainda que vermos os jovens marchando e cantando a canção do Clube do Mickey provoque uma ironia à altura do talento de Kubrick. Outro senão é que, comparado à fantástica atuação de D'Onofrio, o desempenho de Modine, que teria de levar a segunda metade do filme nas costas, é para dizer o mínimo discreto, não gerando muita empatia com o espectador. De qualquer modo, NASCIDO PARA MATAR é um filme obrigatório para qualquer cinéfilo, já que faz parte da obra de um dos maiores cineastas da história. Nele facilmente notamos a genialidade de seu criador, que mesmo não tendo atingido todo seu potencial, ao final das contas criou um filme de guerra incomum e desafiador.

O BD
NASCIDO PARA MATAR é um daqueles poucos títulos em Blu-ray que já está em sua segunda edição no formato. Pelo que consta, esta "Edição de Luxo", também lançada pela Warner no Brasil, possui melhor qualidade de som e imagem que a anterior - fato que não posso avaliar porque a última vez que assisti a esse filme foi ainda na era do VHS - e isso parece que foi há séculos! Pelo que me lembro ele nunca teve um visual particularmente vistoso, e esta transferência widescreen anamórfica 1080p/VC-1, na proporção de aspecto original 1.85:1, segue esta mesma linha. Na primeira parte do filme a imagem é neutra, dominada pelas cores esmaecidas dos uniformes e os fundos claros. Na segunda, no lugar do verde exuberante das selvas e campos do Vietnã, temos uma recriação filmada totalmente na Inglaterra que enfatiza paisagens desoladas, com palmeiras espaçada e estrategicamente colocadas. No geral a imagem é limpa de sujeiras e outros ruídos de película, com cores de tonalidade natural, pretos não tão fortes mas com contraste muito bom. Os detalhes se realçam nos close ups, que apresentam ótimas texturas, porém em outros momentos o vídeo é soft, talvez devido à cinematografia empregada. O fato é que, após dois lançamentos em Blu-ray, acho que este é o melhor NASCIDO PARA MATAR que teremos por muito tempo.

Quanto ao som, o Blu-ray traz várias faixas Dolby Digital 5.1 (640kbps)
discretas, nenhuma delas em português. E mesmo a lossless PCM 5.1 em inglês (48k/16-bit/4.6mbps) não impressiona, em grande parte devido ao sound design original. O áudio, principalmente na primeira metade do filme, limita-se quase o tempo todo aos canais frontais, com poucos efeitos direcionais. Há uma clara limitação nas frequências, com graves fracos e agudos sem brilho. Mesmo as várias canções da trilha sonora soam de forma discreta, como em uma mixagem apenas estéreo. As coisas somente se agitam durante os combates da segunda metade do filme, quando os canais surround são acionados de forma efetiva. Os diálogos nem sempre soam claros, sendo algumas vezes necessário aumentar o volume para entender algumas falas. O Blu-ray também traz várias opções de legendas, que incluem português (tanto do Brasil como de Portugal), porém os menus estão somente disponíveis em inglês.

OS EXTRAS
Dentre todos os filmes de Kubrick lançados em Blu-ray, NASCIDO PARA MATAR é o que apresenta a menor quantidade de extras. Os vídeos estão em resolução standard (480i/MPEG-2). São eles:

  • Comentários em Áudio - Sem opção de legendas em português, podemos asisstir ao filme acompanhado pelos comentários dos atores Adam Baldwin, Vincent D'Onofrio e R. Lee Ermey, mais o historiador Jay Cocks. D'Onofrio lembra um momento da filmagem fisicamente difícil, devido ao peso extra ganho para o papel. Ermey, por vezes, soa tão irascível e engraçado como seu personagem, e juntamente com Baldwin demonstra ter um alto nível de afeto e respeito por Kubrick;

  • Full Metal Jacket: Between Good and Evil (31 min.) - Este recente documentário traz os mesmos participantes da faixa de comentários, mais Matthew Modine e os autores de livros sobre Kubrick, John Baxter e David Hughes. Sem ser particularmente extensivo, ele é eficiente ao nos dar informações úteis sobre a realização do filme - sua concepção, seleção de elenco e filmagens -, além de estabelecer seu lugar na obra do cineasta;

  • Theatrical Trailer - Encerra os escassos extras o trailer de cinema, em fullscreen.

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