PIRATAS DO CARIBE: O BAÚ DA MORTE
Direção: Gore Verbinski
Elenco:
Johnny Depp, Keira Knightley, Orlando Bloom, Bill Nighy, Tom Hollander, Stellan Skarsgard, Jack Davenport, Naomie Harris, Jonathan Pryce
Distribuidora: Disney
Duração: 151 min.
 

Região: A

Lançamento: 15/12/2007

Nº de discos: 1

Cotações:
Filme -
BD -

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Elizabeth Swann (Keira Knightley) e Will Turner (Orlando Bloom) estão prestes a casar, mas são presos sob a acusação de terem ajudado na fuga do pirata Jack Sparrow (Johnny Depp), capitão do navio Pérola Negra. Elizabeth é trancafiada, mas Will é libertado por Cutler Beckett (Tom Hollander) com a condição de trazer a bússola de Jack, que indica a localização de um objeto de inestimável valor. Elizabeth foge e se junta a Will, Jack e ao ex-Comodoro Norrington (Jack Davenport) na busca do tal objeto – o Baú da Morte. Eles não tardam a descobrir que Jack está em débito com Davy Jones (Bill Nighy), o amaldiçoado capitão do navio fantasma Flying Dutchman que possui rosto de polvo. A tripulação de Jones também é composta por homens amaldiçoados que, durante os 100 anos em que devem ficar a seu serviço, vão adquirindo características de criaturas do mar. Para piorar as coisas Jones é capaz de controlar o monstro marinho Kraken, e a única maneira de Jack, seus amigos e a tripulação do Pérola Negra derrotá-lo é encontrarem o Baú da Morte, em cujo interior está o coração de Jones.

COMENTÁRIOS
O enorme sucesso de Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra levou a Disney a providenciar não uma, mas duas continuações filmadas simultaneamente, mais uma vez sob a direção de Gore Verbinski. Após dois anos de uma produção complicada, chegou aos cinemas este Piratas do Caribe: O Baú da Morte, que mesmo sofrendo de um defeito que o original já tinha – excesso de duração – e sendo sustentado por um roteiro feito a toque de caixa, obteve um sucesso ainda maior de bilheteria. Apesar de grande parte da crítica ter reduzido o filme a pó, não é difícil de ver porque o filme agradou tanto ao público: mesmo com uma trama que, no fundo, é a mesma do original e que exagera em subtramas e seqüências dispensáveis, O Baú da Morte é muito divertido de se assistir.

A história, que agora investe mais na fantasia, custa um pouco para engrenar, mas depois que isso acontece surgem na tela homens-lula (não, nosso presidente não faz uma ponta), canibais, uma feiticeira vodu, perseguições na selva, lutas de espada, cenários paradisíacos reais, um polvo gigante e uma atração romântica entre Elizabeth e Sparrow. Antes de chegarmos ao final, que tem um gancho inesperado, o filme nos deslumbra com efeitos visuais da Industrial Light and Magic de cair o queixo. O realismo fotográfico de Jones, sua tripulação e o Kraken é simplesmente fantástico. Pelo que vemos na tela, o orçamento oficial de U$ 80 milhões (que não inclui a terceira parte, Piratas do Caribe: No Fim do Mundo) saiu muito barato.


No elenco mais uma vez se destaca Depp, novamente roubando a cena com seu afetado Capitão Jack Sparrow - mas Nighy, apesar de todo o CGI aplicado em seu rosto, também tem uma grande atuação. A personagem de Knightley desta vez participa mais da ação, e Bloom se desincumbe bem da função de galã corajoso que luta para libertar o pai da maldição de Davy Jones. Piratas do Caribe: O Baú da Morte sofre por ser o filme do meio da trilogia, terminando (?), como já dito, com um cliffhanger para No Fim do Mundo. Mas sem dúvida merece ser (re) visto neste Blu-ray que realça as lindas paisagens, os efeitos visuais impressionantes e algumas seqüências de tirar o fôlego. Portanto, esqueça os críticos ranzinzas, prepare a pipoca, o refrigerante, apague as luzes e calibre seu home theater para assistir a um filme que é diversão pura.

O BD
Piratas do Caribe: O Baú da Morte fora lançado aqui em uma edição especial em DVD tecnicamente primorosa e com extras abundantes. Um lançamento caprichadíssimo da Disney, que se neste Blu-ray não repetiu a façanha no que toca aos extras, foi além das expectativas no que se refere a som e imagem. Indiscutivelmente, o vídeo widescreen anamórfico 2.35:1 (resolução 1080p/AVC MPEG-4) pode ser considerado uma referência no formato. A transferência é impecável, sem qualquer indício de sujeiras, granulação ou artefatos. Tudo tem uma aparência natural, com cores ricas e sólidas. Os detalhes e as sombras apresentam elevada nitidez mas ainda assim a imagem é suave, sem contornos forçados ou outros efeitos colaterais do uso de filtros digitais.

No áudio destaca-se a faixa em inglês PCM 5.1 sem compressão, rodando a 48kHz/24-bit/6.9mpbs. Também aqui este BD pode ser considerado uma referência em home theater, e se duvida assista (e ouça) algumas das seqüências de ação, como os ataques do Kraken ao navio Jolly Roger ou a luta de espadas em cima da roda do moinho. O filme possui um dos melhores sound designs já feitos, e o áudio sem perdas do BD permite recriar em sua casa um perfeito campo sonoro de 360 graus. Tudo sempre soa vívido e claro, desde o órgão tocado por Jones até os diálogos e detalhes sutis, ambientais, que vêm dos canais surround. Os graves são sólidos, consistentes, e o equilíbrio da mixagem é tamanho que ajustes de volume são desnecessários – a menos que o som esteja tão bombástico que seus vizinhos queiram fazer você andar na prancha. Ainda há dublagens Dolby Digital 5.1 em inglês e português, obviamente menos impactantes mas que atenderão com sobra àqueles que não possuem um receiver capaz de reproduzir o som PCM multicanal. As legendas disponíveis são português e inglês, mas os menus (animados) estão apenas em inglês.

OS EXTRAS
Tecnicamente o Blu-Ray de Piratas do Caribe: O Baú da Morte é excelente, uma pena que no que toca aos extras a Vista Disney meteu os pés pelas mãos. Nos EUA o filme foi lançado em dois BDs, que incluem todos os extras do DVD duplo e alguns inéditos. Mas infelizmente aqui no Brasil, a exemplo do que fez com A Maldição do Pérola Negra, a distribuidora optou por disponibilizar o filme em apenas um BD, que apesar de ser de dupla camada (50 Gb) não tem capacidade para armazenar o filme com áudio e vídeo de alta definição, e todos os extras disponíveis. Portanto, o que há aqui de material bônus é muito tímido, se comparado ao equivalente norte-americano, o que custou alguns preciosos pontos nesta avaliação. Fora algumas chamadas de lançamentos da Disney em Blu-ray, que são reproduzidas antes do carregamento do menu, temos:

  • Movie Showcase – É um recurso que permite acessar diretamente aos capítulos que contém as principais seqüências do filme – podemos selecionar uma específica ou reproduzir todas. Sem dúvida é um recurso útil se você quiser fazer aos seus amigos uma demonstração do Blu-ray em toda a sua glória, sem fazê-los enfrentar os 151 minutos do filme. No entanto, me parece que ele foi criado tendo em vista principalmente os vendedores, que poderão exibir os momentos mais chamativos do filme nos home theaters montados em suas lojas; e

  • Jogo de Blefe dos Piratas (Liar's Dice) – Este bônus exclusivo do Blu-ray utiliza o suporte do formato ao Java, para criar uma versão mais sofisticada dos jogos interativos que eventualmente aparecem em DVD. O jogo (dublado em português) é relativamente simples, e trata-se de um duelo de dados com os piratas Pintel (Lee Arenberg) e Marty (Martin Klebba). Ganha o último homem que permanecer vivo... Sem dúvida é um jogo divertido (nada como ser insultado pelos piratas após cada jogada!), com boa inteligência artificial e um visual interessante que utiliza atores do filme. É uma boa amostra dos recursos do formato e seria uma agradável adição aos extras da edição dupla; porém, do jeito que está ele apenas os substitui, e não pensaria duas vezes em trocar este jogo pelos abundantes documentários da produção. Ou seja, mesmo que você decida comprar este BD, terá de manter a edição especial em DVD por causa dos extras. Uma bola fora da Disney.

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