A EXPERIÊNCIA
Direção: Roger Donaldson
Elenco:
Natasha Henstridge, Ben Kingsley, Michael Madsen, Marg Helgenberger, Alfred Molina, Forest Whitaker
Distribuidora:
Sony/MGM
Duração:
106 min.

Região:
A, B, C

Lançamento:
25/07/2006

Nº de discos:
1

Cotações:
Filme -
BD -

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Quando a bela Sil (Natasha Henstridge) escapa de um laboratório secreto, o cientista Xavier Fitch (Ben Kingsley) envia um assassino do governo (Michael Madsen), um sensitivo (Forest Whitaker), uma bióloga (Marg Helgenberger) e um antropólogo (Alfred Molina) em sua perseguição. A razão para isto é que a mulher é um híbrido alienígena com a capacidade de acasalar-se com homens e produzir crias que podem destruir a raça humana. À medida que o relógio biológico mortal da criatura avança rapidamente, Fitch e sua equipe seguem sua pista até Los Angeles, em uma caçada da qual depende o próprio destino da humanidade.

COMENTÁRIOS
Qualquer fã de cinema de vez em quando se depara com um filme ruim (ou no mínimo “problemático”) que, apesar de todas as suas falhas de realização, acaba sendo uma espécie de cult particular, o que os americanos chamam de “guilty pleasure”. São filmes que deram errado, mas que aqui e ali mostram elementos que agradam a certas pessoas – talvez indícios de que os produtores perderam uma grande oportunidade para realizar um clássico. Há vários destes exemplares nos gêneros horror e ficção científica, como Força Sinistra (1985), que a exemplo de A Experiência (1995) também explora a nudez de uma bela alienígena (oh, será este o elemento comum que me faz gostar destes filmes?). Ambos partem de uma idéia interessante, mas sua realização defeituosa lhes dá ares de produção B, apesar de contar com um bom orçamento. No caso de A Experiência, o diretor Roger Donaldson teve à sua disposição um elenco que incluiu atores de gabarito como Ben Kingsley (com saudades dos tempos do Oscar por Gandhi), o ótimo Alfred Molina e Forest Whitaker, premiado em 2008 com o Oscar de Melhor Ator por O Último Rei da Escócia. Isso sem falar no “durão” Michael Madsen, que há pouco participara do filme que revelou Tarantino – Cães de Aluguel -, desperdiçado aqui num papel com muita fala e pouca ação. Enfim, desempenhos ofuscados pela beleza do rosto e dos seios perfeitos de Natasha Henstridge, então estreando no cinema.

No início do filme nos é contado que tudo começou há 30 anos, quando radiotelescópios captaram sinais do espaço contendo uma fórmula que permitiu combinar DNA alienígena com DNA humano. Décadas depois o resultado da experiência é a garota Sil, aparentemente normal mas que cresce aceleradamente - o que indica que possui atributos da espécie alienígena, ainda desconhecida. Ela foge do laboratório, após uma tentativa dos cientistas de encerrarem o projeto envenenando-a com gás. À solta, logo ela assume a forma adulta e sexy de Henstridge, que sofre de um irresistível impulso de acasalar com machos humanos. Como seu jeito de loira burra ela seduz os homens, mas algo sempre dá errado, o sexo não se consuma e os sujeitos invariavelmente acabam sendo mortos pela predadora alien. Para dificultar o trabalho da equipe de caçadores que a persegue (integrada também pela personagem da atriz Marg Helgenberger, hoje mais conhecida pela série CSI), Sil pode mudar de sua forma humana para uma monstruosa alienígena em um piscar de olhos, o que rende efeitos em CGI à época interessantes mas hoje, obviamente, datados. Além do monstro CGI não ter o foto-realismo propiciado pelos efeitos de hoje, seus movimentos são artificiais, e nas cenas em que aparece ele não está integrado com os atores (quando isso é necessário, é usado um boneco animatrônico).


Acima de tudo A Experiência foi mais um filme derivado da fórmula consagrada anos antes por Alien, porém adicionando cenas de nudez e sexo patrocinadas pela bela vilã. Se no clássico de Ridley Scott a criatura era irracional, movida apenas pelo instinto animal de sobrevivência e reprodução, aqui o monstro é um ser pensante que enfrenta uma espécie de crise existencial, questionando-se a respeito de sua verdadeira identidade e a razão de estar na Terra – o que para nós logo fica muito claro: ela é uma espécie de arma biológica, com o objetivo de reproduzir-se e dizimar a raça humana. Um dos méritos do roteiro de Dennis Feldman é expor este conflito entre a razão e o instinto, porém é um recurso fracamente explorado, optando-se mais em mostrar uma sucessão de cenas de nudez de Henstridge (das quais não reclamo), de suspense e ação, que culminam em um jogo de gato e rato nos esgotos de Los Angeles. O final cria um gancho forçado e ridículo, que foi solenemente ignorado pela continuação que definitivamente colocou a franquia no rumo da lixeira (e dos lançamentos diretos em TV a cabo e DVD). Enfim, o que poderia ser um filme memorável tornou-se apenas um “guilty pleasure” de muitos, graças à nudez de Natasha, ao elenco talentoso pagando mico, ao interessante monstro concebido pelo suíço H. R. Giger (o mesmo criador do Alien) e a uma inspirada trilha de Christopher Young, da qual gosto muito.

O BD
Bem, nota-se que A Experiência tem seus seguidores, tanto que foi o início de uma franquia da qual, no entanto, este é o único filme que merece ser considerado. Aqui no Brasil a Fox já o lançou em DVD simples e duplo, e nos EUA chegou a sair até um box da série com 4 discos, um deles apenas com extras, e finalmente este Blu-ray lançado em 2006, quando da estréia do formato. Se não há dúvida de que esta apresentação do filme é bem superior à dos DVDs disponíveis, também é inegável que o BD tem problemas.

Para começar, quando tento mudar a configuração das legendas via menu (tanto o de fundo como o flutuante, acessado durante a reprodução), o disco tranca. Não sei se este é um defeito de fabricação deste BD específico ou uma incompatibilidade com meu player (um Playstation 3), mas o fato é que só consigo realizar essa função via controle. Fora este há um aspecto que sem dúvida é geral, e tem a ver com o codec utilizado na transferência widescreen anamórfica na proporção 2.35:1 – o mesmo MPEG-2 do DVD, o que vale dizer que, mesmo sendo de alta definição, possui um bitrate que não permite explorar todo o potencial de qualidade de imagem do formato. Além disso, para o lançamento em Blu-ray o filme não passou por nenhum processo de remasterização. Ou seja, os mesmos defeitos de película notados de tempos em tempos no DVD – sujeiras e, principalmente, pontos brancos no terço inicial do filme -, continuam presentes e realçados pela resolução 1080p. Pelo menos as cores estão acuradas e bem saturadas, e a nitidez e detalhes são claramente superiores aos do DVD.

Se no quesito do vídeo A Experiência é um Blu-ray longe de ser estelar, pelo menos no que se refere ao áudio ele se sai melhor. Como foi comum nos primeiros títulos lançados no formato, ele traz uma faixa de áudio PCM 5.1 sem compressão (além de Dolby Digital 5.1 em inglês e francês). O som DD 5.1 é idêntico ao do DVD, o que significa dizer que, para os padrões atuais, deixa a desejar em termos de fidelidade e força. Felizmente a faixa sem compressão é mais dinâmica e potente, realçando os graves e a trilha musical. Em cenas de ação os canais surround são usados com eficiência, mas no resto do tempo eles pouco são notados. De modo geral, se comparada à mixagens de áudio mais recentes, mesmo esta faixa sem perdas perde um pouco de seu brilho, o que mostra que também no som uma remasterização para alta definição teria sido bem vinda. De resto, temos legendas em sete idiomas, sendo um deles português do Brasil.

OS EXTRAS
O lançamento mais recente de A Experiência no Brasil foi a Definitive Edition, um DVD duplo similar ao da R1 que traz muitos  extras, como comentários em áudio, vários featurettes, final alternativo, trailer, prévia de A Experiência 4 e galeria de imagens. Já no Blu-ray foi agregada apenas parte deste material e que, infelizmente, não recebeu legendas em qualquer idioma. Os dois featurettes presentes estão em resolução standard, com áudio em inglês 2.0 e tela fullscreen.

  • Comentários em áudio – Não há uma, mas duas faixas de comentários em áudio, A primeira traz o diretor Roger Donaldson e os atores Michael Madsen e Natasha Henstridge, e vale a pena ser ouvida principalmente pelo bom humor dos participantes. Apesar do filme claramente ter sido um fator limitador para ela na busca de papéis mais sérios, Henstridge fala com simpatia de sua estréia no cinema. A segunda faixa de comentários traz novamente Donaldson, agora acompanhado pelo produtor Frank Mancuso, Jr. E os técnicos em efeitos visuais Richard Edlund e Steve Johnson. Nesta faixa temos informações mais dirigidas à produção e aspectos técnicos;

  • Designing a Hybrid (15:44) – Este featurette trata das técnicas utilizadas para colocar na tela a criatura Sil, incluindo os desafios da equipe que manipulou o boneco animatrônico nas filmagens e a criação da versão CGI. Apesar dos efeitos de computação da época hoje parecerem rudimentares, A Experiência foi um dos filmes pioneiros em utilizar a técnica da captura de movimentos, que anos mais tarde possibilitou a criação de memoráveis personagens digitais como o Gollum de O Senhor dos Anéis. A diferença é que na época os sensores de movimentos eram conectados a um boneco articulado e não a um ator, como é feito hoje em dia;

  • H.R. Giger at Work (11:59) – Mais interessante que o anterior, este featurette nos leva para o interior do estúdio particular do artista suíço, que tem uma imaginação prodigiosa para criar imagens de pesadelo - e lá vemos ele e sua equipe criando os moldes e modelos da criatura, além da cena com o trem em miniatura.

  • Previews – Trailers de outros lançamentos da Sony/MGM em Blu-ray, que não incluem o de A Experiência ou de nenhuma de suas continuações.

DVDs / BDs COMENTADOS