STAR TREK
Produção: 2009
Duração:
127 min.
Direção:
J.J. Abrams
Elenco:
Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Karl Urban, John Cho, Anton Yelchin, Simon Pegg, Eric Bana, Bruce Greenwood, Winona Ryder, Leonard Nimoy
Vídeo:
Widescreen Anamórfico 2.40:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (Dolby TrueHD 5.1), Francês, Espanhol (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Nº de discos: 2
Região:
A, B, C
Distribuidora: Paramount
Lançamento:
04/11/2009

Cotações:
Filme -

Imagem:
Áudio:
Extras/Menus:
Média:

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
O impetuoso e rebelde James Kirk (Chris Pine) e o igualmente jovem, meio vulcano, meio humano, Spock (Zachary Quinto), estão entre os jovens membros de uma tripulação principiante da Frota Estelar, prestes a embarcar na mais avançada nave estelar já criada: a U.S.S. Enterprise. Durante a viagem inaugural, sob o comando do Capitão Pike (Bruce Greenwood ), eles conhecerão o diabólico Nero (Eric Bana), cuja missão de vingança ameaça toda a humanidade.

COMENTÁRIOS
Mais de quatro décadas após o lançamento da Série Clássica de JORNADA NAS ESTRELAS, a franquia da Paramount, verdadeiro patrimônio da cultura pop, parecia morta e enterrada. Restritas a um nicho de público, as mais recentes produções para TV e cinema, capitaneadas por Rick Berman e sua turma, não agradavam nem mesmo aos mais fanáticos trekkers. Isso até que em 2006, com o relançamento das aventuras da nave Enterprise em alta definição, foi anunciado o início da produção de um novo filme a cargo de J.J. Abrams.

Abrams, criador de algumas das séries de TV mais interessantes deste novo século (ALIAS, LOST, FRINGE) e assumidamente um fã de ficção científica, parecia a escolha certa para esta missão aparentemente impossível (coincidentemente, o primeiro filme que dirigiu foi MISSÃO IMPOSSÍVEL III, também para a Paramount). Isso porque a idéia era fazer um filme que extrapolasse o atual nicho de JORNADA NAS ESTRELAS e colocasse a franquia no patamar dos grandes blockbusters do verão americano. E deu certo - se este STAR TREK (título simplesmente em inglês, sem tradução em nenhum lugar do mundo) não foi o filme mais rentável da temporada, foi considerado pela maioria da crítica especializada como o melhor.

Depois do atribulado e caro JORNADA NAS ESTRELAS – O FILME (1979), nenhum dos outros nove longas tiveram um tratamento de superprodução. Mas isto mudou no novo STAR TREK, que recebeu um generoso orçamento de U$ 150 milhões que vemos estampado na tela – seja nos excelentes efeitos visuais da ILM, seja nos elaborados cenários e paisagens deslumbrantes. O desenho de produção buscou manter elementos tradicionais da SÉRIE CLÁSSICA (como o design da nave e dos uniformes), porém “atualizados” com uma estética retrô. Indiscutivelmente, um filme bonito.

Em STAR TREK Abrams contou com o auxílio de alguns dos seus colaboradores habituais para ajudá-lo na empreitada, como os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman (MI III, TRANSFORMERS) e o compositor Michael Giacchino, e com eles decidiu retornar às aventuras do Capitão Kirk e da tripulação da nave estelar Enterprise – as que são mais conhecidas pelos não-trekkers. Mas para não ficar preso aos eventos já mostrados na série e nos filmes, a solução foi reimaginar o universo de JORNADA NAS ESTRELAS, através de um reboot no estilo do que foi feito recentemente nas franquias BATMAN e 007. O detalhe é que o reboot de Abrams possui um pé firmemente plantado no passado.

O roteiro de Orci e Kurtzman lança mão de um recurso batido na série, as viagens no tempo (mais especificamente uma volta ao passado). Contudo dessa vez, e sem maior complicação para os “leigos”, ele cria uma linha de tempo alternativa onde serão desenroladas as novas aventuras da Enterprise. Usando este recurso a dupla garantiu a permanência dos eventos da cronologia original, ao mesmo tempo em que abriu espaço para que a partir de agora as viagens da Enterprise, mais uma vez, sejam novas e imprevisíveis. E isso começa já neste filme, onde muitos fatos estabelecidos no cânone tradicional de JORNADA NAS ESTRELAS vão (literalmente) para o espaço. Se isto lhe parece um sacrilégio, pelo menos tenha um grande consolo – neste novo universo, o Capitão Kirk certamente não terá aquela morte ridícula vista em GENERATIONS.

Dando vida a (em sua maioria) velhos personagens com outros rostos, o elenco mescla atores jovens e veteranos com variados níveis de experiência, e talvez os mais conhecidos do público brasileiro sejam Zachary Quinto/Spock (o Sylar de HEROES), Karl Urban/McCoy (o Éomer de O SENHOR DOS ANÉIS, para mim simplesmente perfeito no papel) e Eric Bana/Nero (MUNIQUE). Porém além deles também Chris Pine/Kirk, Zoe Saldana/Uhura, Simon Pegg/Scotty, Anton Yelchin/Chekov e John Cho/Sulu, dentro do que exigia o roteiro, defenderam com dignidade seus papéis. O destaque talvez seja mesmo Chris Pine, que teve a espinhosa missão de assumir o papel eternizado por William Shatner.

Mas não esqueçamos Bruce Greenwood como o primeiro Capitão da Enterprise, Christopher Pike, das pequenas mas relevantes participações de Winona Ryder e Ben Cross como os pais de Spock, e de Jennifer Morrisson (a Cameron de HOUSE) como a mãe de Kirk. E por último mas não menos importante: Leonard Nimoy, como o próprio Sr. Spock da SÉRIE CLÁSSICA, tem função vital na trama. Pena que um dos elementos mais fracos da história seja exatamente o vilão Nero, desenvolvido de uma forma que não permitiu a Bana dar maior dimensão ao personagem.

É claro que o longa não é perfeito, o roteiro possui lacunas e adota algumas soluções apressadas e simplistas para tocar a história mais rapidamente – está aí um filme que certamente será beneficiado no futuro por uma versão do diretor ou estendida. Além disso, haverá quem não goste dos “coletores bussard” azuis da Enterprise, ou sua engenharia “analógica” que parece uma fábrica de cerveja (e é mesmo, já que Abrams usou como cenário uma velha planta da Budweiser)… Porém, acima da excelência técnica das batalhas espaciais (que nem são tantas assim), é um filme que honra o legado da criação de Gene Roddenberry, mantendo as bases do que sempre foi a essência da SÉRIE CLÁSSICA – o relacionamento entre seus personagens, notadamente Kirk, Spock e McCoy.

No final o saldo é positivo, e quando vemos a Enterprise partir tendo ao fundo a narração de Nimoy e o tema original de Alexander Courage (muito bem empregado por Giacchino), fica aberto o caminho para que JORNADA NAS ESTRELAS ou agora apenas STAR TREK tenha, mais uma vez, uma Vida Longa e Próspera. Inclusive aqui no Brasil, apesar da péssima divulgação feita pela Paramount quando do lançamento do filme nos cinemas.

O BD
Curiosa a estratégia da Paramount para o lançamento de STAR TREK no Brasil. Quando o filme estreou por aqui nos cinemas, ao contrário do que aconteceu nos EUA, sua divulgação foi muito ruim. Os trailers foram pouquíssimo exibidos e, poucos dias antes da estreia, em muitas salas o único que era mostrado era o teaser lançado ainda em 2008, que não tinha uma cena sequer do longa. Agora para home vídeo, a distribuidora lança o filme em DVD simples apenas para locação, com o duplo para venda direta prometido apenas para fevereiro - mas em Blu-ray ele já foi lançado aqui, e quase com meio mês de antecedência em relação à edição norte-americana!

Tecnicamente, como outros lançamentos de filmes novos da Paramount, este é um Blu-ray simplesmente estelar. STAR TREK recebeu uma transferência anamórfica 2.40:1 1080p/AVC MPEG-4 que é simplesmente impressionante. Cenas com atores e de efeitos digitais são reproduzidas com elevada clareza e detalhes, que vão desde as nuances nos rostos dos atores (nota-se claramente que a pele do Chris Pine é bem ruinzinha) até os exteriores de naves, cenários e vestuário. A riqueza das cores é extraordinária, e isso é destacado principalmente no contraste entre os uniformes dourados, azuis e vermelhos da tripulação e os brilhantes interiores brancos e azulados da Enterprise. Os tons de pele são naturais, e os pretos perfeitamente sólidos e consistentes. Há uma leve granulação na imagem, e filtros como DNR e EE são inexistentes. Portanto, uma grande diferença em relação aos filmes anteriores da franquia, a maioria lançados em BD com qualidade de imagem alterada por filtros.

A excelente imagem de STAR TREK é acompanhada por uma faixa de áudio original à sua altura. Agressivo quando necessário, o áudio lossless Dolby TrueHD 5.1 é de referência tanto nos momentos de alta ação como nos mais sutis ou atmosféricos. Ouvimos com nitidez e espacialidade os sons da ponte de comando, das portas se abrindo e das naves deslocando-se pela tela. A trilha original de Michael Giacchino é reproduzida com alta fidelidade em todo o palco sonoro, inclusive usando de forma consistente os canais traseiros. Quando a ação se intensifica, surgem os graves robustos e efeitos surround que colocam o espectador no centro do filme. Também há disponíveis mixagens Dolby Digital 5.1 em francês e espanhol, e quem gosta de dublagem em português se decepcionará ao saber que a Paramount, como de praxe em seus BDs, não incluiu uma faixa em português. As opções de legendas são p
ortuguês, inglês, espanhol e francês, enquanto os bonitos menus animados estão apenas em inglês.

OS EXTRAS
Já de saída vamos começar a resenha dos extras do Blu-ray de STAR TREK dizendo o que a edição nacional do filme NÃO TEM, em relação à que será lançada nos EUA dia 17 de novembro: um terceiro disco contendo o demo jogável do game Star Trek D-A-C e uma cópia digital do filme. Ou seja, material dispensável porque não relacionado diretamente à produção do filme. E afinal de contas, quem comprará um Blu-ray por causa de uma cópia digital em resolução standard, e ainda por cima sem legendas ou dublagem? De resto, está disponível o que realmente importa – uma grande quantidade de material de ótima qualidade, em alta definição (HD 1080p) e que foge ao padrão do material de divulgação comumente adicionado como extra. Todos os vídeos, exceto trailers, possuem a opção de legendas em português.

Disco 1
Acredito que isso não possa realmente ser considerado como extra, mas só para registrar: antes do menu do disco são reproduzidos os trailers de TRANSFORMERS
2, G.I. JOE e um comercial da exibição na TV norte-americana da segunda temporada da série de J.J. Abrams FRINGE (HD, áudio em inglês 5.1). Mas o que vale mesmo neste disco é:

  • Comentários em Áudio – O filme pode ser assistido acompanhado pelos comentários do diretor J.J. Abrams, dos produtores Bryan Burk e Damon Lindelof, e dos roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci. É uma faixa bem informativa, que começa pelas origens do projeto de retomada da franquia, e segue abordando vários aspectos da produção do filme – e mesmo um que gerou muita discussão entre os trekkers: a utilização de métodos narrativos típicos de STAR WARS. Uma pena que, como nos demais BDs da Paramount, a faixa de comentários não tenha recebido legendas;

  • BD-Live: NASA News – Através do recurso de conectividade do seu player, é possível acessar notícias da NASA em inglês, atualizadas periodicamente e com uma “imagem do dia”;

Disco 2

  • Audaciosamente Indo (To Bodly Go, HD, 16:41min.)Featurette onde vários membros do elenco lembram o enorme desafio de reiniciar a franquia no cinema, em um filme que agradasse tanto aos fãs antigos como às novas plateias. Também é abordada a escolha do elenco, a amizade de Kirk e Spock, que é o núcleo do filme, a participação de Leonard Nimoy como o Spock original, etc. É possível assistir ao documentário com acesso a mais quatro featurettes através de branching, ou em separado via menu: “The Shatner Conundrum”, que trata da polêmica sobre a não participação no filme do ator William Shatner (1:58min.), Red Skirt Guy” (0:43min.), The Green Girl (3:25min.) e Trekker Alert! (2:22min.);

  • O Elenco (Casting, HD, 28:53min.) – Trata da importância de selecionar novos atores para interpretar os icônicos personagens;

  • Uma Nova Visão (A New Vision, HD, 19:31min.)Featurette focado nas influências de STAR WARS trazidas por Abrams, dando ao filme um ritmo mais ágil e um visual mais realista. Também trata do uso de efeitos de câmera quando possível, cenários, locações, técnicas de filmagem, etc. Como no primeiro documentário, também neste temos um segmento que pode ser assistido via branching: “Savage Pressure” (3:08min.);

  • Naves Estelares (Starships, HD, 24:23min.) – Documentário que trata do design externo e interno das naves vistas no filme, com destaque para sua atualização sem desrespeitar o estilo estabelecido na linha de tempo original da franquia. E aqui é confirmado algo que provocou muita polêmica entre os trekkers: sim, a nova Enterprise tem mais do que o dobro do tamanho da sua versão original. Os segmentos associados que podem ser assistidos via branching ou menu são: “Warp Explained” (1:22min.), “Paint Job” (1:14min.), “Bridge Construction Accelerated” (1:18min.), “The Captain's Chair” (0:45min.), “Button Acting 101” (1:44min.), “Narada Construction Accelerated” (1:20min.), e “Shuttle Shuffle” (1:46min.);

  • Alienígenas (Aliens, HD, 16:30min.) – Aqui vemos os vários alienígenas do filme e os atores que os interpretaram. Os segmentos branching são: “The Alien Paradox” (1:40min.), “Big-Eyed Girl” (1:25min.), “Big Bro Quinto” (1:26min.), “Klingons” (1:57min.) e “Drakoulias Anatomy 101” (1:35min.);

  • Planetas (Planets, HD, 16:10min.) – Trata das locações, cenários e efeitos especiais usados para a criação de mundos alienígenas ou futuristas. Os segmentos branching deste featurette são: “Extra Business” (2:29min.) e “Confidentiality” (2:45min.);

  • Objetos de Cena e Figurinos (Props and Costumes, HD, 9:22min.) – Uma olhada nos novos designs de phasers, comunicadores, tricorders, o fone de ouvido de Uhura, uniformes da Frota Estelar e vestuário Vulcano e Romulano. O segmento branching deste extra é “Klingon Wardrobe” (1:08min.);

  • Ben Burtt e os Sons das Estrelas (Ben Burtt and the Sound of Star Trek, HD, 11:45min.) – Burtt é o especialista em sound design que criou sons memoráveis para os filmes de George Lucas e Steven Spielberg, em especial os das séries STAR WARS, INDIANA JONES e JURASSIC PARK. Aqui ele fala sobre a importância dos efeitos sonoros nos filmes e, em particular, STAR TREK, cujos sons da SÉRIE CLÁSSICA foram uma inspiração direta para seu trabalho no novo longa;

  • A Música (Score, HD, 6:28min.) – O compositor habitual de Abrams, Michael Giacchino, discute a forma que escolheu para utilizar o tema original de Alexander Courage, bem como a trilha original que compôs;

  • A Visão de Gene Roddenberry (Gene Roddenberrys Vision, HD, 8:47min.) - J.J. Abrams, Michael e Denise Okuda, Rick Berman, Nicholas Meyer e outros relembram o criador da franquia e sua visão do futuro, diretamente influenciada pela era na qual JORNADA NAS ESTRELAS foi criada;

  • Cenas Inéditas com Comentários Opcionais (Deleted Scenes, HD, 13:30min.) – Nove cenas que foram retiradas do filme (mas que provavelmente serão reinseridas em uma futura versão estendida ou do diretor), que podem ser assistidas com comentários opcionais (sem legendas) de J.J. Abrams, Bryan Burk, Alex Kurtzman e Damon Lindoff. São elas: “Spock Birth” (1:52min.), “Klingons Take Over Narada” (0:46min.), “Young Kirk, Johnny, and Uncle Frank” (1:36min.), “Amanda and Sarek Argue After Spock Fights” (0:38min.), “Prison Interrogation and Breakout” (3:08min.), “Sarek Gets Amanda” (0:22min.), “Dorm Room and Kobayashi Maru (Original Version)” (3:59min.), “Kirk Apologizes to the Green Girl” (0:54min.) e “Sarek Sees Spock” (0:12min.);

  • Simulador de Naves da Frota Estelar (Starfleet Vessel Simulator, HD) – Recurso interativo que permite a exploração dos modelos tridimensionais das naves Enterprise e Narada. Clicando em determinadas opções temos acesso a informações em texto ou vídeo sobre algumas (muito poucas, na verdade) seções das naves;

  • Erros de Gravação (Gag Reel, HD, 6:23min.) – Os habituais erros de gravações e outras gracinhas, que também incluem o diretor Abrams batucando no microfone;

  • Trailers (HD) – Aqui foram reunidos os quatro trailers do filme: “Teaser” (1:18min.), “The Wait Is Over” (2:14min.), “Prepare For the Beginning” (2:17min.) e “Buckle Up”-(1:03min.).

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