TRÓIA (VERSÃO DO DIRETOR)
Direção: Wolfgang Petersen
Elenco:
Brad Pitt, Eric Bana, Diane Kruger, Orlando Bloom, Peter O’Toole, Brendan Gleeson, Brian Cox, Sean Bean, Julie Christie

Distribuidora:
Warner

Duração:
195 min.
Região:
A

Lançamento:
18/09/2007

Nº de discos:
1

Cotações:
Filme -
BD -

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Helena (Diane Kruger), a jovem esposa do Rei de Esparta, Menelau (Brendan Gleeson), tida como a mulher mais bela de todos os tempos, foge com o príncipe Paris (Orlando Bloom) para Tróia, cidade cujas muralhas são consideradas inexpugnáveis. Menelau e seu irmão, o Rei Agamenon (Brian Cox), reúnem a maior frota da história da Grécia e lançam um ataque maciço contra Tróia. Porém, mesmo contando com guerreiros como o invencível Aquiles (Brad Pitt) e o Rei de Ítaca, Ulisses (Sean Bean), os gregos encontram no exército troiano, comandado pelo irmão de Paris, Heitor (Eric Bana), um formidável oponente, e não conseguem penetrar na cidade. Isso até que Ulisses veja um dos seus soldados esculpindo um cavalo de madeira de brinquedo...

COMENTÁRIOS
Esta versão da clássica obra “Ilíada”, de Homero, possui na direção o competente Wolfgang Petersen (O Barco - Inferno no Mar), que apesar de alguns “modernismos” de estilo e concessões comerciais, conseguiu criar um bom e tradicional filme épico. Petersen optou por uma abordagem mais realista da história e podou por completo a intervenção dos deuses do Olimpo na trama, relegando-os à condição de crenças religiosas. A mãe de Aquiles, que na obra literária é uma deusa, até aparece no filme (interpretada por Julie Christie), mas na condição de uma simples mortal. Se por um lado elimina os deuses para dar maior espaço às motivações essencialmente humanas da trama, por outro o roteiro evita maniqueísmos ao não atribuir as funções de heróis e de vilões a ninguém (com a exceção do arrogante Agamenon). Adicionalmente, foram mudados fatos tidos como históricos, como a duração da guerra - o cerco a Tróia, segundo Homero, durou dez anos, mas no filme temos a impressão de que se passaram apenas alguns dias. Uma concessão de grande apelo comercial foi a escolha de Brad Pitt para interpretar o relutante guerreiro Aquiles que, no intervalo das batalhas onde derrota seus oponentes com movimentos saltitantes, mostra às câmeras seu escultural traseiro e faz amor com alguma beldade grega. Pitt até que não se sai mal como Aquiles, mas Eric Bana, ator cujos principais créditos anteriores foram Falcão Negro em Perigo, Hulk e posteriormente estrelou Munique, lhe rouba a cena. Já Príamo, o Rei de Tróia, propiciou que o veterano Peter O’Toole nos desse um dos melhores momentos do filme, aquele no qual o monarca humilha-se para solicitar a Aquiles a devolução do corpo do seu filho. O maior problema do filme em sua versão original de cinema era que, mesmo tendo 163 minutos de duração, muitos personagens, como Ulisses, não tiveram chance ou tempo de serem aprofundados. Outro exemplo é Helena, o elemento catalisador do conflito, que não teve o destaque que devia, limitando-se quase a ser uma figura decorativa. Mas isto mudou um pouco nesta Versão do Diretor.

Como não é raro de acontecer (veja o caso de outro épico recente - Cruzada, de Ridley Scott), Tróia foi lançado nos cinemas em uma versão que não agradou ao seu diretor (e nem a muitos espectadores). Por imposição do estúdio, sua duração foi bastante reduzida, e as cenas de nudez e violência foram suavizadas para que o filme recebesse uma classificação etária mais leve. Nada disso ajudou o desempenho nas bilheterias, e o épico não se tornou o grande sucesso esperado pela Warner. Felizmente Petersen teve a oportunidade de retornar ao seu filme, e como resultado temos agora uma versão mais fiel às intenções originais do diretor. A metragem adicional (que inclui cenas totalmente inéditas e versões estendidas de outras já conhecidas) permitiu desenvolver melhor os personagens, aprofundando suas motivações e dilemas, além de dar ao filme um tom mais sombrio. Notamos a inserção de novo material já no início, com uma interessante seqüência na qual um cão segue os rastros de pedaços de armaduras e elmos ensangüentados, até encontrar o corpo de seu dono - um soldado - sendo devorado por aves. A câmera se afasta, revelando dois grandes exércitos que se aproximam para se enfrentar. Esta cena estabelece o tom do que veremos adiante nas exuberantes cenas de batalha, agora retrabalhadas pelo diretor: detalhes sangrentos de corpos sendo atravessados por lanças e flechas, e de membros e cabeças decepados por espadas. Em um momento impressionante vemos, acima da linha onde as forças gregas e troianas se encontram, uma nuvem avermelhada formada pelo sangue dos soldados. A descrição gráfica da violência torna as batalhas ainda mais realistas, e nelas agora vemos mais dos feitos de Ajax (Tyler Mane), um gigante grego que massacra seus oponentes com uma marreta e que posteriormente enfrentará Heitor. Esse combate agora tem mais impacto, pois já vimos do que Ajax é capaz.

Saindo da violência para o romance, o relacionamento de Helena e Paris recebeu a intensidade que faltou na versão original, com mais diálogos e maior nudez de ambos nas cenas românticas. Diane Kruger é uma atriz belíssima e sua plástica perfeita, aqui melhor explorada, ajuda a entender porque tantos enfrentaram a morte por ela. Temos também a adição de duas pungentes cenas de funerais (um grego e um troiano), acompanhadas por um belo trabalho vocal composto por Gabriel Yared para a sua trilha musical, que foi rejeitada pelo diretor - que assim, ainda que de forma limitada, se faz presente nesta nova versão. Já que falamos na música, a trilha original de James Horner foi alterada para adaptar-se à nova montagem, sendo em alguns casos questionavelmente substituída por composições retiradas de outros filmes. O exemplo maior é o combate entre Aquiles e Heitor, agora acompanhado pela trilha de Danny Elfman para O Planeta dos Macacos, e no final por um pequeno trecho de Tropas Estelares, de Basil Poledouris. Não sei se esta foi uma decisão do supervisor musical ou do próprio Petersen, mas em qualquer caso acho que, para substituir a percussiva e interessante música de Horner, deveria entrar algo mais da trilha rejeitada de Yared. Além dessas modificações, os mais atentos perceberão outras adições de diálogos e, principalmente, a maior exposição de Ulisses, a partir de uma cena onde os soldados de Agamenon vão a Ítaca convocá-lo para o ataque a
Tróia, e o confundem com um simples camponês. Não sei até que ponto o sucesso de 300 influenciou na criação desta Versão do Diretor de Tróia, mas o fato é que o filme de Petersen melhorou – tanto que, apesar de agora ser 30 minutos mais longo, ele parece passar mais rápido.

O BD
Este Blu-ray de Tróia já é o 4º lançamento do filme, considerando-se o DVD original com a versão do cinema, o DVD com a versão do diretor e a finada versão original em HD-DVD. Ele integraria um dos primeiros lotes de lançamentos em Blu-ray da Warner no Brasil, mas foi cancelado juntamente com outros títulos que haviam sido anunciados. Comenta-se que a distribuidora retomará os lançamentos no formato até o final do ano, e esta versão do diretor de Tróia deverá estar entre eles, provavelmente tendo as mesmas especificações técnicas deste lançamento norte-americano. Em termos de vídeo, temos uma significativa melhoria em relação ao DVD, com a transferência widescreen anamórfica em alta definição (VC-1), na proporção 2.35:1, trazendo ao espectador todos os detalhes que dão vida a esta adaptação de Homero, como o elaborado desenho de produção. Mesmo com a melhoria na qualidade da imagem, não é possível perceber qualquer diferença entre as cenas originais e as que foram adicionadas. O nível de detalhes é alto, e as cores são vivas, saturadas na medida certa. É importante ressaltar que o diretor alterou digitalmente aparência do filme em determinados momentos, realçando as cores e adicionando maiores detalhes nas paisagens. Alguns efeitos visuais também foram melhorados, mas estas alterações serão percebidas apenas pelos mais detalhistas. Os pretos são sólidos, e mesmo nas cenas mais escuras a nitidez se mantém. Imperfeições, artefatos ou granulação são inexistentes.

Quanto ao som, este Blu-ray de Tróia apresenta duas opções de áudio original em inglês – a normal Dolby Digital 5.1 e a bem mais impressionante PCM 5.1 sem compressão, que brilha principalmente nas cenas de batalha, onde os efeitos surround de flechas voando e multidões de soldados envolvendo o ouvinte são ouvidos com incrível claridade e agressividade. A trilha de James Horner soa mais alta e potente, e os graves são poderosos. Mesmo nas cenas mais calmas há muito para ser ouvido, com diálogos sempre claros e sons que criam uma perfeita ambientação. Também há opções de dublagem em espanhol e francês, ambas Dolby Digital 5.1. Há legendas nestes idiomas e também, felizmente, em português (do Brasil). Os menus flutuantes, acessados durante a reprodução do filme, estão apenas em inglês.


OS EXTRAS
Este BD de Tróia – Versão do Diretor inclui todo o material suplementar do DVD correspondente. Sem dúvida são extras extensos e interessantes, porém as más notícias são que estão todos eles em definição standard 480p (MPEG-2), e sem opção de legendas em português (ou em qualquer outro idioma). Por esta razão, no final, o BD perdeu meia estrela em comparação ao DVD duplo nacional. Também, não houve a adição de nenhum bônus em alta-definição, nem mesmo comentários em vídeo similares ao "In Movie Experience" (IME) do HD-DVD. O recurso habilitando o Blu-ray para reproduzir, durante o filme, vídeos picture-in picture veio apenas com o Profile 1.1, disponibilizado somente após o lançamento deste título. Apesar de no BD o título dos extras não estar traduzido, manterei a tradução usada no DVD duplo:

  • Tróia Revisitada: Uma Introdução de Wolfgang Petersen (2:28 min.) – No lugar de uma faixa de comentários em áudio do diretor, tempos apenas esta curta introdução com vídeo anamórfico, na qual Petersen fala sobre esta nova versão do filme e as razões que o levaram a adicionar meia hora de cenas. Ele se mostra satisfeito por poder mostrar Tróia em sua visão original, sem se preocupar com os efeitos de sua longa duração ou do sexo e da violência na censura do filme.

  • Tróia: em Foco (23:06min.) – Documentário em widescreen anamórfico especialmente feito para a Versão do Diretor, dividido em 11 capítulos que podem ser assistidos em conjunto ou isoladamente. Nele o diretor Wolfgang Petersen trata de uma variedade de tópicos relativos à produção de Tróia e de sua Versão do Diretor, utilizando imagens do filme e dos bastidores;

  • No Meio da Batalha (17:11) – Este featurette, dividido em 5 segmentos que podem ser vistos em conjunto ou isoladamente, trata dos desafios técnicos enfrentados na criação das principais cenas de batalha, com ênfase na preparação de centenas de extras e na coreografia dos combates corpo-a-corpo (no confronto de Aquiles e Heitor, Brad Pitt e Eric Bana dispensaram dublês). Inclui cenas de bastidores e depoimentos do diretor de segunda unidade e coordenador de dublês, de Petersen, de Bana e de outros envolvidos;

  • Das Ruínas à Realidade (13:59) – Featurette em seis capítulos, com opção de serem assistidos em seqüência ou isoladamente, que nos mostra como as ruínas da antiga Tróia foram descobertas nos tempos modernos. Acompanhamos também o trabalho dos desenhistas de produção na criação dos sets que vemos na tela, construídos no México e em Malta. Inclui depoimentos de Petersen, de Peter O’Toole, do roteirista David Benioff e de Diane Kruger, entre outros;

  • Tróia: Uma Odisséia de Efeitos Especiais (10:52) – Este featurette em sete segmentos curtos que podem ser vistos separadamente ou em seqüência, é dedicado aos efeitos visuais que permitiram que 1000 navios gregos e milhares de guerreiros aparecessem no filme com grande realismo. Nele também há um segmento para os efeitos sonoros. Os participantes incluem os supervisores de efeitos visuais e sonoros e o diretor;

  • Ataque sobre Tróia (15:00) – Documentário com vídeo letterbox, dividido em três partes que abrangem uma variedade de tópicos que vão desde as liberdades tomadas na adaptação da “Ilíada” até a complexidade de certas cenas com dublês. Inclui depoimentos de Petersen e de membros da equipe de produção e do elenco;

  • Reboque dos Navios Gregos (1:25min.) – Já presente no DVD original como easter egg, este extra curto traz algumas cenas engraçadas preparadas pela equipe de efeitos digitais (soldados no banheiro, esquadra grega de patos de borracha, etc.);

  • Trailer - É um trailer original de cinema (com pouco mais de um minuto, na verdade é um teaser), com áudio 2.0 e vídeo anamórfico.

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