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V DE VINGANÇA
Direção: James McTeigue
Elenco: Natalie Portman, Hugo
Weaving, Stephen Rea, Stephen Fry, John Hurt, Tim Pigott-Smith,
Rupert Graves, Roger Allam, Ben Miles, Sinéad Cusack, Natasha
Wightman, John Standing, Eddie Marsan, Clive Ashborn
Distribuidora: Warner
Duração: 132 min.
Região: A
Lançamento: 20/05/2008
Nº de discos: 1 |
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Cotações:
Filme -
BD -

Comentários de
Jorge Saldanha |
SINOPSE
Na
Londres de um futuro próximo, o terrorista "V" (Hugo Weaving), com o
rosto sempre coberto pela máscara do antigo radical inglês Guy Fawkes,
explode prédios em sua luta contra um regime fascista liderado pelo
Chanceler Adam Sutler (John Hurt). Sua rotina muda quando ele salva a
jovem Evey (Natalie Portman) de agentes do governo, porém nem mesmo o
crescente afeto que sente pela moça o desvia de seus objetivos -
eliminar os responsáveis por um violento ataque biológico ocorrido anos
antes, engendrado para consolidar o regime, e além disso explodir o
Parlamento britânico no dia 5 de novembro. Esta era a intenção original
de Fawkes séculos atrás, mas o obstinado policial Eric Finch (Stephen
Rea) tentará impedir seus planos.
COMENTÁRIOS
V de Vingança
é uma produção dos irmãos Wachowski (os criadores da trilogia
Matrix,
aqui apenas roteiristas e co-produtores) dirigida por James McTeigue,
que mesmo antes de sua estréia nos cinemas gerou polêmica por tratar de
um assunto espinhoso, o terrorismo, e por ter um caráter abertamente
anárquico e revolucionário que não poupa nem mesmo a Igreja - em uma
cena, “V” liquida um Bispo pedófilo. A crítica mais politicamente
correta procurou detonar com o filme, que teve sua estréia adiada em
virtude dos atentados ocorridos no metrô de Londres em 2005. Com receio
da repercussão negativa, o próprio Alan Moore, escritor da graphic
novel
na qual o filme se baseia, pediu para ter seu nome retirado dos
créditos. Aqui no Brasil a principal revista de informação semanal
publicou uma avaliação risível, com um tom claramente político e falha
em atender aos requisitos básicos de uma boa crítica: se, afinal de
contas, o filme era bom ou ruim, se poderia agradar ao
leitor/espectador, etc. A autora foi mais uma que se apavorou pelo fato
do filme trazer como protagonista um "terrorista mascarado", e achou que
o filme era ultrapassado por propor uma crítica ao "Sistema" - no caso,
uma ditadura capitalista. Daí ela assumiu as dores da democracia e do
capitalismo, e atacou o filme dizendo que ele não poderia ser feito em
países como China e Cuba. Como se o filme defendesse o comunismo ou
ditaduras... além disso ela passou ao leitor informações "de extrema
relevância", como a de que um dos irmãos Wachowski é travesti. Enfim, o
texto em questão era tão ridículo que, já cansado da linha editorial da
revista, cancelei sua assinatura. Infelizmente fatos deste tipo geraram
uma injusta propaganda negativa para o filme, que traz em sua essência a
defesa da liberdade e a luta contra a repressão, a intolerância e as
ditaduras - sejam elas de esquerda ou direita. A verdade é que adoro
V de Vingança, que na minha opinião, independentemente de suas
qualidades (como um desempenho soberbo de Hugo Weaving no papel
principal, baseado apenas na voz e expressão corporal) ou defeitos (uma
trama um tanto truncada e amarrada), deve ser elogiado e prestigiado por
ser um dos raros filmes-pipoca recentes que teve coragem de provocar,
apresentar idéias (concordar com elas é outro departamento), de fazer
com que o espectador pense - nem que seja um pouco. O filme até pode
retomar um discurso que teve seu auge há 30 anos, mas isso porque sua
fonte é uma obra do início dos anos 1980, quando a Inglaterra tinha um
governo ultra-conservador e ainda havia ecos de produções
cinematográficas da década anterior. Filmes que, sob o manto de
"críticas ao Sistema", acabaram virando clássicos em gêneros diversos,
tendo em comum um protagonista que burla o status quo
para fazer o que acha certo, justo. E convenhamos, este caráter
panfletário, de contestação, continua e continuará sendo atraente para
as mentes mais idealistas. Liberdade Sempre!
O BD
Após ter sido lançado nos EUA no defunto formato HD-DVD, agora chega a
vez do lançamento de V de Vingança em Blu-ray, que pelo que
consta utiliza a mesma transferência anamórfica 2.40:1 da edição anterior em alta
definição - 1080p/VC-1. Indiscutivelmente é uma apresentação superior à
do DVD, que consegue reproduzir fielmente o estilo visual peculiar do
longa. Claro que, na avaliação, deve ser levado em conta que, como é
comum hoje em dia, vários artifícios digitais foram utilizados para,
visualmente, caracterizar a trama. A maior parte das cenas que envolvem
o Chanceler e os agentes do governo possuem cores esmaecidas e o
contraste exagerado. Elas diferem dos segmentos que se passam no mundo
de “V” ou que buscam realçar a beleza facial de Portman, onde as cores
são mais intensas, muitas vezes com um tom levemente alaranjado. Além de
apresentar um ótimo nível de detalhes, sem surpresa não se percebeu
nenhum ruído ou artefato de imagem. O áudio original em inglês é
apresentado tanto em
Dolby
TrueHD 5.1 como em Dolby Digital 5.1, e alguns problemas de equalização foram
retificados, agora os diálogos e discursos – fatores essenciais na
história - soam mais claros, mesmo em meio a
efeitos sonoros. Para um filme de ação V de Vingança não é tão movimentado assim,
e portanto o uso dos canais surround não é muito agressivo. O que
mais se destaca é sua utilização para criar um envolvente campo sonoro.
A trilha sonora do italiano Dario Marianelli não é intrusiva, e apesar
de ter seus bons momentos, ela realmente se destaca no home theater
quando utiliza a “1812 Overture” de Tchaikovsky.
Há também dublagens em vários idiomas, todas em Dolby Digital 5.1, porém
entre elas não está o português. No entanto, as também variadas opções
de legendas incluem português de Portugal, que curiosamente parece cair
melhor no discurso literário de “V”. O que não gostei neste BD de V
de Vingança (não sei se os demais lançamentos da Warner no formato
seguem este padrão, já que este é o primeiro da distribuidora que
avalio) foi o seu menu. Ele é exclusivamente flutuante, ou seja,
inserido o disco inicia imediatamente a reprodução do filme, e só a
partir daí você poderá ativar o menu para acessar seus recursos. Pelo
menos a navegação simples, já que na tela surgem todas as opções –
configurações, seleção de cenas e extras. Mas nesse caso sou
conservador, e prefiro considerar o menu flutuante como uma facilidade a
mais do formato, e não um recurso que substitua os menus tradicionais.
OS EXTRAS
Para quem é fã do filme, já aderiu ao Blu-ray e ficou
decepcionado com os extras anêmicos do
DVD nacional,
esta edição em alta definição de V de Vingança traz material
suplementar que, se não impressiona pela duração, pelo menos agrega tudo
o que havia disponível no DVD duplo norte-americano e ainda
disponibiliza alguns recursos exclusivos do formato. Todos os
featurettes estão em resolução standard (480p), em formato
fullscreen ou letterbox e áudio em inglês 2.0, com legendas
em português de Portugal (exceto no trailer de cinema e no vídeo
musical).
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Freedom! Forever!: Making 'V for Vendetta
(16 min.) – Pequeno making of contendo entrevistas com o
diretor e os principais membros do elenco e da produção, abordando
os principais desafios enfrentados para levar a graphic novel
para as telas. Como Alan Moore pediu para não ser vinculado ao
projeto, apenas o desenhista original, David Lloyd, dá seu
depoimento. Os irmãos Wachowski também estão ausentes, mas isso não
é surpresa devido à sua notória resistência a aparições públicas e
entrevistas, mesmo para divulgar os filmes que dirigem;
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Remember, Remember: Guy Fawkes and the Gunpowder Plot
(10 min.) – Featurette focado no plano do sabotador Fawkes,
que reúne depoimentos de historiadores e de alguns membros
britânicos do elenco. É muito interessante, já que trata de um fato
histórico pouco conhecido fora da Inglaterra;
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England Prevails: V for Vendetta and the New Wave in Comics
(15 min.) – Temos aqui uma abordagem da evolução dos quadrinhos,
desde os anos 1950 até os 1980, quando V for Vendetta foi
lançado. De uma forma de diversão mais simples e infantil, os gibis
se tornaram mais literários e visualmente sofisticados com a chegada
das graphic novels, e a obra de Alan Moore foi essencial para
isso. Felizmente, apesar de Moore ter se desvinculado do filme, seu
trabalho é reconhecido e valorizado no featurette. Há alguns
detalhes sobre as mudanças feitas na visão original de Moore para
levar o quadrinho às telas;
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Designing the Near Future
(17 min.) – Featurette focado no belo desenho de produção do
filme. Veja como Berlim foi transformada numa Londres
retrô-futurista, a criação do esconderijo de “V” e as detalhadas (e
grandes) miniaturas de prédios;
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Cat Power Montage
(4 min.) – Vídeo musical de uma das canções ouvidas nos créditos
finais, feito com cenas do filme;
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Saturday Night Live Digital Short Parody
(4 min.) – Hilário rap cantado por Natalie Portman no célebre
programa humorístico norte-americano Saturday Night Live;
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Theatrical Trailer
– Trailer de cinema, em widescreen anamórfico;
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Director's Notebook: Reimagining a Cult Classic for the 21st Century
- V de Vingança é um dos primeiros BDs da Warner a incluir
comentários em vídeo HD, habilitados no formato pelo Profile 1.1.
Com este recurso o diretor James McTeigue apresenta uma série de
informações através de making of adicionais e entrevistas com
Natalie Portman, Hugo Weaving, o produtor Joel Silver e outros
membros da equipe de produção. As informações abrangem tanto os
aspectos técnicos do filme como a exploração dos personagens e os
temas sócio-políticos da história. Se há um reparo a fazer, é o de
que pouco se fala sobre a controvérsia da adaptação cinematográfica.
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