Corrida Contra o Destino
Produção: 1971
Duração:
98 min.
Direção:
Richard C. Sarafian
Elenco:
Barry Newman, Cleavon Little, Charlotte Rampling, Dean Jagger, Victoria Medlin, Paul Koslo, John Amos
Vídeo:
Widescreen Anamórfico 1.85:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio:
Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português, Espanhol (DTS 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Nº de discos: 1
Região:
A, B, C
Distribuidora: Fox
Lançamento:
27/12/2007

Cotações:
Filme -

Imagem:
Áudio:
Extras/Menus:
Média:

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
O motorista Kowalsky (Barry Newman) recebe como tarefa levar um Dodge Challenger branco do Colorado até São Francisco, na Califórnia, e ele aposta que poderá fazer a viagem em menos de 15 horas. Inicia a correria, e não demora muito para Kowalsky estar sendo perseguido por motos, carros e helicópteros da polícia, em poeirentas estradas estadunidenses. Durante a perseguição, o protagonista é guiado pelo DJ cego Super Soul (Cleavon Little), que possui uma escuta da polícia.

COMENTÁRIOS
CORRIDA CONTRA O DESTINO, dirigido por Richard C. Sarafian em 1971, é um clássico road movie dos anos 1970 com todas as características do gênero: trilha sonora com muito rock, um carrão envenenado, um anti-herói que ganha a simpatia popular em sua viagem e, ao final, “se ferra”. Sua inspiração básica é o primeiro grande road movie Americano, SEM DESTINO (1969), porém aqui temos um rebelde solitário no volante de um dos grandes muscle cars da época – um Dodge Challenger 1970. Assim, não é de admirar que a grande ênfase do filme - que indiscutivelmente deixou um legado no gênero – seja as perseguições motorizadas, porém com um tempero de algo muito em voga na época - a rebeldia e contestação ao “Sistema”. Assim, podem ser considerados descendentes diretos de CORRIDA CONTRA O DESTINO produções como LOUCA ESCAPADA (1974, de Steven Spielberg) e FUGA ALUCINADA (1974, com o mesmo Peter Fonda de SEM DESTINO) e até mesmo a série de TV OS GATÕES (1979, que virou filme em 2005). Em 1997 foi lançada uma esquecível refilmagem para a TV estrelada por Viggo Mortensen, com uma história completamente diferente.

Muitos elementos do filme hoje estão datados, como a mensagem “paz, amor e drogas” (esta perfeitamente representada pela motoqueira nua interpretada pela desconhecida Gilda Texter, que numa pausa no meio do deserto oferece a Kowalsky sexo e pílulas), a representação caricatural do casal de assaltantes gays a quem o protagonista dá carona, e até mesmo a determinação de Kowalsky em, a partir de certo ponto, quebrar todas as regras (dica: ele é um veterano do Vietnã...). No entanto, tais elementos colaboram para dar ao filme um sabor único, típico de sua época, e hoje ao revê-lo me senti transportado de volta ao velho e abafado cinema onde assisti CORRIDA CONTRA O DESTINO pela primeira vez, há trinta e tantos anos. À época o filme mostrou cenas de perseguição bem mais sensacionais do que as vistas em BULLIT (1968) e OPERAÇÃO FRANÇA (1971), que sublinhadas por um acompanhamento musical mesclando
country e rhythm & blues, sem dúvida ainda hoje fazem valer a pena embarcar nessa viagem. A interpretação do elenco é quase minimalista, a começar pelo próprio Barry Newman, destacando-se apenas Cleavon Little no papel de Super Soul, que via rádio dedica conselhos e músicas ao fugitivo das estradas (qualquer semelhança do personagem com a DJ sem rosto de WARRIORS – OS SELVAGENS DA NOITE, de Walter Hill, NÃO É mera coincidência).

A trilha musical de CORRIDA CONTRA O DESTINO foi produzida pelo veterano compositor e músico Jimmy Bowen, que além de incluir canções de músicos country e rhythm & blues como Bobby Doyle, Doug Dillard Expedition, Delaney & Bonny & Friends, Mountain e Kim Carnes, compôs e interpretou com seu grupo The J. B. Pickers algumas faixas instrumentais, com destaque para “Freedom of Expression”, muito conhecida aqui no Brasil por ser utilizada como tema do programa jornalístico GLOBO REPÓRTER, da Rede Globo. No filme esta música vibrante, quase um jazz rock, é ouvida durante uma veloz perseguição ao Challenger de Kowalsky.


O BD
CORRIDA CONTRA O DESTINO foi lançado em Blu-ray aqui no Brasil quase que simultaneamente com EUA e Europa, onde também está disponível numa versão mais longa, com 106 minutos, que inclui uma cena da atriz Charlotte Rampling como uma misteriosa caroneira. Ao contrário dos recentes BDs de filmes da Fox dos anos 1970, neste notamos claramente o uso de DNR para minimizar a granulação da película, o que aliado a perceptíveis artefatos de EE (edge enhancement) nos faz concluir que, para este lançamento em alta definição, a Fox utilizou uma velha master para DVD, não remasterizada. Contudo, o resultado não é catastrófico como pode parecer. A transferência anamórfica 1080p/AVC MPEG-4, no formato original 1.85:1 (e não 2.35:1, como consta erroneamente na embalagem), é atraente e reflete bem a aparência árida e amarelada do deserto norte-americano. Os elementos da película estão bem preservados, exibindo poucos danos e sujeiras, e o contrate é muito bom, com pretos sólidos e nível de detalhes adequado – que poderia ser melhor, não fosse o uso dos filtros digitais.

Achei o trabalho feito no áudio mais consistente. Originalmente mono, o som de CORRIDA CONTRA O DESTINO recebeu uma nova mixagem DTS-HD Master Audio 5.1 que, se por um lado não consegue esconder a idade do material original, destaca as músicas e os roncos dos motores. Um efeito colateral da nova mixagem é destacar a dublagem óbvia das vozes dos atores em determinadas cenas – aparentemente as filmagens em locação foram feitas sem som. O subwoofer e os canais surround são pouco usados, mas quando isso acontece os efeitos são efetivos. Enfim, é uma faixa de áudio que não impressiona mas também não deixa de ser satisfatória. Mais uma vez a Fox eliminou o áudio original mono, oferecendo no lugar dublagens em português e espanhol remixadas em DTS 5.1. Menus (animados) e legendas estão disponíveis em português, inglês e espanhol.


OS EXTRAS
O BD de CORRIDA CONTRA O DESTINO pode ser considerado de modo geral um lançamento mediano da Fox, e isso certamente se aplica aos extras. O material bônus não é extenso (até porque, em comparação ao BD americano, perdemos um par de featurettes e alguns recursos interativos), mas proporcionará informações gerais e curiosidades sobre a produção, além de abordar o significado do filme em sua época. Os vídeos, exceto trailers, possuem legendas em português, e estão em resolução 1080p (HD) ou 480p (SD).

  • Comentários em Áudio – O diretor Richard C. Sarafian, em tom morno, relembra as locações e os desafios de filmar com a menor equipe possível. Das pessoas com as quais trabalhou, Sarafian dá um destaque especial ao diretor de fotografia John A. Alonzo. Não é uma faixa de comentários muito animada, e não ajuda nada o fato da Fox não tê-la legendado em português;

  • Construído para a Velocidade: Uma Retrospectiva de Vanishing Point (HD, 18 min.) – Pequeno making of que trata dos carros, cenas de ação, temas, e filosofias. Gilda Texter, que hoje em dia em nada lembra a jovem da motocicleta, relembra as dificuldades de filmar nua no calor do deserto;

  • OA-5599 (HD, 11 min.) – Um tributo ao muscle car Dodge Challenger 1970, trazendo depoimentos de proprietários e colecionadores. O título do featurette faz referência à placa do automóvel que é o grande astro do filme.

  • Completam os extras o trailer de cinema (HD, 2:15 min.) e dois comerciais (spots) de TV (HD / SD, 2 min.).

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