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Este filme de Antonio Banderas de 1999 foi
concluído antes de A Máscara do Zorro. Entretanto,
desentendimentos entre o diretor John Mctiernan e o
escritor/produtor Michael Crichton atrasaram o seu lançamento em
praticamente dois anos. Nesse período, Crichton assumiu totalmente o
controle, dirigiu cenas adicionais e remontou por completo o filme
(dizem, inclusive, que McTiernan queria que seu nome fosse retirado
dos créditos, tamanhas as alterações feitas por Crichton). A
polêmica, contudo, passou longe da partitura composta pelo falecido
compositor Jerry Goldsmith, que foi convocado para suprir, com música admirável, as
deficiências da produção.
O score de The 13th Warrior (não devidamente
reconhecido pela crítica) evoca trabalhos étnicos anteriores do
compositor, como O Vento e o Leão e a Múmia, com um
senso épico e de aventura adequado à história de um jovem embaixador
árabe (Banderas) exilado que alia-se a guerreiros vikings, para
combater terríveis inimigos chamados de "Os Devoradores de Mortos".
Jerry Goldsmith baseia sua partitura em três motivos, sendo que o
primeiro que ouvimos é um lírico tema árabe, no estilo consagrado
por Hollywood em filmes do gênero, com cordas, sopros e percussão
(ou seja, o que Hollywood entende como é a música árabe: não muito
fiel à original, mas eficaz).
Vem em seguida o motivo dedicado aos vikings, baseado em trompa/trumpete, com acompanhamento do coro
masculino. Como ninguém sabe como era a música viking, o compositor
dá aqui a sua interpretação de como ela seria, na maior parte
refletindo o caráter guerreiro e explorador daquele povo nórdico. O
último motivo é dedicado aos wendols, os devoradores de mortos. Este
é primitivo, baseado em duas notas interpretadas por trombone ou
trompa (similar ao do urso assassino de The Edge),
e que nas cenas de confronto é acompanhado por tímpanos, fazendo
freqüentes cruzamentos com o tema viking. No desenrolar do score,
o tema árabe é sucedido pelo viking, que por sua vez dá lugar ao dos
sinistros inimigos.
A música, assim, transporta progressivamente o
espectador e ouvinte de uma cultura mais sofisticada até outras nas
quais reina a barbárie. Goldsmith combina perfeitamente todas as
seções da orquestra (este é um trabalho exclusivamente acústico, sem
a utilização de sintetizadores) com o coral masculino, de todos
extraindo interpretações vigorosas. Ao final dos 55 minutos de
música do CD da Varèse, retornamos ao tema árabe, em uma conclusão
mais do que satisfatória de uma jornada repleta de ameaça, lirismo e
triunfo. Apenas é de se lamentar a ausência, em um score
deste gênero, de um tema romântico, mas a culpa disso não é de
Goldsmith: o filme, fora uma breve menção inicial às razões que
levaram Ibn (Banderas) ao exílio, e o seu posterior curto
interlúdio com uma jovem viking, não contém uma história de amor. |
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