THE 13TH WARRIOR
Música composta e conduzida por Jerry Goldsmith

Selo: Varèse Sarabande
Catálogo: VSD
6038
Ano: 1999
Faixas:

1. Old Bagdag
2. Exiled
3. Semantics
4. The Great Hall
5. Eaters Of The Dead
6. Viking Heads
7. The Sword Maker
8. The Horns Of Hell
9. The Fire Dragon
10. Honey
11. The Cave Of Death
12. Swing Across
13. Mother Wendol's Cave
14. Underwater Escape
15. Vahalla / Viking Victory
16. A Useful Servant


Duração: 54:11
Cotação:

Comentário de
Jorge Saldanha

 
Este filme de Antonio Banderas de 1999 foi concluído antes de A Máscara do Zorro. Entretanto, desentendimentos entre o diretor John Mctiernan e o escritor/produtor Michael Crichton atrasaram o seu lançamento em praticamente dois anos. Nesse período, Crichton assumiu totalmente o controle, dirigiu cenas adicionais e remontou por completo o filme (dizem, inclusive, que McTiernan queria que seu nome fosse retirado dos créditos, tamanhas as alterações feitas por Crichton). A polêmica, contudo, passou longe da partitura composta pelo falecido compositor Jerry Goldsmith, que foi convocado para suprir, com música admirável, as deficiências da produção.

O score de The 13th Warrior (não devidamente reconhecido pela crítica) evoca trabalhos étnicos anteriores do compositor, como O Vento e o Leão e a Múmia, com um senso épico e de aventura adequado à história de um jovem embaixador árabe (Banderas) exilado que alia-se a guerreiros vikings, para combater terríveis inimigos chamados de "Os Devoradores de Mortos". Jerry Goldsmith baseia sua partitura em três motivos, sendo que o primeiro que ouvimos é um lírico tema árabe, no estilo consagrado por Hollywood em filmes do gênero, com cordas, sopros e percussão (ou seja, o que Hollywood entende como é a música árabe: não muito fiel à original, mas eficaz).

Vem em seguida o motivo dedicado aos vikings, baseado em trompa/trumpete, com acompanhamento do coro masculino. Como ninguém sabe como era a música viking, o compositor dá aqui a sua interpretação de como ela seria, na maior parte refletindo o caráter guerreiro e explorador daquele povo nórdico. O último motivo é dedicado aos wendols, os devoradores de mortos. Este é primitivo, baseado em duas notas interpretadas por trombone ou trompa (similar ao do urso assassino de The Edge), e que nas cenas de confronto é acompanhado por tímpanos, fazendo freqüentes cruzamentos com o tema viking. No desenrolar do score, o tema árabe é sucedido pelo viking, que por sua vez dá lugar ao dos sinistros inimigos.

A música, assim, transporta progressivamente o espectador e ouvinte de uma cultura mais sofisticada até outras nas quais reina a barbárie. Goldsmith combina perfeitamente todas as seções da orquestra (este é um trabalho exclusivamente acústico, sem a utilização de sintetizadores) com o coral masculino, de todos extraindo interpretações vigorosas. Ao final dos 55 minutos de música do CD da Varèse, retornamos ao tema árabe, em uma conclusão mais do que satisfatória de uma jornada repleta de ameaça, lirismo e triunfo.  Apenas é de se lamentar a ausência, em um score deste gênero, de um tema romântico, mas a culpa disso não é de Goldsmith: o filme, fora uma breve menção inicial às razões que levaram Ibn (Banderas) ao exílio, e o seu posterior curto interlúdio  com uma jovem viking, não contém uma história de amor.

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