2010
Música composta por David Shire

Selo: A&M
Catálogo:
CD 5034
Ano: 1984

Faixas:
1. 2010 – performed by Andy Summers - 5:15
2. Earth/Space - 3:15
3. Probe - 4:15
4. Bowman - 1:44
5. Reactivating Discovery - 2:24
6. Space Linkup/Earth Fallout - 3:55
7. Visitation/Countdown - 5:47
8. Nova/New Worlds/Also Sprach Zarathustra (excerpt) - 6:23
9. New Worlds/Theme from “2010” (end title) - 2:30
Duração: 35:28
Cotação:

Comentário de
Emerson F. C. Paubel

 

Peter Hyams, o diretor de Capricorn One – um dos filmes pioneiros na “teoria da conspiração” governamental contra o cidadão comum – assume 2010, a seqüência do clássico 2001: A Space Odyssey. Quem assistiu a ambos os filmes, percebeu duas visões completamente diferentes para o conto de Arthur C. Clarke. O 2001 de Stanley Kubrick oferece-nos uma visão introspectiva da alma humana e é caracterizado por deixar os visuais e a música contar a história, ao invés do diálogo. Hyams toma um rumo diferente, dando à audiência uma visão franca e direta dos acontecimentos na tela, através de um roteiro rico em personagens e diálogos. 2010 acontece nove anos após a desastrada missão da espaçonave Discovery, próximo a Júpiter em 2001, a qual resultou na morte da tripulação nas “mãos” do supercomputador Hal 9000, e o desaparecimento de um dos comandantes da missão, o astronauta David Bowman. Os EUA e a URSS enviam, então, uma equipe conjunta para Júpiter em uma espaçonave chamada Leonov (em homenagem ao primeiro ser humano a “caminhar” no espaço, o cosmonauta russo Alexey Leonov, amigo de Clarke) no sentido de descobrir o que aconteceu com a Discovery e aprender os segredos do misterioso monólito negro que gira em torno do planeta. Liderando a tripulação estão Heywood Floyd (Roy Scheider), o homem responsabilizado pela falha da Discovery, e Tanya Kirbuck (Helen Mirren), comandante da espaçonave russa. Com a ajuda dos projetistas da Discovery e do Hal (John Lithgow e Bob Balaban, respectivamente), eles iniciam a busca por respostas. Enquanto isso, os EUA e a URSS estão num impasse político que pode levar ambas as nações à Terceira Guerra Mundial e Bowman – transformado na “Criança-Estrela” no filme anterior – constantemente aparece em certos lugares para contar às pessoas que algo maravilhoso irá ocorrer.

Mas não foi somente no roteiro que Hyams resolveu inovar em relação a Kubrick. Ao contrário deste, Hyams resolveu contratar um músico para fornecer o score de 2010. A escolha recaiu sobre David Shire, um compositor então relativamente desconhecido que compôs a música de alguns filmes como All the President’s Men e Saturday Night Fever (é também casado com a irmã de Francis Ford Coppola). Em virtude disso, podemos dizer que a trilha sonora de 2010 é uma obra mais coesa e interessante de ouvir, já que não temos uma diversidade de estilos tão disparatada como em 2001. O álbum começa com a abominável interpretação de “Also Sprach Zarathustra” feita por Andy Summers, ex-guitarrista do grupo The Police. A faixa é apenas uma versão “discoteca” do tema criado por Richard Strauss (o qual deve ainda estar revirando na tumba por causa disso...), com acompanhamento de guitarra e sintetizadores, com o objetivo – suponho – de fazer o ouvinte dançar! É o ponto fraco da trilha. A partir da segunda faixa, as coisas se tornam mais interessantes, mesmo sendo todo o score praticamente produzido com sintetizadores. “Earth/Space” é uma bela e misteriosa música que funciona como tema principal do filme. Ela se inicia com a preparação de Floyd para sua viagem ao espaço e termina com a Leonov chegando ao seu destino, o planeta Júpiter.

As outras faixas também apresentam momentos interessantes e seria interessante ouví-las tocadas por uma orquestra de estúdio. A faixa “Visitation/Countdown” inicia com uma música tensa referente à última visita de Bowman aos tripulantes da Leonov, seguida por um momento de tranqüilidade quando todos se preparam para deixar o planeta e, finalmente, a alucinante música dedicada à cena que se segue à explosão de Júpiter e sua conversão em uma estrela. “Nova/New Worlds/Also Sprach Zarathustra” é a faixa de epílogo do filme, na qual pode-se ouvir o tema principal novamente. Para a surpresa geral, ela é realizada inteiramente por uma orquestra de estúdio e é ricamente orquestrada por ninguém menos que Herbert Spencer. Esta faixa apresenta, ainda, uma interpretação decente de “Also...”. A faixa de encerramento, “New Worlds/Theme from 2010”, inicia com sintetizadores e encerra com orquestra num estilo “grand finale”. Com relação à disponibilidade deste CD, deve-se dizer que ele foi lançado na mesma época em que o LP, ou seja, 1984. Há muitos anos fora de catálogo, pelo fato, talvez, de o filme não ter sido um grande sucesso, ainda é possível consegui-lo a um preço razoável em sites de leilão, como o Ebay.

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