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Peter Hyams, o
diretor de Capricorn One – um dos filmes pioneiros na
“teoria da conspiração” governamental contra o cidadão comum –
assume 2010, a seqüência do clássico
2001: A Space Odyssey. Quem assistiu a ambos
os filmes, percebeu duas visões completamente diferentes para o
conto de Arthur C. Clarke. O 2001 de Stanley Kubrick
oferece-nos uma visão introspectiva da alma humana e é caracterizado
por deixar os visuais e a música contar a história, ao invés do
diálogo. Hyams toma um rumo diferente, dando à audiência uma visão
franca e direta dos acontecimentos na tela, através de um roteiro
rico em personagens e diálogos. 2010 acontece nove anos
após a desastrada missão da espaçonave Discovery, próximo a Júpiter
em 2001, a qual resultou na morte da tripulação nas “mãos” do
supercomputador Hal 9000, e o desaparecimento de um dos comandantes
da missão, o astronauta David Bowman. Os EUA e a URSS enviam, então,
uma equipe conjunta para Júpiter em uma espaçonave chamada Leonov
(em homenagem ao primeiro ser humano a “caminhar” no espaço, o
cosmonauta russo Alexey Leonov, amigo de Clarke) no sentido de
descobrir o que aconteceu com a Discovery e aprender os segredos do
misterioso monólito negro que gira em torno do planeta. Liderando a
tripulação estão Heywood Floyd (Roy Scheider), o homem
responsabilizado pela falha da Discovery, e Tanya Kirbuck (Helen
Mirren), comandante da espaçonave russa. Com a ajuda dos projetistas
da Discovery e do Hal (John Lithgow e Bob Balaban, respectivamente),
eles iniciam a busca por respostas. Enquanto isso, os EUA e a URSS
estão num impasse político que pode levar ambas as nações à Terceira
Guerra Mundial e Bowman – transformado na “Criança-Estrela” no filme
anterior – constantemente aparece em certos lugares para contar às
pessoas que algo maravilhoso irá ocorrer.
Mas não foi somente no roteiro que Hyams resolveu inovar em relação
a Kubrick. Ao contrário deste, Hyams resolveu contratar um músico
para fornecer o score de 2010. A escolha
recaiu sobre David Shire, um compositor então relativamente
desconhecido que compôs a música de alguns filmes como All
the President’s Men e Saturday Night Fever (é
também casado com a irmã de Francis Ford Coppola). Em virtude disso,
podemos dizer que a trilha sonora de 2010 é uma obra
mais coesa e interessante de ouvir, já que não temos uma diversidade
de estilos tão disparatada como em 2001. O álbum começa
com a abominável interpretação de “Also Sprach Zarathustra” feita
por Andy Summers, ex-guitarrista do grupo The Police. A
faixa é apenas uma versão “discoteca” do tema criado por Richard
Strauss (o qual deve ainda estar revirando na tumba por causa
disso...), com acompanhamento de guitarra e sintetizadores, com o
objetivo – suponho – de fazer o ouvinte dançar! É o ponto fraco da
trilha. A partir da segunda faixa, as coisas se tornam mais
interessantes, mesmo sendo todo o score praticamente
produzido com sintetizadores. “Earth/Space” é uma bela e misteriosa
música que funciona como tema principal do filme. Ela se inicia com
a preparação de Floyd para sua viagem ao espaço e termina com a
Leonov chegando ao seu destino, o planeta Júpiter.
As outras faixas também apresentam momentos interessantes e seria
interessante ouví-las tocadas por uma orquestra de estúdio. A faixa
“Visitation/Countdown” inicia com uma música tensa referente à
última visita de Bowman aos tripulantes da Leonov, seguida por um
momento de tranqüilidade quando todos se preparam para deixar o
planeta e, finalmente, a alucinante música dedicada à cena que se
segue à explosão de Júpiter e sua conversão em uma estrela. “Nova/New
Worlds/Also Sprach Zarathustra” é a faixa de epílogo do filme, na
qual pode-se ouvir o tema principal novamente. Para a surpresa
geral, ela é realizada inteiramente por uma orquestra de estúdio e é
ricamente orquestrada por ninguém menos que Herbert Spencer. Esta
faixa apresenta, ainda, uma interpretação decente de “Also...”. A
faixa de encerramento, “New Worlds/Theme from 2010”, inicia com
sintetizadores e encerra com orquestra num estilo “grand finale”.
Com relação à disponibilidade deste CD, deve-se dizer que ele foi
lançado na mesma época em que o LP, ou seja, 1984. Há muitos anos
fora de catálogo, pelo fato, talvez, de o filme não ter sido um
grande sucesso, ainda é possível consegui-lo a um preço razoável em
sites de leilão, como o Ebay. |