300
Música composta por Tyler Bates

Selo: Warner Sunset/Maverick
Catálogo: 1014792
Lançamento: 2007
Faixas

1. To Victory
2. The Agoge
3. The Wolf
4. Returns a King
5. Submission
6. The Ephors
7. Cursed By Beauty
8. What Must a King Do?
9. Goodbye My Love
10. No Sleep Tonight
11. Tree of the Dead
12. The Hot Gates
13. Fight in the Shade
14. Come and Get Them
15. No Mercy
16. Immortals Battle
17. Fever Dream
18. Xerxes' Tent
19. Tonight We Dine in Hell
20. The Council Chamber
21. Xerxes' Final Offer
22. A God King Bleeds
23. Glory
24. Message For the Queen
25. Remember Us

Duração: 59:58
Cotação:


Comentário de
Rogério Costa

 

“Prepare-se para a Glória!” diz o cartaz do filme 300, adaptação, bastante fiel, diga-se de passagem, de “300 de Esparta”, graphic novel de Frank Miller, que narra a saga de Leônidas e seus 300 soldados para defender sua Esparta do ataque do exército de milhões (?!) do Rei-Deus Xerxes. Ainda que um tanto quanto exagerado (o exército persa parece uma mistura de sobras do último filme da trilogia O Senhor dos Anéis com desfile do Joãozinho Trinta, só para citar um exemplo), realmente trata-se de um filme épico, tecnicamente magnífico, impactante, violento e ao mesmo tempo um libelo contra a opressão e o absolutismo. Se, por um lado, o filme é daqueles que devem ser assistidos, por outro, o que encontramos na trilha sonora de Tyler Bates está longe de algo glorioso.

Tyler Bates não é o que podemos chamar de um compositor clássico, pois começou sua carreira como músico profissional nas guitarras da obscura banda Pet, onde ficou até 1997, quando então passou a dedicar-se às trilhas para cinema. Até aí tudo bem, pois Danny Elfman foi vocalista do Oingo Boingo e hoje é um dos ícones da nova geração, mas Bates não teve padrinhos como Tim Burton e Emilio Estevez e começou sua carreira em filmes de baixíssimo orçamento como Tammy and the T-Rex, Deep Down e Suicide, the Comedy e seu trabalho para um grande estúdio foi para o terrível Get Carter, com Sylvester Stallone, em 2000. As coisas não pareciam ir muito bem até conhecer o diretor Zack Snyder, que o chamou para musicar o seu filme Madrugada dos Mortos, um cult do gênero. Não por coincidência, Zack convocou novamente Bates para trabalharem juntos em 300.

O CD possui 25 faixas, nenhuma delas com mais de quatro minutos, de cara dando quase a certeza de tratar-se de uma trilha incidental que funciona somente com as imagens grandiosas do filme à frente, e isso acaba realmente acontecendo. Se você viu o filme, os títulos “Tree of the Dead”, “Fight in the Shade”, “Immortal Battle”, “Tonight We Dine in Hell” e “Xerxe’s Final Offer” vão levá-lo diretamente às cenas em questão, porém essas faixas de forma independente não possuem o mesmo impacto.

Com seu passado de guitarrista e muitos filmes de terror na bagagem, Bates acaba não sendo muito ortodoxo em sua abordagem, o que ao mesmo tempo lhe traz benefícios e problemas. Ao passo que utiliza de forma satisfatória sintetizadores para criar os climas apropriados em “The Wolf”, em “No Sleep Tonight” ele antecipa o clímax, seguido de um desnecessário ataque de violinos. Bernard Herrmann deve ter pulado do caixão. Sua vertente roqueira é latente em todo o álbum, mas sobressai principalmente em duas faixas, “The Hot Gates” e “Fever Dream”, onde encontramos até uma referência à música “Kashmir”, clássico do Led Zeppelin. A acelerada bateria eletrônica e as guitarras de timbre grave nos remetem à banda White Zombie. A propósito, o diretor Rob Zombie, líder dessa banda (e para quem Bates já trabalhara em Os Rejeitados do Diabo), chamou Bates para compor a trilha da sua refilmagem de Halloween. Coincidência?

A trilha também possui momentos, digamos, mais clássicos, onde é possível identificarmos a influência de Gladiador, porém sem a mesma sutileza de Hans Zimmer, além de música árabe e dos coros de “Carmina Burana”, de Carl Orff. Destaques para o vigoroso tema de encerramento “To Victory”, com vocais á la Ofra Haza e uma bateria extremamente agressiva fazendo contraponto com cítaras; a belíssima “Goodbye my Love” e seus melodiosos vocais árabes; ”Come and Get Them”, que remete aos antigos épicos romano-egípcios das décadas de 1950 e 1960; e “Message for the Queen”, com uma melancólica combinação de flauta doce, oboé e violinos. Em alguns momentos, porém, Bates volta a errar a mão, como em “Returns a King”, um amontoado de referências tratadas de forma confusa e histriônica, ou em “Xerxe’s Tent”, uma combinação bastante infeliz das melodias árabes das “1001 Noites” com percussão tribal e tons graves usados em filme de horror classe B. Ele está desculpado nesse caso, a cena do filme também é bastante constrangedora...

Tyler Bates terá um 2007 bastante atribulado, com o já citado Halloween, além da (também) refilmagem do (também) clássico Dia dos Mortos, o novo filme da série Resident Evil e o aguardadíssimo Watchmen. Parece que ele quer realmente tornar-se um especialista em filmes de terror e quadrinhos... A conferir, mas por hora, a trilha de 300 é recomendada aos fãs do filme e aos não puristas.

CDs COMENTADOS