I, ROBOT
Música composta e regida por
Marco Beltrami

Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo:
302 0666 591
Ano: 2004

Faixas:
1. Main Titles 
2. Gangs of Chicago 
3. I, Robot Theme (End Credits) 
4. New Arrivals 
5. Tunnel Chase 
6. Sonny's Interrogation 
7. Spooner Spills 
8. Chicago 
9. Purse Snatcher 
10. Need Some Nanites 
11. 1001 Robots 
12. Dead Robot Walking 
13. Man on the Inside 
14. Spiderbots 
15. Round Up

Duração: 44:11
Cotação:


Comentário de
Iordan Stoitchkov

 

Os talentos jovens de hoje são, sem dúvida alguma, os mestres de amanhã. E quando dizemos talentos, podemos ficar pensando que, na realidade, são poucos os jovens verdadeiramente talentosos, dignos de ser mencionados em Hollywood. Em um mundo de trilhas sonoras cada vez mais computadorizado e cada vez mais frio e comercial, escutar a música de Marco Beltrami pode ser um alívio para aqueles que chegam a pensar que tudo está perdido. E a ironia, que para um filme que trata de criaturas sintéticas, Marco tenha composto um score acima de tudo vivo e original, para uma grande orquestra de 105 músicos com coral misto.

O filme I, Robot é baseado nos contos de mesmo nome, escritos pelo mestre Isaac Asimov que mudaram para sempre a literatura de ficção científica contemporânea, com suas três leis de comportamento da robótica. Mas o que aconteceria se esses robôs deixassem de cumprir sua programação, para adquirir consciência própria e inclusive chegarem a pensar em dominar a humanidade? De tudo isso e mais é que trata o filme I, Robot, para o qual Marco Beltrami providenciou um "Main Title" bastante sinistro, levado pelos metais e com acompanhamento de percussão. Logo após esta introdução, o compositor chega com tudo em "Gangs of Chicago", um tema de ação muito rítmico, que se destaca por sua excelente interpretação por parte da orquestra. "Tunel Chase" é outra dessas faixas que tem sucesso em injetar adrenalina e suspense ao mesmo tempo. Aqui aparece, desenvolvido pela primeira vez, o motivo de ação central, que em seguida empregará nas cenas de perseguição e de ação principais. De proporções abismais, o ritmo e os metais se intercalam, como em uma sucessão temática, para um pouco adiante converter-se neste gigantesco tema de ação.

"Chicago 2035" possui características muito mais heróicas e acompanha as visões da cidade futurista. Neste tema os metais se destacam sobre a orquestra e as cordas interpretam um arpejo muito detalhado, para logo ceder espaço novamente ao motivo de ação. "1001 Robots" inicia como se extraído do portfolio de Bernard Herrmann, com algumas notas em escala menor muito obscuras, que se combinam nos diferentes instrumentos de maneira politonal. Esta melodia acaba por se converter em uma fugaz perseguição, que desenvolve uma nova variante do motivo de ação. "Dead Robot Walking" é uma composição muito mais introspectiva. O coral aparece lentamente, acompanhando a orquestra sinfônica em um momento muito dramático, conduzido pelas cordas. Mas este momento de relativa tranqüilidade termina rapidamente, já que as três últimas faixas do CD são pura ação. "Man on the Inside" retoma as idéias heróicas anteriores. "Spiderbots", por sua vez, nos dá um novo e genial arranjo do tema de ação, alternando bases e texturas rítmicas diversas e muito efetivas.

Finalmente, "Round Up" representa a culminação deste fabuloso score, onde o coral e toda a orquestra se lançam em um tutti final verdadeiramente memorável. As faixas do álbum não estão apresentadas em ordem cronológica, mas sim de forma a proporcionar uma melhor apreciação da partitura. A mesma se destaca não apenas por sua originalidade, mas também pela detalhada orquestração que Marco Beltrami esmerou-se em fazer. I, Robot pode se considerado como imprescindível para qualquer fervoroso apreciador da ficção científica, mas também pode ser um verdadeiro deleite para os amantes da boa música sinfônica de grande escala.

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