ALEXANDER
Música composta por Vangelis

Selo: Sony Classical

Catálogo:
SK 92942
Ano: 2004

Faixas:
1. Introduction
2. Young Alexander
3. Titans 
4. The Drums Of Gaugamela
5. One Morning At Pella 
6. Roxane's Dance 
7. Eastern Path 
8. Gardens Of Delight
9. Roxane's Veil 
10. Bagoa's Dance 
11. The Charge 
12. Preparation 
13. Across The Mountains
14. Chant 
15. Immortality 
16. Dream Of Babylon 
17. Eternal Alexander
18. Tender Memories

Duração: 56:22
Cotação:


Comentário de
Iordan Stoitchkov

 

Poderíamos dizer que, quando se trata de Vangelis musicando filmes, o momento é realmente excepcional. Porque, diferentemente de outros compositores, que fazem esse trabalho regularmente para seu sustento, Vangelis é um autor que já desenvolveu sua monumental e influente obra de maneira autônoma, ao longo de 30 anos. Desde sua premiação com o Oscar por Chariots of Fire, passando pelo antológico Blade Runner e até o excepcional 1492: Conquest of Paradise, o compositor sempre foi fiel ao seu estilo pessoal. Chegou então a hora de o reconhecido diretor Oliver Stone juntar forças com o músico grego, na última mega-produção de 2004, Alexander. E certamente nenhum outro compositor poderia ter enriquecido com mais originalidade a uma produção desta magnitude (e polêmica), como fez Vangelis.

Como em qualquer um de seus CDs, a primeira característica desta obra que notamos, é que a mesma está organizada especificamente para o álbum. Mais do que reunir segmentos curtos e apresentá-los na ordem cronológica do filme, a música está organizada na forma de um grande conjunto, que flui de maneira homogênea ao longo do disco. Alexander inicia com uma sublime "Introduction", que desemboca diretamente em "Young Alexander" e logo se transforma ritmicamente em "Titans". Desde o primeiro minuto torna-se mais que interessante o conjunto instrumental que Vangelis utilizou, que vai desde uma mescla de notas em sintetizadores, até uma orquestra completa, passando por todas as combinações possíveis de cada extremo. Com "The Drums of Gaugamela" os talentos do compositor, de desenvolver longas melodias com bases rítmicas, se fazem evidentes. Aqui se destacam a percussão e os metais, que Vangelis combinou com sucesso aos seus tradicionais teclados. Na faixa "One Morning at Pella" é onde Vangelis consegue destacar sua composição orquestral pura. No início do tema simplesmente ouvimos um oboé e uma harpa, aos quais logo se soma a grande orquestra sinfônica.

É talvez a partir daqui que o autor passa a apresentar uma trilha sonora mais tradicional. Por sua vez, "Roxane's Dance" e "Eastern Path" introduzem o ouvinte em um mundo de texturas mais complexas, onde os instrumentos exóticos – como a cítara, o duduk e a percussão – nos transportam às estranhas terras de mil anos atrás. Em "Gardens of Delight" Vangelis utiliza uma voz solo que se combina de modo subliminar com as cordas e à harpa. Aqui também deveríamos destacar a excelente contribuição à obra do experiente orquestrador Nick Raine. "Bagoas' Dance" é um bom exemplo dessa contribuição, com sonoridades únicas. Gongos, sinos e sons pseudo-animais juntam-se à percussão, para formar uma peça quase atonal. A mesma se transforma diretamente na faixa denominada "The Charge". Tanto esta última, como a faixa que lhe segue – "Preparation" – possuem um tom operístico especial, onde sua dramaticidade se baseia. A esta altura, Vangelis decide colocar o brilho da composição a cargo da interpretação de um grande coral misto. "Across the Mountains" e "Chant" poderiam ser definidas como composições dentro das estruturas do "hino", estrutura a que Vangelis tampouco é estranho. O coral é importante nestas peças, do mesmo modo que na famosa 1492: Conquest of Paradise. É aqui, sem dúvida, onde as reminiscências a esta outra obra são mais evidentes.

Aproximando-se do final deste grandioso score, temos "Immortality" e "Dream of Babylon", que por sua proeminência de sons mais sintéticos, marcam uma volta ao estilo personalíssimo de seu compositor. Para o final, Vangelis nos reservou uma pequena surpresa. O ouvinte clássico suporia que, para tal tipo de trilha sonora épica, haveria um final igualmente épico. Não obstante, em Alexander parece que as duas últimas faixas foram  invertidas. A penúltima faixa – "Eternal Alexander" – é a que possui um dos momentos para coro e orquestra mais grandiosos, mas a última faixa, "Tender Memories", é o verdadeiro final do disco, onde Vangelis dá ao seu intenso trabalho musical uma suave e harmoniosa conclusão. No lugar de fanfarras ou marchas com pomposos finais, temos um terno e emotivo desenlace, cuja melodia simples se perde na eternidade. Alexander é, certamente, um dos scores mais impressionantes de 2004, uma verdadeira obra de arte que agradará tanto aos admiradores de trilhas sonoras épicas, como aos seguidores da longa carreira de Vangelis.

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