Along Came A Spider
Música composta e regida por Jerry Goldsmith. Orquestrações: Mark McKenzie (Varese Sarabande 302 066 238 2)/9 faixas/ Duração: 34:55/Cotação: ***½

No passado, Jerry Goldsmith costumava desperdiçar boa música em filmes ruins. Agora as coisas mudaram - Jerry compõe, para os maus filmes, partituras apenas funcionais. É o caso de Na Teia da Aranha, o novo thriller de Lee Tamahori (que já trabalhara com Goldsmith no superior The Edge – No Limite). Esta é uma continuação de Beijos que Matam (Kiss The Girls), na qual Morgan Freeman retorna como Alex Cross. Freeman parece ser o único que leva a sério o filme (provavelmente por ter recebido um gordo cheque). Monica Potter faz a sua melhor imitação de Julia Roberts, mas não convence. O roteiro parece ter sido feito para (ou por) deficientes mentais, a fotografia normalmente criativa de Matthew F. Leonetti é apenas estática. Por fim, parece que ninguém dirigiu Along Came A Spider. Talvez aí resida o desinteresse de Goldsmith pelo material – seu score parece ter sido feito em “piloto automático". Bom, nenhum elogio até agora! Mas o estranho é que, apesar de toda a falta de inspiração, o conhecido estilo suspense/ação de Goldsmith ainda é muito mais interessante de se ouvir do que muitos compositores. Então, não é surpresa que Along Came A Spider, o álbum, seja melhor que o filme. Goldsmith retirou material de ação de U.S. Marshalls, e Star Trek: Insurrection é basicamente repetido aqui, com metais musculosos e percussão (faixa 7, "The Ransom" – a melhor do CD). Também há muita música atmosférica, contendo o típico uso que Goldsmith faz de sintetizadores (muitos adoram, muitos detestam), como na faixa 1, "Night Talk". A faixa 2, "Testing", dá seguimento a "Night Talk", é essencialmente o tema principal. Aliás, aqui não temos qualquer tema notável – o que realmente não prejudica ou ajuda ao score. Raramente thrillers necessitam de grandes temas, e também raramente rendem bons álbuns. A faixa 3, "Megan's Abduction", funciona bem com alguns elementos a ela adicionados (cordas rápidas, padrões de metais ascendentes e o forte piano típico de Goldsmith). Estranhamente, muito me lembra The Mummy (especificamente, as faixas finais do score). "Megan Overboard" é outra faixa funcional, que com sucesso consegue criar alguma tensão, apesar das tolices que vemos na tela. Destaco a gravação perfeita de Bruce Botnick, o fato de que este é o primeiro trabalho de Goldsmith orquestrado pelo excelente compositor Mark McKenzie (Durango), e o encarte da Varèse Sarabande, que lista cada membro da AFM, a orquestra de estúdio que interpretou a trilha – mas sem qualquer nota do próprio compositor. Enfim, não há nada de muito terrível com a música de Along Came A Spider, mas também nada há de excepcional. Tenho a impressão que Jerry, a cada cena, somente utilizou recursos de seus arquivos. Quem gostou de U.S. Marshalls e de Star Trek: Insurrection apreciará as semelhanças, mas para o fã mais radical de Goldsmith, que esperou meses por um novo score, Along Came A Spider poderá significar que o compositor encontra-se “No Limite” de sua falta de inspiração.

Ryan Keaveney
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