|
Hans Zimmer
ultimamente vem compondo belas trilhas. Ano passado com as
ótimas
Batman
- O Cavaleiro das Trevas e
Frost/Nixon, ele atingiu novamente o patamar de
grande compositor, e agora com a trilha de Anjos e
Demônios com certeza ganhará respeito absoluto. É um
score belíssimo, muito similar ao de O código da
Vinci mas mais intensa, poderosa e vital.
Aliás, como afirma a maioria da
critica, o filme também é assim: Anjos e Demônios,
história que se passa anteriormente a
O Código
da Vinci mas que na versão cinematográfica ganhou
status de seqüência, leva Robert Langdon ao Vaticano,
onde os Iluminatti, antiga irmandade secreta, têm o plano de
destruir o Vaticano. Tudo isso ligado ao confronto com a
ciência, a escolha do novo papa e uma conspiração
misteriosa, onde Robert contará com a ajuda de Vitória Vetra,
cientista renomada para descobrir este mistério.
Como todo mundo sabe, a
história de Anjos e Demônios é melhor que a de O
Código da Vinci, tendo uma trama mais tensa e bem
elaborada. E como nesta versão Ron Howard esbanjou
competência e liberdade (diferente de seu trabalho em O
Código...), Zimmer acabou elaborando uma trilha com mais
destaque, onde a primeira faixa “'60 BPM” começa com um
coral de vozes de deixar qualquer cabelinho em pé, misturada
a uma orquestração potente, forte e assustadora (no bom
sentido é claro), onde sentimos a tensão do inicio do filme.
“God Particle”, linda ao
extremo, vem com o tema já clássico de Robert Langdon em uma
oitava a mais da melodia utilizada em O Código da Vinci,
o que a tornou mais emotiva e dramática. Após o inicio com o
solo da melodia no violino, o som é transferido para um
coral que, com explosão de vozes, chega ao clímax e depois
acalma, com vozes “de anjos” sussurrando ao fundo. “Air”,
“Fire e “Black Smoke” trazem o suspense com um ritmo ágil,
invejável. E é nestas faixas que pode-se perceber um pouco
da influência da trilha de O Cavaleiro das Trevas em
Anjos e Demônios; partindo para uma sonoridade mais
atual, Zimmer utiliza sons eletrônicos, misturados à sua
adorada percussão e à uma orquestra inspiradora.
“Science and Religion” é outra
faixa encantadora. É soberba a maneira com que a melodia
principal de O Código da Vinci é adaptada a esta
trilha. Na verdade Zimmer não teve “falta de criatividade” e
sim, ao contrário: com a melodia que nos remete ao filme
anterior, percebemos que já conhecemos Robert Langdon de
outros carnavais, e que estamos prontos para descobrir mais
do mundo pelos olhos dele.
Mas de todas as faixas, é “503”, a mais
bela... a faixa transpõe tudo o que Dan Brown significou
para o mundo nestes últimos cinco anos. Por mais que O
Código da Vinci e Anjos e Demônios sejam
histórias falhas, ambas conseguiram uma proeza: venderam
juntas 110 milhões de cópias no mundo todo, levaram milhões
de pessoas ao cinema, entraram para a lista negra da Igreja
Católica, fizeram as pessoas se depararem com teorias
inimagináveis mas, mais do que isso: trouxeram, de alguma
maneira, o senso de religião para o coração das pessoas, da
criação do mundo, do poder da Igreja Católica, enfim, de um
movimento que se tornou esta febre das aventuras de Robert
Langdon. E a trilha delineia o sucesso deste movimento, que
pode ter algumas falhas, mas é irresistível. |