ANGELS AND DEMONS
Música composta por Hans Zimmer

Selo: Sony Classical
Catálogo: 88697-52096-2
Lançamento: 2009
Faixas

1. 160 BPM
2. God Particle
3. Air
4. Fire
5. Black Smoke
6. Science and Religion
7. Immolation
8. Election By Adoration
9. 503

Duração: 54:17
Cotação:


Comentário de
Viviana Ferreira

 

Hans Zimmer ultimamente vem compondo belas trilhas. Ano passado com as ótimas Batman - O Cavaleiro das Trevas e Frost/Nixon, ele atingiu novamente o patamar de grande compositor, e agora com a trilha de Anjos e Demônios com certeza ganhará respeito absoluto. É um score belíssimo, muito similar ao de O código da Vinci mas mais intensa, poderosa e vital.

Aliás, como afirma a maioria da critica, o filme também é assim: Anjos e Demônios, história que se passa anteriormente a O Código da Vinci mas que na versão cinematográfica ganhou status de seqüência, leva Robert Langdon ao Vaticano, onde os Iluminatti, antiga irmandade secreta, têm o plano de destruir o Vaticano. Tudo isso ligado ao confronto com a ciência, a escolha do novo papa e uma conspiração misteriosa, onde Robert contará com a ajuda de Vitória Vetra, cientista renomada para descobrir este mistério.

Como todo mundo sabe, a história de Anjos e Demônios é melhor que a de O Código da Vinci, tendo uma trama mais tensa e bem elaborada. E como nesta versão Ron Howard esbanjou competência e liberdade (diferente de seu trabalho em O Código...), Zimmer acabou elaborando uma trilha com mais destaque, onde a primeira faixa “'60 BPM” começa com um coral de vozes de deixar qualquer cabelinho em pé, misturada a uma orquestração potente, forte e assustadora (no bom sentido é claro), onde sentimos a tensão do inicio do filme.

“God Particle”, linda ao extremo, vem com o tema já clássico de Robert Langdon em uma oitava a mais da melodia utilizada em O Código da Vinci, o que a tornou mais emotiva e dramática. Após o inicio com o solo da melodia no violino, o som é transferido para um coral que, com explosão de vozes, chega ao clímax e depois acalma, com vozes “de anjos” sussurrando ao fundo. “Air”, “Fire e “Black Smoke” trazem o suspense com um ritmo ágil, invejável. E é nestas faixas que pode-se perceber um pouco da influência da trilha de O Cavaleiro das Trevas em Anjos e Demônios; partindo para uma sonoridade mais atual, Zimmer utiliza sons eletrônicos, misturados à sua adorada percussão e à uma orquestra inspiradora.

“Science and Religion” é outra faixa encantadora. É soberba a maneira com que a melodia principal de O Código da Vinci é adaptada a esta trilha. Na verdade Zimmer não teve “falta de criatividade” e sim, ao contrário: com a melodia que nos remete ao filme anterior, percebemos que já conhecemos Robert Langdon de outros carnavais, e que estamos prontos para descobrir mais do mundo pelos olhos dele.

Mas de todas as faixas, é “503”, a mais bela... a faixa transpõe tudo o que Dan Brown significou para o mundo nestes últimos cinco anos. Por mais que O Código da Vinci e Anjos e Demônios sejam histórias falhas, ambas conseguiram uma proeza: venderam juntas 110 milhões de cópias no mundo todo, levaram milhões de pessoas ao cinema, entraram para a lista negra da Igreja Católica, fizeram as pessoas se depararem com teorias inimagináveis mas, mais do que isso: trouxeram, de alguma maneira, o senso de religião para o coração das pessoas, da criação do mundo, do poder da Igreja Católica, enfim, de um movimento que se tornou esta febre das aventuras de Robert Langdon. E a trilha delineia o sucesso deste movimento, que pode ter algumas falhas, mas é irresistível.

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