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Mark Mancina, foi e é um
compositor muito subestimado pela crítica. Trilhas belas
como Tarzan e Irmão Urso passaram
despercebidas pelas maiores premiações (embora ele tenha
ganho o Grammy por Tarzan), e em 2007, na que
eu considero a sua obra prima, Mark foi novamente esquecido.
Talvez seja algo compreensível, já que Mark não possuía
canções e minutos suficientes para poder concorrer na
categoria (o que também se aplicou à Jonny Greenwood por seu
trabalho em Sangue Negro), mas tudo neste score
é delicioso.
Desde as canções que Mancina
reuniu para dar formato à história, até as instrumentais
inteligentíssimas e muito bem preparadas. “Main Title” dá a
idéia do sentimento que Evan Taylor (Freedie Highmore) sente
pela música. Este, filho de uma violoncelista e de um
guitarrista, acabou crescendo em um orfanato quando o pai de
Lyla, sua mãe, mentiu a ela que o bebê nascera morto. Ao
fugir do orfanato para procurar seus pais, Evan acaba
conhecendo Wizard Wallace (Robin Williams), que o lança nas
ruas de Nova York como “August Rush”. A partir deste
momento, Evan, ou melhor August, vai passar por
transformações e momentos que o levarão até o seu ponto de
partida.
A trilha se completa
inteiramente. Desde as lindas instrumentais de Mancina “Bari
Improv” e “August's Rhapsody” feitas com muita sutileza,
harmonia e inteligência (em "Rhapsody" temos até sons de
buzina e copos), passando pelas canções cantadas pelo
personagem Louis, interpretado por Jonathan Rhys Meyers (que
canta lindamente) até o solo de violão do
compositor brasileiro Heitor Pereira (que constantemente
trabalha com
Hans Zimmer), na faixa que é de sua co-autoria “Dueling Guitars”.
As faixas “Bari Improv” e “Ritual Dance” também trazem solos
de violão, mas interpretados por Kaki King, que utiliza uma
técnica bem sofisticada e difícil.
Tudo se encaixa, se sobrepõe e
se interage. Engraçado é comentar que, o elo mais fraco de
todas as canções, a apenas bonitinha “Raise it Up”, tenha
sido indicada ao Oscar de melhor canção, no lugar de outras
canções do filme muito superiores, como “This Time” e “Someday”.
Mas de qualquer maneira, isto serve de incentivo ao
compositor, que tratou todo ele com muito carinho.
August Rush, que no
Brasil recebeu o nome de O Som do Coração, é, acima
de tudo um filme sobre música, e como ela chega aos nossos
corações. E o que Mark Mancina faz é exatamente passar a
mensagem do filme, compondo canções que cheguem à alma das
pessoas, com uma musicalidade e sentimentos que não são
possíveis de se descrever... são apenas a tradução, do som
do coração... |