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Após haver conquistado
quase todos os prêmios nas categorias musicais por seus trabalhos
para a trilogia The Lord of the Rings,
Howard Shore
transformou-se em um dos mais apreciados compositores do cinema (sem
esquecer que ele possui fãs desde os tempos em que era o compositor
que melhor entendia a mente dos psicopatas da tela: Seven,
The Silence of the Lambs, Single White Female, A Kiss
Before Dying, Sliver, entre outros). The Aviator é
a sua segunda colaboração com o cultuado diretor Martin Scorsese,
que parece ter encontrado em Shore um novo parceiro, depois de seus
frustrados trabalhos com o falecido
Elmer Bernstein
(recordemos que Shore o substituiu em Gangs of New York).
Para um filme biográfico como este, de forte caráter épico, o
ouvinte tende a pensar que sua música retratará a época dourada de
Hollywood, os primeiros avanços da aviação, a loucura do visionário
diretor, entre outras coisas. Que ela teria sonoridades jazzísticas
e claramente românticas. Mas não... Shore em The Aviator não
apenas consegue afastar-se desses estilos (para isso servem as
músicas da época, em versões originais), mas também elabora um
score completamente diferente do que poderia se imaginar.
Composições que remetem à música clássica, com claras influências de
Bach, se manifestam em "Icarus", "There is No Great Genius" e "Quarantine",
que são muito descritivas, solenes e calmas. Outros temas como "H-1
Racer Plane", "Howard Hughes Jr.", "7000 Romaine" ou "The Way of the
Future" são de forte caráter épico, muito parecidos com os que
ouvimos em The Lord of the Rings. Estas são, sem dúvida, as
melhores faixas, com marcadas sonoridades de sopros e cordas. Temas
que descrevem os vôos de Hughes, com um claro sentido de liberdade e
espetáculo.
Há também algumas músicas com influências latinas (castanholas,
violões) que não têm sentido vendo o filme, já que inexiste
incidência delas no mesmo. Algo que não fica claro é se foi o
próprio Shore quem decidiu incluí-las no álbum. Talvez encontremos
apenas em uma faixa, "America's Aviation Hero", algo de romance e
piano com sonoridades típicas dos anos 30. Aqui Howard Shore
interpreta a música com uma pequena orquestra, que reproduz o estilo
dos primeiros filmes sonoros, a Flemish Radio Orchestra, que soa a
partitura clássica. O disco contém 14 faixas com uma duração de 48
minutos. Demasiada música, já que o que ouvimos no filme é ínfimo.
Somente breves trechos em algumas cenas e um que outro tema de maior
duração em outras e nos créditos finais.
É precisamente por isso que a partitura de The Aviator foi
desqualificada para as indicações ao Oscar 2005, já que a reduzida
música original que se escuta no filme, ainda por cima eclipsada por
canções e outros temas pré-existentes, não permite que o trabalho de
Shore se destaque a ponto de ter condições de entrar na disputa. O
que até me parece realmente justo. Já em disco podemos apreciar
melhor The Aviator, um score composto às antigas, bem
orquestrado, com temas atraentes, forjados por um gênio que entrou,
como em outras partituras, na mente de um gênio que caiu nos
infernos da loucura.
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