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Se há uma
coisa que sempre me preocupa, é quando mudam de compositor
para a seqüência de um filme. As vezes trocar de compositor
pode ser interessante e gerar boas expectativas, quando a
trilha do(s) filme(s) anterior(es) foi um fracasso. Agora,
trocar de compositor quando a trilha foi brilhante pode ser
arriscado, como é o caso da série Alien Vs. Predador,
que teve no seu primeiro filme Harald Kloser como
compositor. Harald fez um trabalho primoroso, digno de
grandes nomes como
Jerry
Goldsmith. Não sei qual foi o motivo da substituição,
mas creio que provavelmente foi coisa da Fox, pensando:
“novo filme, nova direção, novo compositor”. Apesar de ter
achado esta mudança um pouco equivocada inicialmente, pois
gostaria muito de ver Harald de novo na série, fiquei feliz
que o novo compositor tenha sido Brian Tyler, que é um dos
meus preferidos particularmente.
Brian tyler é um dos poucos compositores da nova geração de
Hollywood que faz música essencialmente orquestral, e faz
muito bem. Sem essa de "eletrônica pra lá e sintetizadores
pra cá", como fazem Marco Beltrami, Graeme Revell, Charlie
Clouser, Hans
Zimmer e toda sua trupe da Media Ventures. Ao contrário
das abordagens melódicas e harmônicas sempre dramáticas e
exageradas de compositores como Revell e Zimmer, Tyler faz
uso de harmonias pós-tonais (oriundas de Richard Wagner).
Diferente da trilha de Harald, que tinha momentos mais
aventurescos e alguns mais sombrios, mas nunca usando
dissonâncias e tensões muito agressivas, a trilha de Tyler é
quase sempre tensa e agressiva. O que na realidade foi
totalmente necessário, pois Aliens Vs. Predator: Requiem
é bem mais tenso que o primeiro - não é a toa que o
filme é R-Rated.
Outra coisa que me surpreendeu foi a duração de algumas
faixas e do próprio CD - temos faixas de 5, 7 e até uma de
13 minutos, algo um tanto incomum para os dias de hoje, onde
muitas trilhas são lançadas com pouco mais de 30 minutos de
música. Acho que isso é um ponto positivo e uma vitória para
nós, apreciadores de trilhas sonoras. Esta trilha é um pouco
chata de se analisar, porque ela possui pelo menos uns 4
temas/motivos principais que se entrelaçam com outros por
todo o filme, e por mais que fique bem interessante fica
também um pouco misturado demais.
O disco já abre com um faixa super forte, “Aliens Vs.
Predator: Requiem” é uma faixa onde o tema principal é
apresentado, tema este que estará presente durante todo
filme. “Opening Titles” já é mais misteriosa, repetindo o
mesmo tema principal visto na faixa anterior, e em seguida
um novo motivo é apresentado nas cordas e madeiras. Um
motivo simples, construído em cima de uma progressão de
acordes menores e com as madeiras fazendo pequenas frases de
3 ou 4 notas em cima de cada acorde, algo que lembra alguns
momentos da trilha
Basic Instinct (Instinto Selvagem) de Jerry
Goldsmith. A faixa termina com um tema bem tenso que também
será bem visto no filme. E é em clima tenso que começa a
próxima faixa “Decimation Proclamation”, e nesse mesmo ritmo
segue até o final de seus 7:42, apenas com uma ou outra
breve nuance mais calma.
“Requiem Epilogue” nos traz um tema mais fantástico, com um
ar mágico até em alguns momentos, o estilo me lembrou
bastante Danny Elfman nos filmes do Tim Burton, principalmente
Batman.
Essa é um das minhas faixas preferidas. “National Guard -
Part 1” é a terceira faixa mais longa do CD com 5:44. É bem
mais interessante do que sua segunda parte “National Guard -
Part 2”, que é extremamente cansativa e atonal. “National
Guard - Part 1” começa com um dos temas de ação do filme, e
logo entra num motivo suave mais assustador de cordas. O
clima é quebrado pela percussão com uma forte pancada. O
próximo minuto será mais de ruídos e efeitos orquestrais,
até entrar um rápido motivo bem psicótico nas cordas. A
percussão conduz até uma mudança brusca de ritmo, onde tudo
fica calmo - fagote, cello, baixo e metais fazem
crescendos várias vezes, num estilo que mais uma vez lembra
Danny Elfman. Após uma pausa e algumas idéias atonais, temos
uma harpa fazendo um arpeggio muito similar com algo
da faixa “Chamber of Secrets” de
John Williams
para a trilha de
Harry
Potter and The Chamber of Secrets.
Em seguida cellos realizam arpeggios, enquanto
violinos cantam um motivo em cima. Novamente o caos toma
conta da faixa, com dissonâncias e texturas orquestrais que
criam tensão. Uma breve acalmada, onde agora cordas e
clarinete tocam uma variação do arpeggio que o
cello havia interpretado antes, com metais ao fundo
fazendo os acordes. A seguir mais uma dose de dissonâncias e
tensões, até acalmar de vez com as cordas tocando mediantes
cromáticas, clichê hollywoodiano (oriundo da suíte
dos Planetas, de Gustav Holst).
“Taking Sides” começa com um motivo muito interessante nas
cordas, muito parecido com um motivo da trilha de Nathan
Barr para o primeiro Hostel. Esta é a faixa mais
longa do CD, mas acaba se tornando um pouco chata depois dos
6 minutos, vai num ritmo um pouco repetitivo se arrastando
até o fim. “Predicide” começa com as cordas fazendo alguns
arpeggios bem rápidos, culminando no tema principal
do filme. “Kelly Returns Home” é uma faixa com tom mais
“amigável”, é uma faixa muito bonita com melodias suaves nas
cordas, lembra alguns momentos de
Dragonfly (O Mistério da Libélula) de John
Debney.
“Skinned and Hanged” começa bem sinistra, com cordas e harpa
bem suaves ao fundo, em seguida entram as flautas
acompanhando a harmonia, e vai crescendo até cerca dos 50
segundos onde a percussão marca o fim do crescendo, e
recomeça o clima com os baixos conduzindo um motivo suave e
sombrio até a entrada da percussão, que leva a faixa até o
final com ritmo mais dissonante e tenso. “Striptease” é uma
faixa mais pop, mesclando orquestra e uma guitarra
elétrica cheia de reverb fazendo um solo. O início da
faixa parece muito com alguns “Main Titles” de trilhas do
Beltrami. “Outnumbered” fecha o disco. O clima global da
faixa é suave em ritmo, e tenso em melodia. Tem um momento
onde dá até pra ouvir slides de violinos à la
Psycho
de Bernard Herrmann. A faixa vai se desenvolver em
crescendos e tensões até o fim.
AVP: Requiem é uma trilha muito boa, com momentos
muito interessantes, mas que perde alguns pontos pelos
momentos monótonos onde apenas se ouvem ruídos e texturas
orquestrais, e também pelo excesso de faixas atonais onde
não há nenhum desenvolvimento motívico ou temático - faixas
que, por esta razão, não foram comentadas. Embora isso seja
necessário para o filme, não é muito interessante para
audição isolada. |