INGLORIOUS BASTERDS
Vários

Selo: A Band Apart/Warner Brothers
Catálogo: 9362-49744-4
Lançamento: 2009
Faixas

1. The Green Leaves of Summer (Nick Perito)
2. The Verdict (Ennio Morricone)
3. White Lightning (Main Title) (Charles Bernstein)
4. Slaughter (Billy Preston)
5. The Surrender (Ennio Morricone)
6. One Silver Dollar (Gianni Ferrio)
7. Davon geht die Welt nicht unter (Zarah Leander)
8. The Man with the Big Sombrero (Samantha Shelton & Michael Andrew)
9. Ich wollt, ich wär ein Huhn (Lilian Harvey & Willy Fritsch)
10. Main Theme from Dark of the Sun (Jacques Loussier)
11. Cat People (Putting Out Fire) (David Bowie)
12. Tiger Tank (Lalo Schifrin)
13. Un Amico (Ennio Morricone)
14. Rabbia e Tarantella (Ennio Morricone)

Duração: 37:14
Cotação:


Comentário de
Jorge Saldanha

 
Para Quentin Tarantino, a música é parte essencial para a realização de um filme. Mas não apenas na pós-produção, quando normalmente é buscado um acompanhamento musical adequado às imagens. Muitas vezes Tarantino escreve uma cena e a filma de modo a nela poder utilizar determinada música, que ele previamente já escolheu (normalmente em sua própria discoteca). E no final das contas, as canções e temas instrumentais acabam ganhando um novo significado, muitas vezes uma dimensão muito maior, nos filmes do diretor - sejam músicas pop ou extraídas de outros filmes. Hoje ao serem ouvidas, canções como "Girl, You'll Be a Woman Soon" (Urge Overkill), "Stuck In the Middle With You" (Gerry Rafferty) e "Don´t Let Me Misunderstood" (Santa Esmeralda), mais do que qualquer coisa, evocam as marcantes cenas que acompanharam, respectivamente, em Pulp Fiction, Cães de Aluguel e Kill Bill Vol. 1.

Em Bastardos Inglórios, o mais recente longa do cineasta (e, diga-se de passagem, um projeto há muito acalentado por ele, que sempre quis fazer um filme sobre a II Guerra Mundial), a história se repete. Apesar de ambientado na França ocupada pelos Nazistas, já a partir da sequência inicial o filme exala a essência dos spaghetti-westerns de Sergio Leone - estilística e musicalmente falando. No entanto, como de praxe num filme de Quentin Tarantino, a música utilizada é eclética, vertendo também de outras fontes. Uma das mais conhecidas pelos cinéfilos é o tema de abertura, a balada interpretada em versão instrumental por Nick Perito "The Green Leaves of Summer", composta por Dimitri Tiomkin e Paul Francis Webster para o western de John Wayne O Álamo.

Mas Tarantino inicialmente queria que seu novo filme fosse o primeiro a ter uma trilha original completa, e o compositor escolhido não poderia ser outro que não seu ídolo, Il Maestro Ennio Morricone, que moldou o som de um gênero nos filmes de Leone. Porém Morricone não pôde assumir a tarefa porque o cronograma de produção do filme conflitava com seu trabalho em Baarìa, de Giuseppe Tornatore. Isso não impediu que Morricone fosse uma presença predominante na trilha de Inglorious Basterds, em músicas como "Un Amico", "The Surrender" (La Resa) e "The Verdict" (La Condanna). "The Surrender", com suas notas de piano acompanhadas por um coral, que explode em seu clímax, pontua uma das cenas mais violentas do filme. "Rabbia e Tarantella" encerra o CD com um tom heróico e ao mesmo tempo irônico - à altura da pergunta que Brad Pitt/Tarantino faz ao espectador no final da projeção: "Então, esta não é minha obra-prima?"

Dentre as contribuições que não são de Morricone, destacam-se o tema aplicado ao personagem Hugo Stiglitz, "Slaughter", do filme Blaxploitation homônimo, composto por Billy Preston; "Tiger Tank", de Lalo Schifrin, extraída de Guerreiros Pilantras; "One Silver Dollar", por Gianni Ferro, do clássico spaghetti-western O Dólar Furado; e da trilha do filme de terror A Marca da Pantera, "Cat People (Putting Out Fire)", cantada por David Bowie. E é esta que constrói um dos grandes momentos audiovisuais do filme e de toda a filmografia de Tarantino, ao acompanhar a personagem de Mélanie Laurent enquanto ela, em um vestido vermelho, maquia-se para a maior - e última - estreia em seu cinema parisiense. É impressionante como esta canção, um rock balançado que em princípio soaria deslocado em um filme de época, se encaixa perfeitamente na sequência, com a letra e o ritmo sumarizando praticamente todo o tema de que trata o filme.

O diretor tira do fundo do baú algumas obscuras e antigas músicas alemãs, cantadas por artistas dos anos 1930 - como Lilian Harvey e Willy Fritch em "Ich welt, ich wär ein Huhn". Apesar de adequadas ao filme, eu as trocaria alegremente por algumas das 13 músicas que ficaram de fora do CD, como as que Morricone compôs para Battle of Algiers e The Mercenary. Aliás a curta duração do álbum da trilha sonora de Bastardos Inglórios é algo que ajuda a lhe tirar alguns pontos na avaliação. Com apenas 37 minutos de duração, ele acaba soando como uma mera amostra de um grande painel de imagens cuja música é seu principal elemento de ligação.

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