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Injustamente
ignorado na entrega dos prêmios Oscar de 1990, Batman foi o
primeiro trabalho de grandes proporções enfrentado por Danny Elfman,
e no caso o mais satisfatório de todos. Elfman, que já havia
trabalhado com o diretor Tim Burton em Pee Wee´s Big Adventure
(1985) e Beetlejuice (1988), teve sucesso ao lançar suas
notas não somente no universo gótico desenhado pelo cineasta neste
filme, mas também no obscuro e ambíguo perfil psicológico do
Homem-Morcego.
Os melhores momentos desta partitura são encontrados na desafiante e
furiosa marcha que abre o CD ("The Batman Theme", com reminiscências
de Voyage to The Center of The Earth, de
Bernard Hermann);
"First Confrontation", uma peça organizada ao redor de uma base
rítmica orquestrada com cordas, piano e fagotes sobre a qual se
desenvolve um motivo cromático que se reparte entre o resto dos
instrumentos; "Batman to the Rescue", que se apóia em um eficaz
desenvolvimento do tema principal, com um importante papel a cargo
da percussão e linhas descendentes para sopros e metais; "Roasted
Dude", um tributo ao Coringa onde a orquestra ri; no pausado mas
tenso tratamento monotemático de "Bat Cave"; "Childhood Remenbered",
carregada de um efetivo clima evocador; "Attack of the Batwing",
outra faixa baseada no tema de Batman, com um final imperdível
sublinhado por sinos; e "Waltz to the Death", digna da pena de um
Johann Strauss com evidentes traços de psicose, que revela a
extraordinária capacidade de Danny Elfman para interpretar a
loucura.
Há que se destacar também o extraordinário desempenho da Sinfonia of
London, que sob a regência de Shirley Walker interpreta esta música
como se fosse uma das obras-primas do século. E pelo menos no que se
refere à música de cinema, evidentemente o é. |