|
Quando, em 1989, Alan Menken e
Howard Ashman surgiram de maneira definitiva perante o
mundo, com o musical- animação A Pequena Sereia,
ninguém imaginava que eles faria um trabalho com um sucesso
e qualidade muito maior. Surgiu então o projeto de A Bela
e a Fera, que procurava equilibrar o sucesso do estúdio
(para não ocorrer o que houve com Bernardo e Bianca,
um sucesso mas que foi sucedido pelo fracasso O Cão e a
Raposa). A história, da jovem inteligente e linda que se
apaixona por um monstro, foi feita com tanto capricho que
até hoje quase nenhum filme animado conseguiu chegar ao
nível deste projeto. Como em time que ganhava não se mexia,
Menken e Ashman ficaram responsáveis por, respectivamente,
trilha e letras, e deu-se aí um resultado fabuloso.
É inquestionável a qualidade da
trilha e das canções. Assim como Rodgers e Hammerstein,
Menken e Ashman foram uma dupla imbatível - com uma trilha e
arranjos fantásticos, e letras totalmente inteligentes, suas
canções sempre foram sinônimo de bom gosto e originalidade.
Em A Bela e a Fera vemos canções com ritmo clássico e
provinciano.
Em “Belle” sentimos a vida
habitual da personagem principal, de maneira totalmente
“Broadway”. “Gaston” é uma canção divertida, bem
estruturada, bem aos moldes do personagem. “Be Our Guest” é
a canção que remete mais ao espetáculo, com arranjos
teatralizados e letras bem definidas, não fáceis, mas
totalmente bem preparadas. Em “Something There”, a harmonia
entre os dois personagens principais serve para que vejamos
o grande contraponto entre eles (sendo que é o que os une).
É relevante citar que na época
das gravações do filme, Ashman já estava bem delimitado (ele
estava em estado terminal por ter adquirido AIDS) e suas
ponderações tinham de ser ouvidas com muito cuidado. Em
“Something There” Ashman queria que Paige O'Hara (voz de
Bela) cantasse da maneira que Barbra Streisand cantava, para
que desse uma tonalidade mais realista à canção. “The Mob
Song” é outra inteligente canção, mas é “Beauty and the
Beast” que revela- se como o ápice do filme. A poesia
existente na letra, a melodia suave e delicada, a
sinceridade da história, fazem com que a canção seja uma das
mais conhecidas da Disney até hoje, e uma das canções
românticas mais importantes.
Sobre o score de Alan, é
impossível não achar beleza nas composições. “Prologue” é
simplesmente uma jóia, com uma melodia melancólica, triste,
mas ao mesmo tempo esperançosa e romântica. “The Beast Lets
Belle Go” é outra instrumental que merece ser reconhecida,
pois é quando a Fera percebe que o seu amor por Bela é tão
imenso, que a deixa partir. “Transformation” é outra ótima
canção, onde sentimos o drama da transformação pessoal e
física do personagem, rumo ao seu momento final.
O sucesso extraordinário do
filme, que ganhou 2 Oscars (melhor trilha e canção para
“Beauty and the Beast”), o levou à Broadway, onde até hoje é
considerado um dos mais importantes musicais de toda a
história. Mas isso foi feito por aqueles que deram voz a uma
sereia e alma a uma fera, e que sempre ficarão, guardados,
na memória de todos nós. |