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Hoje, poucos
recordam de Rochedos da Morte, modesta aventura em
Cinemascope de 1953, da Fox, na qual Robert Wagner interpreta um
jovem escafandrista que, entre outras peripécias, enfrenta um voraz
e avantajado polvo. Nada modesta foi a partitura que o lendário
Bernard Herrmann
compôs para o filme, tanto que o então manda-chuva do estúdio,
Darryl F. Zanuck, em um memorando para - outra lenda -
Alfred Newman (à
época chefe do departamento musical do estúdio), declarou: "Penso
que Beneath the 12-Mile Reef é uma das trilhas mais originais
que já ouvi, realmente me impressionou... O filme foi grandemente
enriquecido por esta maravilhosa partitura. Ele ganhou uma grandeza
que originalmente não tinha - além do mais, a música não interfere,
mas sim aumenta seus valores dramáticos".
Com efeito, as melodias de Herrmann, desde a magnífica introdução de
"Out to The Sea", são grandiosas e belas, sendo uma perfeita
representação das cenas submarinas. Mantendo a sua tradição de
empregar orquestrações incomuns, o compositor utilizou nada menos
que nove harpas (que melhor instrumento para representar o mar?),
cada uma interpretando um trecho separado. Através da música,
podemos não apenas ouvir, mas também visualizar o oceano, tanto em
leves correntes como em furiosa turbulência. O score também
inclui alegres melodias náuticas, inspiradas composições para cordas
e violinos, música de ação bombástica e de terror ("The Octopus"), e
mesmo outras que serão lembradas por quem é fã da série de TV
Perdidos no Espaço (a exemplo de "The Marker", utilizada como o
tema da mochila voadora utilizada pelo Prof. Robinson).
Beneath the 12-Mile Reef é a cara de Herrmann. O
genial uso da harpa nos faz sentir nas profundezas da água. A música
mais agitada também agrada, quase transportando para as cenas de
Sinbad e a Princesa. Esta obra confirma que Herrmann é um
daqueles compositores com uma personalidade musical só dele,
inconfundível, inimitável e inigualável. Sua linguagem intimista e
atmosférica faz-nos mergulhar no inconsciente profundo e trazer de
lá resíduos arquetípicos associados às notas que emergem dos
instrumentos da orquestra. A linguagem da Era de Ouro
bem assumida por ele, associada à sua linguagem pessoal, faz com que
a música se torne memorável e suntuosa, como o glamour dos
próprios astros que encenam os filmes.
A versão de Beneath the 12-Mile Reef, até agora mais
conhecida, consistia na suíte gravada pelo regente
Charles Gerhardt
no excelente álbum Citizen Kane: The Classic Film Scores of
Bernard Herrmann, da série Classic Film Scores da RCA. Há alguns
anos, a Tsunami alemã disponibilizou 4 faixas em The Marvellous
Film World of Bernard Herrmann, porém em som mono de qualidade
sofrível. Este lançamento da
Film Score Monthly,
uma edição limitada de 3.000 cópias, marca a estréia desta trilha em
sua forma integral, tendo sido utilizadas as fitas masters
originais, estéreo. A qualidade do áudio, apesar de algumas falhas
ocasionais, é de forma geral boa, e apenas podemos ser enormemente
gratos a Lukas Kendall e sua FSM por mais este resgate das gravações
originais de uma trilha clássica. |