BEN-HUR, A TALE OF CHRIST
Música composta e conduzida por Miklos Rozsa

Selo: Rhino

Catálogo:
72197
Ano: 1996
Duração: 150:00
Cotação:

Comentário de
Jorge Saldanha

 

A Rhino, que através de seu selo Turner Classic Movies relançou versões definitivas para clássicos como North by Northwest, Doctor Zhivago e The Wizard of Oz, superou todas as expectativas com esta edição remasterizada de Ben-Hur, um dos maiores (se não o maior) clássicos do cinema épico e bíblico da história do cinema. O filme foi dirigido por William Wyler, que usou o à época enorme orçamento de U$ 15 milhões para criar, nos estúdios da Cinecittá de Roma, cenários grandiosos e cenas espetaculares como a da corrida de quadrigas. Foram cinco anos de produção que resultaram, apenas no seu primeiro ano de exibição, em 40 milhões de ingressos vendidos.

A partitura de Ben-Hur, composta pelo lendário Miklos Rozsa, é considerada pela maioria dos especialistas a melhor música bíblica jamais escrita. Não há dúvida de que, no gênero e no currículo de seu compositor, ela é uma obra-prima - não só pela beleza de temas como o de Judah Ben Hur ou do próprio Jesus Cristo, e de suas marchas imperiais, mas também pela pitoresca complexidade de sua orquestração. Muitos foram os desafios impostos a seu compositor, decorrentes do período retratado e de peculiaridades da produção. Por exemplo, certas seqüências necessitavam de música antes mesmo de começarem a ser filmadas, especialmente as que envolviam danças e marchas para cenas de banquetes e desfiles.

Rozsa, um dos mais eruditos compositores que já emprestaram sua arte para os filmes, tinha por hábito fazer minuciosas pesquisas sobre a era retratada na tela. Para Ben-Hur, o compositor gastou meses estudando material musical grego, hebraico e oriental, além de danças africanas e beduínas. O maior problema envolvia a música da antiga Roma, já que não existia nenhum indício de como ela era e o compositor deduzia que ela deveria ser, como grande parte da cultura romana, uma assimilação da grega. Igual período já fora retratado em Quo Vadis?, e muitas da soluções criativas para a música do período, então utilizadas por Rozsa, foram continuadas. Entre a pesquisa, a composição e a gravação, passou-se um ano e meio, período no qual o compositor desenvolveu sua obra-prima, plena de religiosidade, nobreza, drama, ação retumbante e marchas triunfais.

Ironicamente, a cena mais lembrada do filme, a violenta corrida de quadrigas, não foi musicada. Sabiamente, Rozsa preferiu não competir com os abundantes efeitos sonoros da seqüência, preferindo compor uma memorável marcha ("Parade of The Charioteers") para a cena anterior, na qual os competidores desfilam ante a ruidosa multidão. Tanto a cena como a música, a propósito, receberam uma bela homenagem por parte de George Lucas e John Williams em
Star Wars Episode I: The Phantom Menace.

Com este luxuoso lançamento da Rhino, ocorrido em 1996, pela primeira vez desde o lançamento do filme todas as gravações originais da MGM Orquestra, conduzida pelo próprio Rozsa, bem como as faixas gravadas em Roma, passarama a fazer parte de uma edição oficial da trilha. Apesar da boa qualidade do CD duplo da Sony (pouco mais de 90 min de música regravada) anteriormente disponível, não há termos de comparação com esta edição. Em dois CDs estão contidas duas horas e meia de música, incluindo faixas alternativas ou não utilizadas, quase todas em ótimo som estéreo. A parte gráfica é um show à parte, já que os CDs vêm em uma embalagem em estilo de livro, contendo um encarte de 50 páginas abundante de informações e fotos sobre o filme e o processo de gravação da música. Este e posteriores lançamentos (Gone With The Wind, How The West Was Won), confirmaram o compromisso da Rhino/Turner em preservar alguns dos maiores scores de todos os tempos, em sua forma mais completa e original possível.

CDs COMENTADOS