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A Rhino, que através de seu selo Turner
Classic Movies relançou versões definitivas para clássicos como
North by Northwest, Doctor Zhivago e
The Wizard of Oz,
superou todas as expectativas com esta edição remasterizada de
Ben-Hur, um dos maiores (se não o maior) clássicos do cinema
épico e bíblico da história do cinema. O filme foi dirigido por
William Wyler, que usou o à época enorme orçamento de U$ 15 milhões
para criar, nos estúdios da Cinecittá de Roma, cenários
grandiosos e cenas espetaculares como a da corrida de quadrigas.
Foram cinco anos de produção que resultaram, apenas no seu primeiro
ano de exibição, em 40 milhões de ingressos vendidos.
A partitura de Ben-Hur, composta pelo lendário
Miklos Rozsa, é
considerada pela maioria dos especialistas a melhor música bíblica
jamais escrita. Não há dúvida de que, no gênero e no currículo de
seu compositor, ela é uma obra-prima - não só pela beleza de temas
como o de Judah Ben Hur ou do próprio Jesus Cristo, e de suas
marchas imperiais, mas também pela pitoresca complexidade de sua
orquestração. Muitos foram os desafios impostos a seu compositor,
decorrentes do período retratado e de peculiaridades da produção.
Por exemplo, certas seqüências necessitavam de música antes mesmo de
começarem a ser filmadas, especialmente as que envolviam danças e
marchas para cenas de banquetes e desfiles.
Rozsa, um dos mais eruditos compositores que já emprestaram sua arte
para os filmes, tinha por hábito fazer minuciosas pesquisas sobre a
era retratada na tela. Para Ben-Hur, o compositor gastou
meses estudando material musical grego, hebraico e oriental, além de
danças africanas e beduínas. O maior problema envolvia a música da
antiga Roma, já que não existia nenhum indício de como ela era e o
compositor deduzia que ela deveria ser, como grande parte da cultura
romana, uma assimilação da grega. Igual período já fora retratado
em Quo Vadis?, e muitas da soluções criativas para a música
do período, então utilizadas por Rozsa, foram continuadas. Entre a
pesquisa, a composição e a gravação, passou-se um ano e meio,
período no qual o compositor desenvolveu sua obra-prima, plena de
religiosidade, nobreza, drama, ação retumbante e marchas triunfais.
Ironicamente, a cena mais lembrada do filme, a violenta corrida de
quadrigas, não foi musicada. Sabiamente, Rozsa preferiu não competir
com os abundantes efeitos sonoros da seqüência, preferindo compor
uma memorável marcha ("Parade of The Charioteers") para a cena
anterior, na qual os competidores desfilam ante a ruidosa multidão.
Tanto a cena como a música, a propósito, receberam uma bela
homenagem por parte de George Lucas e
John Williams em
Star Wars Episode I: The Phantom Menace.
Com este luxuoso lançamento da Rhino, ocorrido em 1996, pela primeira vez desde o lançamento do filme todas as
gravações originais da MGM Orquestra, conduzida pelo próprio Rozsa,
bem como as faixas gravadas em Roma, passarama a fazer parte de uma edição
oficial da trilha. Apesar da boa qualidade do CD duplo da
Sony (pouco mais de 90 min de música regravada) anteriormente
disponível, não há termos de comparação com esta edição.
Em dois CDs estão contidas duas horas e meia de música, incluindo
faixas alternativas ou não utilizadas, quase todas em ótimo som
estéreo. A parte gráfica é um show à parte, já que os CDs vêm
em uma embalagem em estilo de livro, contendo um encarte de 50
páginas abundante de informações e fotos sobre o filme e o processo
de gravação da música. Este e posteriores lançamentos (Gone With
The Wind, How The West Was Won), confirmaram o compromisso da
Rhino/Turner em preservar alguns dos maiores scores de todos
os tempos, em sua forma mais completa e original possível. |