ben hur: CONCERTOS POUR PIANO
Miklos Rozsa: Ben Hur: Suite pour orchestre; Spellbound (Concerto pour piano et orchestre)*; Concerto pour piano et orchestre opus 31* Danielle Laval, piano/North Hungarian Symphony Orchestra, Miskolc/Lászlo Kovács

Selo:
Valois Audivis
Catálogo:
V4841
Ano: 1999
10 Faixas

Duração: 63:01
Cotação:

Comentário de
Miguel Andrade

 

Esta edição da editora francesa Audivis deixa em vergonha muitas das editoras habitualmente responsáveis pelos principais lançamentos de música para cinema (ou mesmo música clássica). Onde as interpretações destas obras de um dos grandes da época dourada de Hollywood possam eventualmente falhar, os valores de produção claramente as fazem parecer preocupações menores. O CD, apresentado numa embalagem digipak, inclui um livro com notas da autoria de Alain Garel em francês e inglês, que são as mais completas e precisas que li em muito tempo. O ensaio de Garel faz uma rápida revisão da vida e obra de Miklos Rózsa para depois apresentar uma excelente explicação das obras gravadas. No total são seis páginas de 12x12 cm cheias de informação. Neste aspecto, este lançamento já serve de modelo para futuras edições.

Quando à música propriamente dita são-nos apresentadas versões no mínimo competentes de duas obras já muito gravadas de Rózsa, e o menos conhecido Concerto para Piano e Orquestra op. 31. Neste caso a mais valia está na escolha da orquestra. Em vez de termos uma das orquestras habituadas a gravar música para cinema, foi escolhida uma orquestra do pais natal de Rózsa, e a diferença de leitura, principalmente nas cordas e sopros, sente-se em toda a música. Em geral os tempos e dinâmicas são idênticas a outras gravações do "Spellbound Concerto" e dos excertos de Ben Hur. Este último ganha um som mais europeu, oposto ao som mais cortante e cheio, mas menos idiomático das orquestras norte americanas e britânicas.

No entanto é aqui também que sentimos o principal problema da orquestra, uma seção de metais com pouca força, principalmente nos trompetes. Isso é particularmente notório durante alguns dos seis movimentos da suíte de Ben-Hur, "Prelude" (Maestoso-Allegro), no início de "The Burning Desert" (Pesante) e no excerto mais famoso, "Parade of the Charioteers" (Alla Marcia Romana). Os três outros movimentos da suíte são "Love Theme" (Lento), "Rowing of the Galley Slaves" (Molto Moderato) e "The Mother’s Love" (Lento), estes contando com uma fantástica interpretação pelas cordas da orquestra. A gravação do "Spellbound Concerto" encontra-se entre uma das melhores que já ouvi, muito embora a predominância do piano nesta interpretação obscureça em algumas passagens o excelente trabalho da orquestra. Danielle Laval é uma solista dedicada à música que interpreta, mas a sua interpretação é para mim muito fria e mecânica. Laval regressa na última peça do CD, a menos conhecida das três, o extenso Concerto para Piano op. 31.

Nas completas notas são explicadas as dificuldades que Rózsa sentiu, mas ao ouvir o concerto neste inspirada interpretação, uma pessoa fica a pensar se o compositor não sofreria de um excesso de modéstia. O concerto também nos permite questionar se Rózsa chegou realmente a levar uma vida dupla, como o próprio lhe chamou... A música para sala de concertos é tipicamente Rózsa, exatamente da mesma forma que a sua música para cinema o é. Até o ouvinte mais distraído identificaria imediatamente o compositor desta peça. A isso deve-se o fato de Rózsa nunca ter feito grandes concessões no que referia à música para cinema, mantendo-se sempre fiel ao seu coração musical.

O Concerto para Piano segue a tradição clássica de três movimentos, na seqüência rápido, lento, rápido. Composto entre 1965 e 1966 para Leonard Pennario (que o estreou em 66 com a L.A. Philharmonic sob a direção de Zubin Mehta) a obra faz grandes exigências ao solista, que durante os cerca de 30 minutos de duração não tem quase um único momento de descanso. Laval é austera na sua interpretação e a orquestra dirigida por Kovács contribui com um som quente e idiomático (particularmente no movimento central, com predominância para as cordas e corne inglês). Indispensável para os admiradores deste grande compositor, e altamente recomendável para todos os outros.

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