BODY HEAT
Música composta por John Barry, regida por Joel McNeely

Selo: Varèse Sarabande
Catálogo: VSD 5951
Lançamento: 1998
Faixas

1. Main Title
2. Ned
3. Matty's Place
4. I'm Weak
5. I'm Burning Up
6. Chapeau Gratis
7. Heather
8. Kill For Pussy
9. I'm Frightened
10. Surprise and Explosion
11. Heather and Roz
12. Gus and Oscar
13. Glasses
14. Better Get Him
15. Matty Was Mary Ann

Duração: 35:20
Cotação:


Comentário de
Beatriz Saldanha

 

“Um casal de amantes planeja livrar-se de um marido inconveniente”. Provavelmente você já viu esse filme antes, mas não com esta trilha sonora. Corpos Ardentes (1981) é uma releitura de Pacto de Sangue (1944), de Billy Wilder; por sua vez, inspirado no romance de James M. Cain. Certamente, trata-se também de um dos raros casos em que um filme inspirado em um clássico incontestável torna-se, de imediato, outro clássico. O que Pacto de Sangue possui de insinuante e pessimista, Corpos Ardentes tem de erótico e cínico.

O versátil Lawrence Kasdan, que neste mesmo ano criou Indiana Jones, acertou em ambientar o seu neo-noir na escaldante Flórida dos anos 1980. Desta forma, evitou com sabedoria um erro que seria comumente praticado, por exemplo, em Los Angeles: Cidade Proibida (1997) e Dália Negra (2006): são forçosamente ambientados nas décadas de 40 ou 50, com suas femmes fatales vestidas à maneira de Barbara Stanwyck ou Veronica Lake. Kasdan vale-se de diálogos memoráveis, bastante sensualidade e, claro, um jazz fascinante.

O responsável pela música de Corpos Ardentes foi John Barry que, cansado de 007, optou por compor trilhas para filmes de cunho mais psicológico, sentimental, que não ficasse preso somente a tanta ação. Entre elas está a deste Body Heat, para a qual usou, essencialmente, saxofone e piano. Tais instrumentos podem ser percebidos na maioria das faixas, mas mais claramente em “Main Title”, música de abertura; e na sensualíssima “I’m Weak”, que dá o tom a uma das cenas mais marcantes, em que diálogos tornam-se desnecessários diante da música eloqüente de Barry.

Alternando com maestria entre composições de apelo carnal, melodias intensamente dramáticas, e intrigantes temas de suspense, Barry realiza o trabalho ideal para as exigências temáticas de Corpos Ardentes; mas é capaz de contrariar o dogma de que a música para o filme deve servir apenas em função deste, pois sua obra é auto-suficiente. As primeiras faixas do disco variam entre melodias apaixonadas e dramáticas; um duelo entre Andy Mackintosh, saxofonista, e David Hartley, pianista. A partir da declarada “Kill For Pussy”, Barry investe em uma não menos intensa música de suspense, mas, apostando numa ansiedade mais visual, diminui o tom em alguns momentos cruciais.

Quando do lançamento de Corpos Ardentes, em 1981, a distribuição da trilha sonora em LP foi realizada de maneira incompetente, o que acabou tornando o disco uma raridade. Em 24 de abril de 1998, no estúdio Abbey Road, a trilha de John Barry foi regravada pela London Symphony Orchestra, com regência do maestro Joel McNeely. Foi
disponibilizada em compact disc dentro da série da gravadora Varèse Sarabande.

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