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A ultima vez
ao qual comentei sobre uma trilha de Adrian Johnston,
salientei a falta de criatividade do mesmo ao tornar-se
maçante com o score de
Amor e
Inocência. Pois agora digo que ele não só se
recuperou imensamente, como também compôs sua melhor trilha
com Brideshead Revisited, e provavelmente a mais bela
trilha de 2008 (sim o score é melhor que o
Benjamin
Button do Desplat).
Adaptação
para o cinema do clássico Memórias de Brideshead -
que também é famoso pela série de 1981 protagonizada por
Jeremy Irons, o filme conta a história de Charles Ryder
(nesta versão interpretado por Mathew Goode), jovem pobre
que vai estudar em Oxford e lá conhece Sebastian Flyte (Ben
Whishaw, incrível no papel), jovem rico e extremamente
sensível, que se torna seu melhor amigo, e o leva para
passar uma temporada em sua casa, Brideshead, onde Charles
conhece Julia (Hayley Atwell), irmã de Sebastian, e se
apaixona por ela (embora Sebastian se apaixone por ele).
Além de conhecer a matriarca da família, Lady Marchmain
(Emma Thompson), uma mulher controladora e manipuladora.
Enfim, o filme é lindo, extremamente bem realizado, e
necessitava realmente de uma trilha marcante - o que ocorre.
A sensibilidade está presente em todos os momentos desta
trilha que é realmente surreal.
A primeira
faixa da trilha, "Sebastian", é uma peça executada no piano
de modo muito suave, mas também nostálgico, o que na verdade
caracteriza o fantástico personagem de Ben Whishaw no longa,
tão carinhoso e sensível, mas também tão sofredor pelas
maldades ocasionadas por sua mãe... realmente bela.
Logo após
ouve-se "Memory", faixa mais trágica e misteriosa, que
indica que os acontecimentos da historia são realmente
perturbadores e tristes. Uma melodia instigante. Já "Guilt"
é um dos pontos altos da trilha, alarmante mas com uma
melodia belíssima, que remete os olhos às lagrimas, como
quase que instantaneamente. Mas é em "Oxford" que se enxerga
a vida, com a viola tramando pequenas melodias ao mesmo
tempo em que os violinos ressoam harmônicos e corajosos. Em
"A Crock of Gold" é impossível não sentir-se no céu, com
tamanha paixão e verdade existentes nos mais profundos
sentimentos.
Outras
faixas também são memoráveis como "Arcadia", "The First
Visit", "Faith" e "Venice", todas tendo como principal
característica sua força e clareza nas melodias. Em "The
Lido" ouvimos novamente a melodia principal do longa, o tema
de Sebastian, agora alternado com cordas e cellos que
sobrevoam as notas calmamente, "legato" e pianinho. Para
depois ressurgir explodindo a mistura de sons. Já "Desire"
tem no violino sua principal força, como se as notas fossem
ondas que estivessem explodindo entre si.
Mas a
beleza da trilha encontra-se mesmo na faixa "Contra Mundum",
onde todo o sentimento de Sebastian por Charles se choca com
a dor que ele sente ao descobrir que Charles é apaixonado
por Julia. A partir deste momento, deve-se dizer que a
trilha torna-se mais obscura, nebulosa, pois embora seja
Charles quem conte a história, os momentos da trama vão
sendo apresentados como os sentimentos de Sebastian - da
felicidade, paixão e ilusão, à tristeza e solidão.
E a ultima
faixa, "Always Summer", retoma os pensamentos do verão
perfeito que Sebastian, Charles e Julia viveram. O que nos
remete a momentos que nós mesmo vivemos e que consideramos
perfeitos; segundos, horas ou dias, momentos em que queremos
voltar a viver, para que possamos achar a linha da nossa
alma, aprendendo a superar os erros e, finalmente, encontrar
a felicidade. E ao ouvir a trilha de Brideshead Revisited,
com certeza desfruta-se um pouco destes momentos. |