BRIGHT STAR
Música composta por Marc Bradshaw

Selo: Lakeshore Records
Catálogo: LAKO 341052
Lançamento: 2009
Faixas

1. Negative Capability
2. La Belle Dame Sans Merci
3. Return
4. Human Orchestra
5. Convulsion
6. Bright Star
7. Letters
8. Yearning
9 Ode to a Nightingale

Duração: 23:26
Cotação:


Comentário de
Viviana Ferreira

 

O novo filme de Jane Campion, Bright Star, sobre o relacionamento do lendário poeta inglês John Keats e Fanny Brawne, vem sendo ovacionado desde que estreou em Cannes em Maio deste ano. Além do filme e das atuações de Ben Whishaw e Abbie Cornish, a curta trilha sonora do filme, composta pelo até agora desconhecido Marc Bradshaw, vem sendo apontada como um dos melhores scores do ano. E não é para menos. A trilha, extremamente original e etérea, tem como instrumento central o violino, que transpõe em notas a poesia que foi a vida de John Keats.

A bela “La Belle Dame Sans Merci”, começa com a voz de Abbie e Ben recitando uma poesia - no meio inicia-se aos poucos um leve som de órgão, tocando uma melodia doce, singela... após surge o som do violino (que sai de modo um pouco arranhado- propositalmente) para que as cordas façam o fundo e completem essa belíssima faixa.

Em “Return” segue o tom poético do score, onde o violino é o centro e principal elemento da faixa (aliás nota-se que o violino é a alma desta trilha). Já “Human Orchestra” é composta por vozes que se harmonizam de acordo com o estilo musical o qual a época se passa, onde a faixa transborda em beleza e classicismo.

Seguindo o alto nível de qualidade da trilha, se destaca “Convulsion”, que tem em si uma melodia incrível, absoluta, poderosa e sublime. Assim como a faixa que leva no nome o  titulo do longa “Bright Star”, onde Abbie Cornish, através da personagem Fannie Brawne, recita a poesia titulo do filme com uma tristíssima melodia de violino ao fundo.

A doce “Letters” se destaca pela narração das cartas de John Keats e Fannie Brawne, e mais uma vez a melodia inicial do longa aparece, compondo um dos temas mais fantásticos do ano, ao lado de “JD Dies” de Inimigos Públicos e “Labandon” de Alexandre Desplat. Em “Yearning”, a melodia maravilhosa dessa faixa soa como a poesia de John Keats sendo transmitida em notas musicais.

Concluindo a trilha tem-se então “Ode to a Nagthingale”, uma bela faixa, com um cello e vozes ao fundo da poesia declamada, demonstrando toda a amorosidade e profunda suavidade existente em tão doce trilha.

De tal modo, não há como negar a mágica existente nestas faixas, tão belas, suaves e sensíveis, chegando ao fundo do coração de um dos maiores poetas de todos os tempos, e ao fundo de uma trama tão incrível quanto triste e nostálgica. Uma das trilhas não só mais belas do ano, como mais belas da década e de todos os filmes de época. Obra-prima de verdade.

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