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O novo filme de Jane Campion,
Bright Star, sobre o relacionamento do lendário poeta
inglês John Keats e Fanny Brawne, vem sendo ovacionado desde
que estreou em Cannes em Maio deste ano. Além do filme e das
atuações de Ben Whishaw e Abbie Cornish, a curta trilha
sonora do filme, composta pelo até agora desconhecido Marc
Bradshaw, vem sendo apontada como um dos melhores scores
do ano. E não é para menos. A trilha, extremamente original
e etérea, tem como instrumento central o violino, que
transpõe em notas a poesia que foi a vida de John Keats.
A bela “La Belle Dame Sans
Merci”, começa com a voz de Abbie e Ben recitando uma poesia
- no meio inicia-se aos poucos um leve som de órgão, tocando
uma melodia doce, singela... após surge o som do violino
(que sai de modo um pouco arranhado- propositalmente) para
que as cordas façam o fundo e completem essa belíssima
faixa.
Em “Return” segue o tom poético
do score, onde o violino é o centro e principal
elemento da faixa (aliás nota-se que o violino é a alma
desta trilha). Já “Human Orchestra” é composta por vozes que
se harmonizam de acordo com o estilo musical o qual a época
se passa, onde a faixa transborda em beleza e classicismo.
Seguindo o alto nível de
qualidade da trilha, se destaca “Convulsion”, que tem em si
uma melodia incrível, absoluta, poderosa e sublime. Assim
como a faixa que leva no nome o titulo do longa “Bright
Star”, onde Abbie Cornish, através da personagem Fannie
Brawne, recita a poesia titulo do filme com uma tristíssima
melodia de violino ao fundo.
A doce “Letters” se destaca
pela narração das cartas de John Keats e Fannie Brawne, e
mais uma vez a melodia inicial do longa aparece, compondo um
dos temas mais fantásticos do ano, ao lado de “JD Dies” de
Inimigos Públicos e “Labandon” de
Alexandre Desplat. Em “Yearning”, a melodia maravilhosa
dessa faixa soa como a poesia de John Keats sendo
transmitida em notas musicais.
Concluindo a trilha tem-se
então “Ode to a Nagthingale”, uma bela faixa, com um
cello e vozes ao fundo da poesia declamada, demonstrando
toda a amorosidade e profunda suavidade existente em tão
doce trilha.
De tal modo, não há como negar
a mágica existente nestas faixas, tão belas, suaves e
sensíveis, chegando ao fundo do coração de um dos maiores
poetas de todos os tempos, e ao fundo de uma trama tão
incrível quanto triste e nostálgica. Uma das trilhas não só
mais belas do ano, como mais belas da década e de todos os
filmes de época. Obra-prima de verdade. |