BROKEBACK MOUNTAIN
Música composta por Gustavo Santaolalla

Selo: Verve Forecast/Universal
Catálogo: B0005604-02

Ano: 2005

Faixas:

1. Opening
2. He was a friend of mine (Willie Nelson)
3. Brokeback Mountain 1
4. A love that will never grow old (Emmylou Harris)
5. King of the Road (Teddy Thompson & Rufus Wainwright)
6. Snow
7.- The Devil's right hand (Steve Earle)
8. No one's gonna love you like me (Mary Mcbride)
9. Brokeback Mountain 2
10. I don't want to say goodbye (Teddy Thompson)
11. I will never let you go (Jackie Greene)
12. Riding Horses
13. An Angel went up in flames (Willie Nelson & The Gas Band)
14. It's so easy (Linda Ronstadt)
15. Brokeback Mountain 3
16. The Maker Makes (Rufus Wainwright)
17. The Wings

Duração: 43:20
Cotação:


Comentário de
Pablo Nieto

 

Muito tem se falado sobre O Segredo de Brokeback Mountain, filme que ganhou vários prêmios e teve oito indicações ao Oscar – tendo ganho, entre outros, o de Melhor Diretor. Rodado com grande sensibilidade por Ang Lee, e interpretada com serenidade e contenção por Jake Gyllenhall e Heath Ledger, Brokeback Mountain é uma história de emoções contrapostas, de encontros proibidos, de dois jovens vaqueiros que se apaixonam um pelo outro, na América rural do início dos anos 1960. Ainda hoje, filmes com esta temática seguem causando escândalo na sociedade, ou ao menos é o que dizem. Muitas vezes o próprio marketing de um filme se encarrega de difundir a polêmica, com a única intenção de atrair a atenção para o produto. Seja como for, Brokeback Mountain teve uma boa acolhida no duro núcleo conservador norte-americano, ainda que ambientando uma história de homossexualidade no másculo mundo dos cowboys. A uns não incomodou, a outros sim, mas o que ninguém contesta é a qualidade do filme, e certamente a sutileza e a credibilidade com que nos apresenta a história de amor.

E falando de qualidade, é incrível o prestígio que Gustavo Santaolalla adquiriu nos últimos anos. Este compositor, produtor e sobretudo violonista argentino vem sendo disputado não apenas pelos grandes nomes do cinema independente, mas também pelos grandes estúdios. Se 2004 foi o ano de sua revelação graças a Diários da Motocicleta, score pelo qual ganhou um BAFTA (e a canção um Oscar), 2005 foi anda melhor, já que seu trabalho em Brokeback Mountain rendeu-lhe o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original. Feito impressionante, se considerarmos que o quase sempre imbatível John Wiliams concorria na categoria com duas indicações. Para muitos este foi o melhor score de 2005, mas será que de fato foi mesmo? Pois minha resposta sincera é: não.

Brokeback Mountain é um score que ambientalmente “casa” muito bem com as imagens, que se integra perfeitamente com as numerosas canções que povoam o filme, que acerta em seu tom intimista de violão, cordas e atmosfera etérea por meio de sintetizador. Mas aí é que está, estamos falando de uma boa trilha sonora, não de uma partitura que sirva de referência para o resto dos trabalhos do ano. Ela pode ter ganho todos os prêmios, mas isso apenas significa que quem os dá segue sem compreender a verdadeira essência da composição musical para o cinema (algo que já sabíamos há tempo). O score de Santaolalla não evolui com a história, não assume em nenhum momento outra função além de ambientar. Situar-se num segundo plano, renunciar à sua própria proeminência em favor da história é uma decisão louvável e compreensível, mas trabalhos deste estilo surgem às pencas a cada ano.

Em tempos tão difíceis para a música cinematográfica, onde as temp tracks, as decisões injustificadas de diretores e produtores, estão restringindo cada vez mais a libertade criativa dos compositores, premiar uma trilha sonora pelo mero fato de não molestar e realçar as cancões que a acompanham, é sem dúvida a pior notícia que poderíamos ter para começar o ano. Ao compararmos o trabalho de Santaolalla com o de James Newton Howard em King Kong,
 John Williams em Munich e Harry Gregson Williams em The Chronicles of Narnia, entre outros, a primeira pergunta que nos surge é se realmente alguém escutou estes scores antes de colocar num altar a composição de Santaolalla. Mesmo assim, como deixamos as injustiças para outros, não podemos finalizar esta resenha sem ao menos destacar a tranqüilidade que nos provoca o violão em “Opening”, “Snow” ou “Riding Horses”, todas interessantes faixas intimistas, onde as cordas e os eletrônicos se unem para criar um halo de contenção e repouso. A música segue estes parâmetros nas três faixas que desenvolvem, se posso assim chamá-lo, o tema principal do filme. Apresentado em “Brokeback Mountain 1”, estamos diante de uma bonita melodia, bem típica na carreira de Santaolalla, que compartilha, sem dúvida, o espírito de seu tema central para “North Country”.

Santaolalla se mostra mais vibrante em “An Agenl Went Up in Flames”, onde a instrumentação que inclui a bateria cria uma dinâmica peça country. No entanto, se devemos destacar algo no trabalho do compositor em Brokeback Mountain, é o capricho na produção musical das canções, onde se destacam as duas preciosas baladas country, compostas em parceria com Bernie Taupin (antigo colaborador de Elton John) “A Love That Will Never Grow Old” e “I Don't Want To Say Goodbye”. Em especial a primeira, uma das canções mais bem sucedidas do ano. Também não convém esquecer a colaboração de Santaolalla com Jeremy Spillman em “I Will Never Let you Go”, bem como o restante das canções que completam a trilha sonora (e este álbum), começando pelo clássico de Rufus Wainwright “King of the Road”, a versão de “It´s so Easy” de Buddy Holly cantada por Linda Ronstadt, e a inimitável voz de Willie Nelson interpretando “He Was a Friend of Mine”, de Bob Dylan.

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