CASINO ROYALE (2006)
Música composta por David Arnold

Selo: Sony Classical
Catálogo:
SK 702369
Lançamento: 2006
Faixas

1. African Rundown
2. Nothing Sinister
3. Unauthorized Access
4. Blunt Instrument
5. CCTV
6. Solange
7. Trip Aces
8. Miami International
9. I'm the Money
10. Aston Montenegro
11. Dinner Jackets
12. The Tell
13. Stairwell Fight
14. Vesper
15. Bond loses it all
16. Dirty Martini
17. Bond wins it all
18. The End of an Aston Martin
19. The bad die young
20. City of Lovers
21. The Switch
22. Fall of a house in Venice
23. Death of *(título contém spoiler)*
24. The Bitch is Death
25. The Name's Bond... James Bond

Duração: 74:07
Cotação:


Comentário de
Hugo Moya Arancibia

 

O filme nº 21 de James Bond estava programado para esterar no final de 2005. Pierce Brosnan esperava tranqüilo ser chamado para sua quinta incursão como o agente 007, e nada fazia supor que algo fosse mudar na franquia da mais exitosa da história do cinema. O filme anterior, Die Another Day, fora um grande sucesso de bilheteria mas não uma grande contribuição à série, já que houve a convicção que ela estava caindo num abismo demasiadamente profundo, devido ao roteiro inverossímil e as inacreditáveis proezas do herói (a seqüência do surfe /pára-quedas foi o símbolo deste aspecto). Die Another Day claramente se colocou na linha mais fantasiosa da série, quase ao mesmo nível que atingiu Moonraker no final dos anos 1970.

Apesar da calmaria os primeiros alarmes começaram a soar em 2004, quando começou a circular a notícia de que Pierce Brosnan ainda não assinara seu contrato. Além disso, o ator começou a fazer algumas declarações não muito feli
zes, relacionadas principalmente com a orientação que os produtores estavam dando à série. Estranhamente a produção de “Bond 21” não se iniciava e não se dava nenhuma explicação a respeito, até que finalmente foi comunicado o adiamento da sua estréia para 2006. Logo em seguida foi informado que Brosnan não continuaria no papel, e que havia começado a busca por um novo Bond. Durante o ano 2005 foram feitos três anúncios importantes:

1. O novo filme se basearia no livro original de James Bond escrito por Ian Fleming e traria seu mesmo nome: Casino Royale. Também foi informado que seria um regresso às origens do personagem;
2. O diretor seria Martin Campbell, que em 1995 havia dirigido o sucesso Goldeneye;
3. O novo James Bond seria o quase desconhecido – e loiro - ator britânico Daniel Craig.

Apesar da resistência a este nuevo Bond, a decisão dos produtores já estava tomada: a série mudaria de rumo e voltaria às suas origens, e o que seria melhor do que fazê-lo com a novela original de 1953 Casino Royale? Para este recomeço de Bond, novamente foi convocado para encarregar-se da música o compositor David Arnold. Com esta designação Arnold assumiu seu quarto trabalho consecutivo compondo a música para Bond. Musicalmente, Casino Royale  também marca algunas mudanzas de rumo no que se refere à tradicional estrutura musical da série:

1. Mesmo havendo uma canção principal chamada “You Know My Name”, composta por David Arnold e interpretada por Chris Cornell que acompanha a seqüência dos créditos principais, ela não faz parte do álbum com a trilha sonora do filme;
2. Durante o filme quase não ouvimos o “Tema de James Bond”. Apenas alguns acordes sugerem o tradicional tema, que não se escuta em toda a sua intensidade até o final da aventura;
3. No seu lugar David Arnold acompanha as seqüências de Bond com variações instrumentais do tema principal “You Know My Name”.


Portanto, diríamos que, em Casino Royale, o tema de Bond é “You Know My Name”. Esta canção é um rock bastante atípico para uma película de Bond. Desde “Live And Let Die” (Paul McCartney), de 1973, não havia algo parecido. Pessoalmente, a primeira audição do tema não me provocou grande impacto, ainda que sua utilização instrumental no filme e seu acompanhamento dos créditos iniciais me convenceu de que foi uma boa alternativa para musicar este renascimento de Bond. Ao contrário das canções anteriores, desta vez o texto tem algo a ver com o filme, especialmente no que se refere ao tipo de vida que leva James Bond. Neste filme tampouco há um segundo tema (que vinha sendo utilizado na seqüência de créditos finais), mantendo-se a antiga tradição de usar o mesmo tema para nos créditos iniciais e finais. A única diferença é que desta vez seu uso nos créditos finais é na continuação do “Tema de James Bond”.

Em relação ao score há que se assinalar que David Arnold novamente ratifica sua habilidade e talento para musicar Bond. O grande valor desta nova partitura é que, como se trata de um recomeço para o personagem, Arnold também trata de reforçar esse intento. Desta vez não existe a camisa de força de usar obrigatoriamente o “Tema de James Bond”, e em seu lugar utiliza abundantemente a versão instrumental da canção principal, composta por ele mesmo. Tampouco recorre ao uso excessivo de instrumentos eletrônicos combinados com a orquestra. 007 - Casino Royale é talvez a trilha sonora mais sinfônica que Arnold compôs para Bond (inclusive mais ainda que
Tomorrow Never Dies). Nesse sentido, este trabalho de Arnold supera significativamente seus dois predecessores, com uma trilha sonora mais coerente e de audição mais fácil.

Quanto ao estilo de composição de Arnold, este não varia significativamente. Em várias passagens se sente certa semelhança com suas composições anteriores, como o predomínio de metais e percussão para as cenas de ação. Neste aspeto as faixas “African Rundown”, “Miami Internacional”, “Stairwell Fight” “The Switch” e “Fall Of A House In Venice” são um claro exemplo. Cada um destes temas complementa cada seqüência, adicionando a adrenalina e emotividade necessárias, claro que desta vez sem a contaminação eletrônica.

Como já mencionei em comentários anteriores, uma das grandes habilidades de Arnold está na composição de temas românticos. Em Casino Royale, Arnold inclui pelo menos seis temas para acompanhar este tipo de cenas. Destaca-se neste grupo a belís
sima melodia de “Solange”, cuja sonoridade de cordas é realmente comovente (ainda que no filme se perca um pouco dela). Também é muito bela a melodia e os arranjos em cordas que Arnold fornece para Vesper Lynd , destacando-se claramente as faixas “Vesper” e “City Of Lovers”. Adicionalmente Arnold incorpora outras destacadas melodias baseadas nos temas de Solange e Vesper (“Trip Aces“, “Dinner Jacket” y “Death Of……..”).

Habitualmente me refiro à utilização do “Tema De James Bond”, mas desta vez não tenho muito o que dizer a respeito. Somente algumas insinuações da tradicional melodia, as que inexoravelmente desembocam surpreendentemente bem no tema “You Know My Name”, surgem em “Blunt Instrument”, “I’m The Money”, “Aston Montenegro” e “Dinner Jacket”. O tema de James Bond somente é ouvido em toda sua extensão ao final da película como um sinal da consolidação do agente com licença para matar James Bond 007. O arranjo do tema não difere muito do que Arnold nos mostrara em seus trabalhos anteriores, baseando-se principalmente no arranjo original que John Barry compusera em 1962 para
Dr. No.

Uma novidade que também traz este filme é a presença de várias seqüências de suspense, exigindo que Arnold incorporasse algumas composições de menor efeito mas que refletem e transmitem a tensão de cada cena (particularmente as do cassino). Destacam-se neste grupo “The Tell”, “Bond Loses It All”, “Bond Wins It All” e “Dirty Martini”. O disco contém 25 faixas, e dura quase 75 minutos. Por isso fica difícil analizá-lo em sua totalidade, mesmo assim creio que referi os aspectos mais significativos deste novo trabalho de David Arnold para James Bond.

Em resumo, este me parece um trabalho muito bom. Talvez a melhor trilha sonora de Arnold para a série, devido à maior liberdade criativa que teve para compor. E como já escrevi em outras oportunidades, não vejo por enquanto outro compositor melhor capacitado que David Arnold para ser o responsável pela música de James Bond. Assim, nos vemos no próximo David.

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