"Celluloid Copland": World Premiere Film Music
Aaron Copland - From Sorcery to Science (1939), The City suite (1939), The Cummington Story suite (arr. Sheffer) (1945), The North Star suite (1943) - Eos Ochestra dirigida por Jonathan Sheffer

Selo:
Telarc Records
Catálogo:
CD-80583
Duração: 76:21
Cotação:

Comentário de
Miguel Andrade
 

 

Aaron Copland, o dínamo dos compositores americanos, foi assim chamado por ter sido o principal responsável em criar um som definitivamente caracterizado com os dois grandes pólos da nação: a extensão das pradarias e o urbanismo das grandes metrópoles! Parte do apelo da música de Copland vem destas melodias com que ele impregnava as suas composições, a que chamava de achados, por serem facilmente confundidas com melodias tradicionais, principalmente notório na música que escreveu desde o final dos anos trinta e durante os vinte anos seguintes. Que um compositor com semelhante talento para encontrar melodias tão chamativas tivesse interesse no cinema não é de estranhar. Copland, à época em que compôs música para o seu primeiro filme, já tinha deixado uma marca suficientemente forte para que adotassem como convenções algumas das sonoridades por si criadas. Hoje dificilmente vemos um western sem o compositor introduzir alguma variante sobre a música dos bailados de Copland.

Mas para um compositor tão interessado nas várias aplicações da música, Copland musicou apenas 8 filmes, num espaço de pouco mais de 20 anos, todos eles, com exceção de Something Wild (1961), realizados entre 1939 e 1948. Uma das razões de tão pequena produção cinematográfica terá sido o fato de a música ter de ser sempre secundária em relação às imagens. Mas Copland continuou sempre ativo a compor para salas de concerto e a organizar concertos da sua música e dos seus demais colegas compositores. Nesta nova edição empreendedora somos presenteados com música que nunca chegara às lojas de música. Com a exceção de dois dos movimentos de The City, toda a música é aqui apresentada pela primeira vez. Copland sempre achou que grande parte da sua música para cinema não tinha a qualidade necessária para ser ouvida numa sala de concertos. De tal forma que apenas Our Town (1940), The Red Pony (1948) e Something Wild (re-intitulada como "Music for a Great City) receberam suítes para salas de concerto. Uma suíte adicional de cinco movimentos "Music for Movies" (1942) incluía excertos de The City, Of Mice and Men (1939) e Our Town. E talvez Copland tivesse razão sobre as dúvidas referentes à sua música para cinema. Aquela que ele preparou para salas de concerto é realmente de elevada qualidade. Isso não quer dizer que a que é apresentada neste CD não o seja. Talvez não se iguale às demais, simplesmente isso.

Sente-se isso com a suíte para The City. Os dois movimentos já conhecidos, são memoráveis, mas apenas outros dois ou três se destacam. Cerca de metade da suíte perde-se no esquecimento. É muito interessante, mas não tem a mesma qualidade de nos assombrar como os célebres bailados do compositor. The North Star tem um tema muito interessante, mas torna-se um pouco repetitivo no seu uso. De particular interesse a versão deste transformada em canção em "Song of the Guerrillas", com letra de Ira Gershwin. Curiosamente um dos momentos mais interessantes do CD não é dedicado a música para cinema, mas sim à música composta para um espetáculo de marionetes, From Sorcery to Science. Tal como com The City esta foi uma encomenda para a World Fair de 1939, e nos seus cinco painéis (mais introdução e finale), Copland descreve os avanços da medicina desde tempos imemoriais até a atualidade. De igual modo, de grande interesse é The Cummington Story, composto para um filme sobre Judeus que fugiram da Europa durante a guerra. A suíte, num só movimento com cerca de 10 minutos, torna-se muito mais satisfatória que as longas suítes de The City e The North Star. Nestas a falha esta, julgo eu, no uso das peças tal como foram escritas para o filme, sem serem adaptadas para um uso numa sala de concertos.

Se de alguma forma a minha avaliação parece ser negativa, desenganem-se. Isto é música da mais alta qualidade, e uma excepcional adição à discografia disponível de Aaron Copland. Se a apreciação não é melhor é pelo compositor ter criado outros trabalhos superiores, ganhando merecidamente o carinho dos seus colegas e dos amantes de boa música.

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