Cinema Serenade
Itzhak Perlman, violino/Pittsburgh Symphony Orchestra/
John Williams

Selo:
Sony Classical
Catálogo:
SK63005
13 Faixas:
Duração: 53:55
Cotação:

Comentário de
Miguel Andrade

 
Foi em Dezembro de 1996 que finalmente ganhou forma um projeto iniciado por John Williams e pelo violinista Itzhak Perlman, em 1993, durante o trabalho em Schindler's List: gravar um álbum com alguns dos mais memoráveis temas de música para cinema em arranjos para violino e orquestra. Williams iria escrever esses arranjos e já tinham a orquestra para acompanhar, a Boston Pops Orchestra, mas conflitos entre as agendas dos dois músicos tornou impossível avançar com o trabalho. Mas a idéia não morreu, e eis-nos com a Pittsburg Symphony a acompanhar um dos mais importantes solistas do nosso tempo, sob a atenta batuta do mais famoso compositor de Hollywood. Embora com um som diferente do dos músicos de Boston, a orquestra de Pittsburg não é menos competente, sendo dona de uma grande precisão interpretativa.

Quanto à música propriamente dita, somos agraciados com alguns dos temas mais célebres das últimas três décadas em arranjos na sua maioria assinados pelo próprio Williams. A sua colaboradora habitual da Boston Pops, Angela Morley, é responsável por outros três arranjos e os veteranos André Previn e Elmer Bersntein aceitaram o convite e adaptaram as suas composições para violino e orquestra. O disco abre com o tema do único filme de Spielberg para o qual Williams não compôs a música, The Color Purple, de Quincy Jones. Mas no arranjo de Williams, facilmente poderíamos ser levados a acreditar que o autor é o colaborador habitual do realizador. Uma das grandes capacidades de Williams foi sempre o seu cuidado com a orquestração (em tenra idade já havia estudado os livros de orquestração de Rimsky-Korsakov), e sempre que pega numa peça alheia para a arranjar, torna-a um pouco sua, muitas vezes melhorando-a.

O mesmo se passa com Il Postino, o grande sucesso do cinema italiano recente, que valeu um Oscar ao seu compositor, Luís Bacalov. O arranjo de Williams mais uma vez eleva a qualidade da peça. Mas ao mesmo tempo que isso acontece em alguns casos, noutros seria preferível que mantivesse a inocência do original. Como no tango de Carlos Garder "Por Una Cabeza", usado no filme Scent of a Woman (e também em Schindler's List) e no belíssimo "Manhã de Carnaval" de Luis Bonfá (Black Orpheus), que conta com um delicioso solo para guitarra clássica, não creditado. O francês Michel Legrand é representado por dois dos seus mais célebres temas: "Papa, Can You Hear Me?" de Yentl e "I Will Wait For You" de The Umbrellas of Cherbourg. Canções lendárias que aqui são cantadas pelo violino. Uma extraordinária apresentação do tema, uma valsa lenta, de The Age of Innocence (Elmer Bernstein), e do tema de Schindler's List (Williams) são momentos altos, mas é de destacar o quase esquecido tema que André Previn compôs para Four Horseman of the Apocalypse, bem como os arranjos do tema de Sabrina (Williams) e Out of Africa (John Barry), preenchidos com a apropriada magia que pretendiam sugerir em conjunção com as imagens.

Nós completamos a nossa serenata cinematográfica com um dos mais belos temas da década de 90, o love theme de Cinema Paradiso, composto por Andrea Morricone, filho do importante compositor italiano, aqui num excelente arranjo de Angela Morley. Merecidamente, o CD  tornou-se num sucesso de vendas, chegando ao primeiro lugar das paradas de música clássica. As interpretações cheias de arte e dedicação, e os arranjos mais que simplesmente competentes, contribuíram para um álbum memorável. Mais do que música para cinema, grande música, que apenas por um mero acaso foi inicialmente pensada para suportar imagens.

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