COMMANDO
Música composta e regida por
James Horner

Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo:
VCL 1103 1026
Ano: 2003

Faixas:
1. Prologue/Main Title
2. Ambush And Kidnapping
3. Captured
4. Surprise
5. Sully Runs
6. Moving Jenny
7. Matrix Breaks In
8. Infiltration, Showdown And Finale
Duração: 43:29
Cotação:

Comentário de
Jorge Saldanha

 

Nos anos 80, o cinema de ação norte-americano foi dominado por heróis que, sozinhos, eram capazes de enfrentar exércitos de inimigos. Interpretando estes verdadeiros super-homens, Silvester Stallone (Rambo) e Arnold Schwarzenegger (Conan, O Exterminador do Futuro) alcançaram o estrelato e se tornaram, por anos a fio, os maiores astros do gênero nos cinemas e nas vídeo-locadoras. Realizado pelo diretor Mark L. Lester em 1985, este Comando para Matar foi o primeiro filme de "Schwarza" após seu estrondoso sucesso como o cyborg assassino de O Exterminador do Futuro (James Cameron, 1984). Com este filme também se destacou o produtor Joel Silver, hoje celebrizado por levar às telas franquias famosas como Máquina Mortífera, Duro de Matar, Predador e Matrix. Por falar nisso, em Commando o governador da Califórnia interpreta o veterano de guerra John Matrix (!), que enfrenta os soldados do ditador do fictício país latino-americano de Valverde para resgatar sua filha pré-adolescente Jenny (Alyssa Milano, hoje "crescidinha" e uma das jovens bruxas da série de TV Charmed), que havia sido raptada pelo ex-colega de farda e mercenário, Bennet (Vernon Wells, o memorável vilão de Mad Max II).

Acompanhando esta saga paternal-bélica, temos um vibrante score do hoje consagrado compositor James Horner. Por esta época, Horner já estava  desenvolvendo uma série de motivos e idéias musicais que seriam retrabalhados - ou simplesmente reutilizados - em diversos de seus trabalhos. Também flagrante era o uso, pelo compositor, de dois estilos distintos - um eminentemente orquestral, empregado em grandes aventuras de fantasia (Krull), ficção científica (Jornada nas Estrelas II, Aliens) e dramas; outro mais pop, reservado para policiais e thrillers urbanos como 48 Horas, Mistério no Parque Gorky e Inferno Vermelho (também estrelado por Schwarzenegger), onde à orquestra são acrescidos instrumentos elétrico/eletrônicos. De um modo geral, o estilo "urbano" ou pop de Horner privilegia um conjunto instrumental formado por saxofone e sopros, bateria, sintetizadores e percussão. Como não é raro em se tratando de Horner, scores nesta linha assemelham-se muito um com o outro, fazendo com que, em determinados trechos, os mais desavisados pensem estar ouvindo a mesma trilha sonora.  Commando pertence a este segundo estilo, no qual o compositor utiliza, com intensidade, as steel drums, instrumento de percussão típico dos ritmos caribenhos.

E justiça seja feita: a trilha de Comando para Matar é, na minha opinião, a melhor dessa categoria, e desde o lançamento do filme, vinha sendo requisitada pelos fãs. Contudo, os anos se passaram, e a Fox não teve o mínimo interesse em lançá-la em disco - o mesmo tendo ocorrido com outras célebres trilhas de ação do estúdio, como as dos filmes originais de Duro de Matar (Michael Kamen) e Predador (Alan Silvestri), que por anos circularam entre os colecionadores em versões piratas. No entanto, como já havia feito com estes trabalhos injustamente esquecidos, a gravadora Varèse Sarabande entrou em acordo com a Fox e finalmente lançou, em 2003, a trilha sonora de Commando em tiragem limitada a 3.000 CDs. Agora, ao ouvir às gravações originais deste trabalho, lembro de algumas terríveis versões do "Main Title" que foram incluídas em coletâneas dedicadas a filmes de ação ou a Schwarzenegger, por muito tempo a única música deste filme disponível em disco. O lançamento da Varèse finalmente faz jus a esta trilha, reunindo praticamente toda a música incidental utilizada no filme, com boa qualidade de áudio. Sob este aspecto, é de se ressaltar que a música de Horner não é ouvida na maior parte das cenas de ação, já que ela as antecede ou as sucede. Um artifício inteligente, de modo a evitar que a música seja soterrada pelos altos efeitos sonoros destes segmentos.

Em
Prologue/Main Title, ouvida nos créditos iniciais, Horner introduz o tema principal do score, uma composição percussiva onde a base instrumental, conduzida pelas onipresentes steel drums, acompanha as primeiras - e musculosas - visões que temos do protagonista. Quando surge a filha de Matrix, a seção de cordas é ouvida pela primeira vez, interpretando o tema suave que representa o relacionamento pai e filha. Não é um tema especialmente memorável, mas funciona às mil maravilhas acompanhando as tentativas de Arnold em expressar sentimentos paternais. Além de ser uma das raras ocasiões no disco em que os violinos são ouvidos, este também é um dos poucos momentos em que o score adquire um tom mais terno e afetuoso. A partir daí, a partitura torna-se, praticamente, um exercício de ação até seu final, com poucas concessões para alguns momentos de tensão e suspense no estilo típico do compositor. A música, percussiva e às vezes ritmada, é levada pelo ensemble central, secundado pela orquestra ou seções específicas dela - destaco as intervenções curtas e "musculosas" dos metais, mais do que adequadas se considerarmos a temática e o protagonista do filme.

Na parte gráfica, gostaria de destacar o encarte que contém o texto de Erich Lichtenfield, que teve a coragem de adotar uma postura crítica em relação ao filme, à sua trilha sonora, à adoração do cinema norte-americano pela violência e até mesmo quanto à eleição de Schwarzenegger como Governador da Califórnia. De resto, o score de Commando, indiscutivelmente, é mais do que recomendado para fãs de Horner (é um dos trabalhos marcantes da primeira fase de sua carreira) e das trilhas de ação. Mas atenção... são apenas 3.000 cópias!

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