CONSTANTINE
Música composta por Brian Tyler e Klaus Badelt


Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo: 302 066 636

Ano: 2005

Faixas:
1. Destiny 
2. Cross Over 
3. Meet John Constantine 
4. Confession 
5. Deo et Patri 
6. Counterweight 
7. Into the Light 
8. I Left Her Alone 
9. Resurrection 
10. Circle of Hell 
11. Last Rites 
12. Encountering a Twin 
13. Flight to Ravenscar 
14. Humanity 
15. John 
16. Someone Was Here 
17. Hell Freeway 
18. Ether Surfing 
19. Balance 
20. Absentee Landlords

Duração: 51:44
Cotação:

Comentário de
Iordan Stoitchkov

 

Espíritos de outro mundo, demônios malignos e a eterna luta entre o Bem e o Mal na Terra, voltam a ser o centro das atenções no filme Constantine (2005), a primeira produção tendo Keanu Reeves como protagonista após o término da trilogia Matrix. E falando nisto, parece que toda música de ação pós Matrix deve automaticamente seguir certos padrões, que os produtores acreditam ser exitosos: uma grande orquestra, mas acompanhada dos mais diversos samplers e percussões eletrônicos, que devem exageradamente dar ao score um aspecto "moderno". Entra em cena o jovem compositor Brian Tyler, que converteu-se em uma espécie de "queridinho" em Hollywood, ganhando fama com grandes partituras, criadas nos padrões acima, para filmes como Darkness Falls, The Hunted e Timeline. Contudo, nos parece que a música de Constantine não é apenas mais do mesmo, porém algo pior.

Em primeiro lugar, é um score cujo tema principal (ouvido em "The Cross Over") soa como as sobras de outros trabalhos do compositor. Sua fórmula musical, baseada numa base rítmica acelerada com pesadas notas de metais por cima, já é mais que conhecida.
Em segundo lugar, os temas de maior ação (como "Circle of Hell" ou "Lucifer") fornecem pouca originalidade às seqüências do filme, e meramente as acompanham com uma difusa mescla entre orquestra e percussão. Sua estrutura se limita a sublinhar um evidente caos, baseada musicalmente em uma composição atonal frouxa e previsível. Em terceiro lugar, a utilização da tão odiada - e realmente desnecessária - guitarra elétrica (como na faixa "Ether Surfing"), converte certas partes desta trilha sonora em uma salada musical, a esta altura algo pouco mais que banal.

O coral (presente em faixas como "Deo Et Patri" ou "The Balance") contribui pouco, às vezes nada. Sua utilização na partitura é espúria e parece mais uma necessidade imposta que um efeito dramático. Se bem que é justo reconhecer que a capacidade de orquestração de Tyler é superior à encontrada em outros scores do gênero. Finalmente, a óbvia semelhança com a música que
Howard Shore criou para The Cell (concretamente nas faixas "Into the Light" e "Resurrection") põe mais uma vez em evidência que, quando Hollywood encontra algo que se torna um estereótipo, nem mesmo um talentoso compositor como Brian Tyler consegue safar-se da máquina de produção em massa. O CD não esclarece nada sobre a verdadeira natureza da colaboração de Klaus Badelt, também creditado como autor desta trilha. Quais são os temas que compôs, ou se apenas providenciou arranjos para temas já compostos por Tyler – fica tudo na suposição.

Assim, e dadas as características do filme que acompanha, ou as qualidades de seu compositor, Constantine é um score que promete muito, mas lamentavelmente cumpre muito pouco.

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