CORPSE BRIDE
Música composta por
Danny Elfman

Selo: Warner Sunset
Catálogo: 49473
Ano: 2005
Faixas:

1. Main Titles
2. According to Plan - song 
3. Victor's Piano Solo
4. Into the Forrest
5. Remains of the Day - song
6. Casting a Spell
7. Moon Dance
8. Victor's Deception
9. Tears to Shed
10. Victoria's Escape
11. The Piano Duet
12. New Arrival
13. Victoria's Wedding
14. The Wedding Song - song
15. The Party Arrives
16. Victor's Wedding
17. Barkis's Bummer
18. The Finale
19. End Credits Part 1
20. End Credits Part 2 - song
21. Ball & Socket Lounge Music #1 (Band Version)
22. Remains of the Day (Combo Lounge Version)
23. Ball & Socket Lounge Music #2
24. Ball & Socket Lounge Music #1
Duração: 59:31
Cotação:


Comentário de
Pablo Nieto

 

Indicado três vezes ao Oscar, Danny Elfman, um dos compositores mais requisitados em Hollywood, continua sua colaboração de muitos anos com o inovador cineasta Tim Burton na trilha sonora de A Noiva-Cadáver. Com esta nova colaboração o binômio Burton / Elfman mostra novamente que a sua criatividade os reúne num tema comum: o gótico. Sua primeira incursão em 2005, Charlie and the Chocolate Factory foi – sem dúvida - um excelente trabalho tanto para o diretor como para o compositor. Meses depois, os dois criadores reencontraram-se em Corpse Bride, o filme animado realizado por Burton no sistema Stop Motion (animação quadro a quadro) na linha de The Nightmare Before Christmas e que recria, como sabemos, uma história de amor entre dois mundos. 

Em momentos em que a animação digital aponta para cores vivas e um humor sem pausas, Burton e seu co-diretor Mike Johnson apostam numa visão mais romântica, mais sombria e porque não, também mais artística instalando – quase despreocupadamente - a bigamia em plena época vitoriana. Enfim, o filme poderia ser definido da seguinte maneira: de como Burton combina um velho relato russo, o tipo de animação que ele mais gosta, seu habitual universo sombrio, a música de Danny Elfman e seus atores preferidos numa comédia pensada para ser desfrutada por todos os tipos de público.

Como dissemos acima o diretor transportou a história original da Rússia czarista para a Inglaterra vitoriana, uma época que imaginou pálida e opressiva. Mesmo assim não há terror no filme: tudo é música, poesia, humor e romance. O mundo dos mortos é alegre e colorido, enquanto o dos vivos é – naturalmente - frio e cinzento. Os defuntos cantam jazz, os vivos operetas. Os mortos são gente muito boa e os vivos pensam unicamente en dinheiro. No meio de tudo isso, Burton apresenta Victor, o noivo, filho de um novo-rico, dono de uma pestilenta peixaria e vivo (em todos os sentidos) expoente de uma pequena burguesia em ascenção. Seus pais decidiram arranjar-lhe um bom partido, ou seja, casá-lo com a filha de um nobre para que possa ascender na escala social. Como seria de esperar, as coisas não serão tão simples, ainda mais depois que Victor comete o erro de desposar um cadáver no lugar da sua prometida.

Entre números musicais (com canções de nosso admirado Elfman) e imagens de incrível e sombria beleza, os anti-heróis "burtonianos" devem encontrar uma forma de resolver a confusão que causaram - como em The Nightmare Before Christmas (1993) – nos dois universos. E como sempre ocorre na obra do diretor, um mundo de fantasia deve contrapor-se, necessariamente, com um real. Elfman, da sua parte, entrega uma trilha sonora que de vários modos lembra outras, algumas próprias, outras não, tais como Edward Scissorhands, Shrek, Beetlejuice e Bedknobs & Broomsticks (dos irmãos Sherman), aquela partitura para a Disney que acertadamente era tão dark como feliz.

Começando com o desenvolvimento que já é familiar nos trabalhos do compositor (corais femininos, cordas suaves), o “Main Title” apresenta vários motivos que o compositor desenvolverá ao longo do score. A introdução com cravo traz um novo som ao estilo Elfman e diferentemente de sua obra anterior, Charlie and the Chocolate Factory, as canções não precedem o score, mas são apresentadas cronologicamente no CD. O acerto das canções merece uma nota à parte, já que foram interpretadas por uma seleção de excelentes atores britânicos como Albert Finney, Joanna Lumley e Tracey Ullman (em “According to Plan”) e Helena Bonham Carter e Jane Horrocks (em “Tears to Shed”) .

Graças à sua capacidade poética, sugestiva e sonhadora - que boa parte do cinema moderno parece ter esquecido – Burton permite que os protagonistas possam conhecer-se e enamorar-se graças a alguns simples acordes de piano. Então, vários temas rondarão em torno desse som. “Victor’s Piano Solo” introduz um tema simples e romântico que é desenvolvido mais tarde, enquanto que os demais instrumentais encontram sua inspiração nos motivos já cortejados por aquele, por exemplo “Casting a Spell / Moon Dance” e “According to Plan”, que, junto ao vigoroso “Into the Forest”, demonstram que Elfman captura a essência emotiva do filme e consegue traduzi-la perfeitamente em música, com ou sem palavras.

No já citado tema “Tears to Shed”, Helena Bonham Carter interpreta acertadamente o dilema da noiva cadáver com humor e uma pontada de dor. Ainda, talvez, o mais notável sejam as bonus tracks, quatro temas interpretados por Bonejangles – o próprio Danny - e seus Bone Boys, onde Elfman se diverte cortejando o jazz estilo New Orleans, como por exemplo em “Remains of the Day”. A canção final, “The Wedding Song”, nada mais é que um pastiche de diferentes estilos com um ar de opereta que está, obviamente, cheio de transições, já que mostra pela segunda vez o contraponto entre os personagens de uma forma brilhante, tal como antes sucede em “According to Plan”.

Corpse Bride funciona como um bom relógio, combinando acertadamente suas diversas vertentes musicais ao seu estilo, via de regra satírico. Sem dúvida, ainda que a noiva esteja morta, conhecê-la é altamente recomendável.

CDs COMENTADOS