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007 - Os
Diamantes são Eternos (1971)
marcou a a primeira "volta por cima" da série oficial de
filmes do agente James Bond. Em 1969, quando foi lançado 007 A Serviço
Secreto de Sua Majestade, com o novato George Lazenby substituindo
Sean Connery no papel do espião britânico, houve uma rejeição
generalizada ao novo rosto de 007 e o filme fracassou (injustamente) nas
bilheterias. A fim de fazer a série retomar seu caminho de sucesso,
para o filme seguinte os produtores Albert "Cubby" Broccoli e
Harry Saltzman trouxeram de volta Connery pelo milionário (à época)
cachê de US$ 1,25 milhão, mais participação nos lucros. E o
investimento valeu a pena, já que Diamonds are Forever foi um
sucesso mundial, apesar de mostrar Connery grisalho e mais gordo e do
filme ser um retrocesso em relação a On Her Majesty´s Secret
Service, que tentou mostrar um Bond mais humano e envolvido em uma
missão mais realista.
A principal contribuição de Diamonds,
que em sua trama batida mostra o vilão Blofeld (Charles Gray, um
Blofeld por demais diferente daquele que anteriormente fora interpretado
por Donald Pleasance e Telly Savallas) tentando mais uma vez extorquir
os governos mundiais, é ter definido o rumo que a série adotaria a
partir dos anos 70, principalmente nos filmes que seriam estrelados por
Roger Moore: o humor e a auto-paródia. As cenas de perseguição
lembram filmes pastelão, e Connery deixa de lado lado seu sangue frio e
cinismo e torna-se um Bond irônico e piadista que não se leva a sério.
O grande achado do roteiro são os assassinos Mr. Kidd e Mr. Wint,
impiedosos e... gays. Na parte musical, John Barry, o pai
do "Bond Sound", compôs sua sexta trilha sonora para a série,
inclusive a canção tema (letras de Don Black, que colaborara
anteriormente com Barry em Thunderball), uma das mais belas e
elegantes da série e novamente interpretada pela cantora inglesa
Shirley Bassey (que anteriormente interpretara o tema de Goldfinger
e retornaria em 1978 para cantar duas versões do tema de Moonraker).
A partitura mostra que Barry iniciou uma mudança de rumo no estilo da música
de Bond. Ainda que notemos a presença do estilo
dos anos 60 (“Moon Buggy Ride”), sem dúvida a música predominante
corresponde ao tipo de música que o compositor começou a desenvolver
no início da década de 70, em faixas como “Circus Circus”,
“Tiffany Case” e particularmente nos temas relacionados à dupla
Kidd e Wint, para quem ele criou um motivo misterioso com sopros.
É interessante notar que durante o filme ouvimos
duas versões instrumentais da canção principal, situação
absolutamente incomum e que não recordamos de haver ocorrido em outra
ocasião. Quanto ao uso do tema de James Bond,
ele é bastante utilizado e Barry apresenta pela primeira vez uma
composição (“Bond Meets Bambi and Thumper”) que combina como únicos
elementos uma versão instrumental do tema principal e o “James Bond
Theme”, sendo talvez este tema o maior acerto deste disco. O LP
e CD originais aborreciam os colecionadores por duas razões principais:
a primeira porque grande parte do underscore de ação foi
deixado de fora, a segunda porque por demais source music e variações
da canção tema ("Circus, Circus", "Q's Trick",
"Tiffany Case", "Diamonds are Forever - Source
Instrumental" e "Diamonds are Forever - Bond and
Tiffany") foram incluídas. Entre as omissões mais sentidas eram
as das músicas ouvidas na luta entre Bond e o contrabandista Peter
Franks em um elevador, e na seqüência em que o espião elimina o
"casal" de assassinos.
Pode-se afirmar, sem sombra de dúvida,
que com mais este relançamento remasterizado e expandido da EMI não há
mais razão para queixas, já que finalmente ele inclui a partitura
completa de Diamonds Are Forever, com a adição de versões
alternativas de algumas faixas e outras que não foram utilizadas.
Para começar, a qualidade de som é excelente, sem o chiado da edição
original. Os mais desavisados poderiam até achar que se trata de uma
nova gravação digital. Além disso, grande parte das músicas
conhecidas tiveram trechos adicionados, inclusive a canção tema,
que agora apresenta a mesma introdução ouvida no filme. Assim, composições
memoráveis como "Moon Buggy Ride", "Death At The Whyte
House", "007 and Counting" (utilizada
para uma breve seqüência espacial, ela é descendente direta de
"Space March", de You Only Live Twice) e "To Hell
With Blofeld" (que retoma o segundo tema de James Bond, o
"007" de Barry), ganham um novo sabor. Vejamos cada faixa, e
como ela ficou na versão expandida:
| Nome
da Faixa |
Como
ficou na Nova Edição |
| 1.
Diamonds Are Forever
|
Versão
utilizada no filme, que apresenta uma introdução mais longa que
a original. |
| 2.
Bond Meet Bambi and Thumper
|
Ao
tema original se agrega um novo segmento, que é ouvido na seqüência
pré-títulos, quando Bond enfrenta Blofeld. |
| 3.
Moon Buggy Ride
|
Inicia
com uma melodia distinta de 57 segundos, que é a que se ouve no
filme. |
| 4.
Circus, Circus |
Versão
igual à original. |
| 5.
Death At Whyte House |
Inicia
com uma melodia distinta de aproximadamente 1 minuto. |
| 6.
Diamonds Are Forever |
Versão
igual à original. |
| 7.
Diamonds Are Forever |
A
composição original é mantida, mas a ela foi agregada uma nova
introdução e um novo final. |
| 8.
Bond Smells A Rat |
Versão
igual à original. |
| 9.
Tiffany Case |
Versão
igual à original. |
| 10. 007
And Counting |
Versão
igual à original. |
| 11.
Q’s Trick |
Versão
igual à original. |
| 12. To
Hell With Blofeld
|
Corresponde
a uma composição praticamente nova de 5 minutos, dos quais
somente o último minuto era ouvido na faixa original (que
corresponde a uma repetição do tema "007"). |
A partir da faixa
13 temos as músicas inéditas, sendo que destas, algumas anteriormente
já haviam aparecido no álbum “Bond
Back In Action” na forma de suítes (“Suite: Mr. Wint And Mr.
Kidd/Moon Buggy Ride” e “Suite: Blofeld's Laser/Killing Wint And
Kidd”). Esta seção de bonus tracks inicia em
"Gunbarrel And Manhunt", com a música para a tradicional seqüência
de abertura da série que antecede os créditos principais e onde Barry,
após o tema de James Bond, acompanha a caçada de Bond a Blofeld, que
culmina com a morte do dublê do vilão ao som de cordas e piccolos.
A partir daí temos, literalmente, todo o material que havia ficado de
fora da edição original do score. Várias
das faixas bônus são suítes compostas de composições de curta duração,
razão pela qual em alguns casos elas são pouco coerentes. De
todas elas, a mais interessante talvez seja "Slumber Inc.",
aquela composição para órgão, orquestra e coral ouvida quando os vilões
tentam mandar Bond para o paraíso, cremando-o em uma funerária. É uma
das composições mais atípicas de Barry, e apesar de propositalmente
exagerada, constitui boa amostra do que seria uma trilha de sua autoria
para um filme bíblico!
A seção de faixas bônus encerra-se com
"Additional and Alternate Cues", nove minutos de música não
utilizada no filme. Apesar de ser interessante para completistas e fãs,
constata-se que efetivamente estas músicas pouco acrescentariam ao
filme. Este novo CD de Diamonds are Forever beneficiou-se da
disponibilidade, em bom estado, de todo o material que Barry compôs e
gravou para o fime. Como de hábito, as faixas já conhecidas foram
mantidas na mesma ordem do LP, mas sempre temos a possibilidade de
programarmos o player (seja para ouvir ou para gravar um CD-R) a
fim de que as faixas sejam reproduzidas na ordem em que surgem no filme.
Nesse caso, siga a seguinte seqüência: 13, 1, 14, 6, 9, 15-19, 4, 20,
3, 5, 8, 2, 11, 10, 12, 7 e 21.
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