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Para a primeira
continuação de A Profecia, Damien: A Profecia II (1978),
Jerry Goldsmith
compôs um score superlativo. Damien (Jonathan Scott-Taylor),
agora com 13 anos de idade, é adotado por seu tio, Richard Thorn
(William Holden), um importante empresário que, a exemplo de Gregory
Peck no filme anterior, irá encontrar evidências da real identidade do
garoto. Até então disponível apenas em CD da Silva inglesa, lançado no
final dos anos 80, na partitura de Damien Goldsmith expandiu a
Missa Negra de "Ave Satani" do início ao fim, com intervenção de coral
em quase todas as faixas. O coro, às vezes, soa como o grasnar de um
corvo, que no filme aparece como o emissário do Diabo. A música em si é
quase o tempo todo ativa e incansável, não há um tema romântico como em
The Omen, ou
mesmo faixas de lirismo religioso como em The Final Conflict.
Desde o “Main Title”
,
uma releitura vibrante de “Ave Satani”, Goldsmith buscou unicamente
mostrar o mal em forma de música, e o score em momento algum
desvia-se deste objetivo. Há algumas faixas mais suaves, porém mesmo
nelas as notas musicais buscam transmitir a ameaça representada pelo
garoto. O lançamento anterior, de pouco mais de meia hora de duração,
continha a regravação da partitura feita em Londres, com a National
Philharmonic Orchestra and Chorus regida por Lionel Newman. Para este
relançamento, a Varèse Sarabande conseguiu recuperar as masters
originais utilizadas no filme, gravadas no estúdio da Fox em Los Angeles
também sob a regência de Newman. Destas, apenas duas faixas curtas (que
totalizam 1 minuto e 47 segundos) são inéditas, "Aunt Marion's Visitor"
e "Snowmobiles" - esta, um dos raros momentos leves do score, que
é ouvida durante os folguedos dos Thorn na neve. Mas, a exemplo do que a
FSM já fizera com outro trabalho de Goldsmith (100 Rifles), o CD
contém as duas versões do score que totalizam quase 70 minutos de
estupenda música.
Na conhecida regravação feita na Inglaterra, graças à remasterização
agora percebemos claramente instrumentos de sopro (madeiras) que
anteriormente não eram sequer ouvidos em certos trechos, e segmentos de
coral e instrumentação eletrônica foram mixados diferentemente. Por esta
razão, certamente muitos preferirão a versão da Silva, ainda que, sob a
maior parte dos aspectos técnicos e artísticos envolvidos, o CD da
Varèse oferece a melhor representação desta versão. Sentimos com muito
mais força a presença da orquestra, e a qualidade sonora, de um modo
geral, é superior. Já as gravações originais para o filme contêm sutis
diferenças no som do órgão (o mesmo órgão de igreja que foi utilizado em
muitos scores clássicos da Fox), no acompanhamento eletrônico e
na interpretação do coral. Também de se notar que as faixas não estão
agrupadas em forma de suítes, como na regravação, o que dá uma nova
perspectiva auditiva ao score.
Para o fã desta partitura, sem dúvida uma ótima oportunidade para
comparar as duas interpretações e, sem dúvida, apreciar o que de melhor
elas possuem. No encarte, mais uma vez Robert Townson comenta cada
música, incluindo histórico da gravação, as faixas que se correspondem
em cada versão, etc.
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