DAREDEVIL (SCORE)
Música composta por Graeme Revell

Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo:
 302 066 448
Ano: 2003

15 Faixas

Duração: 49:19
Cotação:


Comentário de
Iordan Stoitchkov

 

Daredevil pode ser o Homem Sem Medo, mas certos ouvintes sentirão verdadeiro pavor ao escutar a partitura que Graeme Revell criou para este filme, que narra as aventuras do querido super-herói cego da noite. Muita ação e um estilo urbano, representado por edifícios escuros e um excesso de roupa de couro, são acompanhados por este score que poderá criar grandes fãs ou rápidos detratores. Depois do enorme êxito dos filmes de Spider-Man e X-Men (também baseados em quadrinhos da companhia Marvel), os fãs tenderiam a esperar uma música sinfônica ao estilo dos temas de Elfman ou Kamen. O compositor Graeme Revell já havia forjado seu nome entre os heróis noturnos, com seus reconhecidos trabalhos para The Crow ou Spawn. E apesar de a partitura Daredevil se assemelhar muito a estas últimas, talvez sua melhor comparação seja mesmo com o também polêmico score de Lara Croft: Tomb Rider.

“Daredevil Theme” introduz o tema principal do personagem, bastante simples - é constituído de apenas duas notas. Duas!  Acompanhado por percussão eletrônica e coro, o tema de Daredevil se arrasta incongruente e inconcluso, para desembocar em alguns curtos acompanhamentos de nada menos que uma guitarra elétrica. Este mesmo tema é desenvolvido com pouca efetividade na faixa “Matt Becomes Daredevil”. “Young Matt’s Father” descobre um curto e melancólico motivo para piano e cordas, que logo reaparece em forma mais dramática em “Elektra”. As partes mais sombrias do score podem ser encontradas em certos trechos de “Hell’s Kitchen” ou “The Darkest Hour”, onde uma aguda voz feminina é intercalada com diferentes efeitos eletrônicos. O que ouvimos em “The Kingpin” é puro ruído eletrônico ao estilo hard rock, uma faixa verdadeiramente abominável que, de todo o disco, é talvez a mais parecida em estrutura a Lara Croft: Tomb Rider.

O mesmo ocorre em “Bullseye”, mas aqui pelo menos reaparece a orquestra, se bem que a mesma está ofuscada pela onipresença da percussão eletrônica.
A verdade se revela apenas na faixa 12, “Blind Justice”, onde a grande orquestra por fim logra retomar o tema principal, interpretado majestosamente pelas trompas. Em “Church Battle” a orquestra novamente é acompanhada por elementos estranhos, desta vez as estridentes improvisações da guitarra elétrica. A últimas duas melodias do álbum são talvez as mais dramáticas, como em “Falling Rose”, onde as cordas e o coro se unem em uma sombria interpretação. Finalmente, em “The Necklace”, Revell repete o melancólico motivo com piano, para terminar com uma heróica e coral versão do tema principal de Daredevil.

Algo que resulta verdadeiramente curioso é que nos comentários do CD se diz que a orquestra seria integrada por um gigantesco conjunto, que supostamente incluiria 42 violinos, 18 violas, 10 cellos, 10 baixos, 3 trompetes, 6 trombones e nada menos que 18 trompas, dentro de um total de 130 músicos listados entre todos os demais instrumentos, sem contar o coral. Não obstante, ao escutarmos o CD, não percebemos por um instante semelhante conjunto. O que nos leva à seguinte conclusão: estas músicas não foram incluídas no álbum, já que seriam demasiadamente caras. Ou ainda a uma segunda (e muito mais provável) suposição, que Graeme Revell teve de empregar diferentes intérpretes em cada sessão de gravação. Seja como for, merecedor de críticas o de elogios, a música original de Demolidor já chegou. E para o temor dos vilões da noite... chegou para ficar!

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