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Não é das trilhas sonoras de
Alfred Newman mais
memoráveis, mas está entre as 44 indicações deste compositor, por ser
criativa, bem adaptada e com momentos de grande imponência e elegância.
Nesta trilha sonora Newman escolhe explorar os ritmos mais dinâmicos e
temas fortes e sombrios para garantir o caráter bíblico, religioso,
histórico e, acima de tudo, aventuresco, do filme. Como de
costume, há um tema central que está sempre aparecendo, gerando unidade
por sua força peculiar e qualidade melódica – o espírito e a alma da
música de um filme. Neste ano os indicados ao Oscar eram preciosidades
tais como: A Morte do Caixeiro Viajante e Uma Rua Chamada
Pecado (ambas de Alex
North), Quo Vadis? (de
Miklós Rózsa), “e
o Oscar foi para” A Place in the Sun, ou Um Lugar ao Sol,
de Franz Waxman.
A qualidade do som deste CD é das piores que já se viu em
trilhas de Alfred Newman e não está a altura nem do compositor, nem de
seu trabalho. Nota-se que esta baixa qualidade interfere na avaliação
que se faz das músicas compostas para o grandioso filme David e
Betsabá, que conta com a presença de Gregory Peck e Susan Hayward,
nos papéis-título. O CD não possui textos e comentários, apenas fotos e
breves, mas importantes, informações tais como:
“Esta gravação histórica foi feita originalmente em equipamento
analógico de alta qualidade. Nós consideramos que a transferência deste
compact disc, feita dos master tapes originais, é uma testemunha de
nossa dedicação para preservar a fidelidade e a clareza da produção
original.” Apenas uma compreensível justificativa
para a edição limitada para colecionadores... tecnicamente, não havia
outra opção. A Cover Art é também das piores que se pode ver
entre CDs de soundtracks, contendo uma colagem de desenhos, fotos
e textos realizadas com muito mal gosto.
Apesar de todas estas desvantagens, este ainda é um CD que merece ser
adquirido, uma vez que traz as sempre eficientes e precisas composições
de Alfred Newman. O destaque vai para as faixas 6 ("David sees Batsheba
from his rooftop"), 7 ("Rapture of Love"), 16 ("Uriah is Dead"), onde o
tema central aparece de uma forma mais atraente, talvez não com a
melodiosidade de sempre, mas com qualidade e riqueza na composição do
gênero histórico, nos timbres e na característica geral. O CD desfecha
com a canção correspondente ao tema central de David e Betsabá no
tradicional coro de vozes masculinas de Ken Darby. Apesar de ter
destacado faixas em especial que me chamaram a atenção, é importante
afirmar que o CD prima por criar um clima que nos transporta para
cenários históricos dignos das superproduções da década de 50, o que o
torna valioso para a coleção de um Scoretracker. |