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O selo próprio de
Lalo Schifrin
Aleph finalmente completa sua coleção de trilhas sonoras de
Dirty Harry com The
Dead Pool - The Original Score.
O primeiro álbum com a trilha sonora do quinto e último
filme da série
é
essencial para todos os fãs
de Schifrin, Harry Callahan ou filmes policiais. Em
Dirty Harry na Lista Negra
(The
Dead Pool, 1988) mais uma vez Clint Eastwood estrela
como o infame detetive de São Francisco,
Harry "O
Sujo" Callahan, desta vez tendo que resolver um mistério
potencialmente grande, envolvendo o assassinato de
celebridades. As coisas se complicam quando Harry descobre
que ele também é um alvo, estando na lista negra de apostas
do assassino.
Comparado a
Perseguidor Implacável
(Dirty Harry,
1971) e
Magnum 44 (Magnum
Force, 1973),
Dirty Harry na Lista Negra
pode ser considerado um dos títulos mais fracos da série
- no entanto ele traz
momentos divertidos ou quase surrealistas que o transformam
em um cult movie para muitos: um videoclipe de
“Welcome to the Jungle” (da banda Guns N' Roses)
interpretado por ninguém menos que um novato Jim Carrey;
Liam Neeson usando um estranho corte de cabelo, com direito
a rabo-de-cavalo; uma divertida homenagem a
Bullit
quando Harry é perseguido por um carrinho de controle
remoto que carrega uma bomba; Harry enfrentando o vilão não
com sua característica Magnum 44, mas sim com um enorme
lançador de arpões... e a maior parte desses momentos é
acompanhada pela inimitável assinatura musical de Lalo
Schifrin, o melhor compositor da série.
Ninguém faz uma trilha de ação como Lalo Schifrin (o maestro
e músico argentino por trás do tema de
Missão
Impossível e as
trilhas de Rebeldia
Indomável, Bullit,
Operação Dragão
e
A
Hora do
Rush, entre
muitas), que esteve ausente da série apenas em
Sem Medo da Morte
(The Enforcer, 1975),
cujo score foi de autoria do falecido Jerry Fielding.
Mas antes que você comece a ouvir a trilha sonora de The
Dead Pool, aceite meu conselho amigável: como de hábito
Schifrin utilizou ritmos jazz, pop e
sintetizadores contemporâneos daquela época, e essa
abordagem faz com que hoje boa parte da música soe antiquada
- surpreendentemente os sons e ritmos dos anos 1960 e 1970
envelheceram muito melhor. Você terá de se transportar para
a década de 1980 para verdadeiramente apreciar este álbum, e
se assim o fizer ele se transformará em algo especial.
Mesmo com apenas 12 faixas que totalizam 40 minutos de
duração, este score consegue capturar a ação e os
sentimentos finais da quinta e última aparição Harry Calahan.
O álbum inicia lentamente com a jazzística “San Francisco
Night”, uma espécie de continuação de
“San
Francisco After Dark”,
de
Impacto Fulminante.
Com os sintetizadores de
“Main Title” Schifrin
estabelece um clima absoluto de ação anos 80 - sem dúvida
antiquado, mas não se esqueça daquele meu pequeno
conselho... deste ponto em diante Schifrin alterna momentos
de suspense (“Kidnap and Rescue”) com outros mais pesados,
quase melodramáticos (“The Rules”). Então vem a jazzística,
quase romântica “Something in Return” que funciona
perfeitamente dentro do álbum. Na área da música de ação
anos 80 de Callahan, a penúltima faixa, “Harpoon”, é um
destaque.
Como sempre o CD traz um encarte com comentários de Nick
Redman, onde ele escreve que a faixa final - “The Pier, The
Bridge, And The City” encerra o álbum com “uma das mais
afetuosas versões instrumentais do melancólico 'tema de
amor' de Harry Callahan, figurativamente cerrando a cortina
em uma das mais populares, celebradas e adoradas franquias
cinematográficas da história contemporânea”. Exageros à
parte não posso deixar de concordar já que esta faixa,
seguindo a composições de suspense e ação, encerra a série
com uma bem-vinda versão do tema de Harry que dá a este
capítulo final um necessário senso de nostalgia.
Então, se você não esperar nada que soe bem em um filme
policial de hoje, perceberá facilmente que The Dead Pool
é uma ótima (ainda que curta) trilha sonora, lançada duas
décadas após o filme a que serve. Mas como dizem, antes
tarde do que nunca... Obrigado Lalo! |
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