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Por anos, todos aqueles que apreciam
trilhas sonoras e assistiam Die Hard (Duro de Matar no
Brasil), filme de grande sucesso que consagrou Bruce Willis como herói
de ação, se perguntavam quando aquele vibrante score, uma das
melhores obras do compositor
Michael Kamen, iria merecer uma edição em
CD. Nos últimos anos, dele somente alguns temas surgiram em coletâneas
de cinema. A antologia da própria Varèse Sarabande "Screen Themes" (VSD
5208) apresentava a faixa "The Terrorist", com John Scott regendo
a Royal Philharmonic Orchestra. Já em “Michael Kamen Opus”, o próprio
compositor apresentou a faixa "Tagaki Dies", uma variação orquestral de
"The Nakatomi Plaza", que abre este álbum. Meros aperitivos para fãs do
filme e da música de cinema, que por anos esperaram um álbum dedicado
exclusivamente a este score.
A espera foi parcialmente recompensada há alguns anos, com o lançamento
de Die Hard em edição promocional. Mas que, indiscutivelmente,
não se compara a este lançamento limitado (3.000 cópias) da Varèse
Sarabande em seu CD Club, que possui mais de 20 minutos
adicionais de música e qualidade de som superior. Finalmente ouvindo a
partitura na íntegra, é fácil de se constatar porque ela se encaixa tão
bem no filme, mesmo que seu único tema recorrente seja um mero motivo de
quatro notas. É uma trilha
coesa e interessante, apropriadamente "musculosa" nas seqüências de
ação, mas que adicionalmente conta com alguns inspirados recursos. É
predominantemente orquestral, com trechos atonais e marcadamente
percussivos, porém à orquestra são combinados efeitos e instrumentação
eletrônicos leves mas efetivos ao extremo, notadamente nas porções
iniciais em que o suspense é construído.
O filme possui algumas características que, à época, o diferenciaram de
outras produções no gênero, como um herói capaz de grandes façanhas, mas
que está longe de ser frio ou invulnerável; também, a exemplo de
Lethal Weapon, a ação transcorre no Natal, época incomum para os
atos de violência que vemos na tela, o que gera um admirável contraste
dramático. A humanização da trama reflete-se na partitura: acordes de
violão remetem ao herói e cowboy contemporâneo John "Roy Rogers"
McClane (Willis); sinos e outros efeitos natalinos nos lembram das
festividades; a 9ª Sinfonia de Beethoven surge como inesperado motivo
para os vilões ("Gruber's Arrival", "Ode to Joy") e clássicos da canção
norte-americana, como "Let it Snow! Let it Snow! Let it Snow!", pontuam
momentos leves e o final feliz. Para as cenas de ação, Kamen reserva
suas composições "musculosas", em faixas como "The Fight" ou as longas "Assault
on The Tower" (mais de oito minutos!) e "The Battle" (mais de dez
minutos!). Em determinados momentos os 76 minutos de duração do CD
poderão parecer excessivos, devido à estrutura intrínseca da partitura e
à organização das faixas no álbum, mas este é um preço menor a se pagar
para que sejam usufruídos em disco, finalmente, alguns dos melhores
momentos da música de ação dos anos 80.
No entanto, este é mais um exemplo de partitura original que sofreu
mudanças na montagem final do filme, com faixas sendo recortadas e
utilizadas em trechos diferentes daqueles para os quais haviam sido
compostas, outras sendo eliminadas e substituídas por composições de
outros autores. Assim, para aqueles que estranharão a ausência, no CD,
da música ouvida ao final, quando o policial Powell mata o terrorista
Karl, informamos que ela foi retirada da trilha original de Aliens,
de James Horner. O
que aconteceu é que a composição havia sido utilizada como temp track,
e o diretor John McTiernan gostou tanto do resultado que ela permaneceu
na montagem final... De fato, a última composição de Kamen a se ouvir no
filme é "Gruber´s Departure", a penúltima do CD, que sela o destino
final do vilão interpretado por Alan Rickman. Nos momentos seguintes
foram utilizados trechos de Man on Fire, de John Scott, até
chegarmos ao "momento Horner" acima citado.
O CD encerra com um arranjo instrumental e leve de Kamen para "Let it
Snow! Let it Snow! Let it Snow!", utilizado no filme como source
music (nos créditos finais ouvimos a gravação original cantada por
Vaugh Monroe). Como bônus, o encarte do CD apresenta um longo comentário
do especialista Nick Redman sobre Kamen e o filme, e que se detém
principalmente na concepção original do score. Sem dúvida, este
álbum é um dos melhores lançamentos da gravadora em 2002. |