Live Free or Die Hard
Música composta por Marco Beltrami


Selo: Varèse Sarabande
Catálogo: 302 066 824 2
Lançamento: 2007
Faixas

1. Out of Bullets
2. Shootout
3. Leaving the Appartment
4. Dead Hackers
5. Traffic Jam
6. It's a Fire Sale
7. The Break-In
8. Farrell to D.C.
9. Copter Chase
10. Blackout
11. Illegal Broadcast
12. Hurry up!
13. The Power plant
14. Landing
15. Cold Cuts
16. Yippee Ki Yay
17. Break a Neck
18. Farrell is in
19. The F-35
20. Aftermath
21. Live Free or Die Hard

Duração: 63:19
Cotação:


Comentário de
Jorge Luis Viera

 

O mito do retorno eterno se ratifica na cinematografia hollywoodiana para nos lembrar, mais uma vez, que nada se cria mas tudo se transforma permanentemente… no mesmo. Com nossas esperanças frustradas, assistimos ao regresso de personagens como Rocky Balboa ou Superman, sabendo todavia que estes filmes não terminam com a safra revival, já que os estúdios ameaçam com um quarto filme de Indiana Jones e mais um de Rambo, buscando abertamente que os grandes sucessos de bilheteria da década de 1980 se repitam.

E nessa onda também volta a memorável Die Hard (Duro de Matar), franquia onde o protagonista é John McClane (Bruce Willis), aquele policial durão que sempre estava no lugar e na hora errados, mas que terminava resolvendo, não sem esforço, a situação favoravelmente. Len Wiseman substitui na direção o sempre eficiente (mas ineficaz) John McTiernan, para este quarto filme cujo título original é Live Free or Die Hard, mas que por aqui o conhecemos pelo título mais saudável de Duro de Matar 4.0. Nele Mc Clane enfrenta, como sempre, outro grupo terrorista que quer dominar o grande país do norte que não é o Canadá.

Adaptada para os tempos que correm, a trama propõe a existência de um inimigo interno que escolhe o 4 de Julho - Dia da Independência estadunidense - para atacar, controlando através dos sistemas de informática, a segurança, as comunicações, a economia e a infra-estrutura de todo o país, e para combater a ameaça McClane deverá contar com a ajuda de um hacker, personagem que na realidade foi criado para as novas gerações de espectadores que conheceram o policial durão em vídeo e DVD.

Mas e quanto à música? Mmm… vejamos… o compositor
Marco Beltrami e o diretor Wiseman já haviam colaborado na pós-produção do falido Anjos da Noite - Evolução e, ainda que este não pudesse ser um bom augúrio, Wiseman decidiu arriscar e contar mais uma vez com Beltrami para a trilha sonora, e devemos reconhecer que, ao nos referirmos ao compositor das interessantes O Vôo da Fênix e Hellboy, poderíamos esperar um resultado muito bom.

Como é lógico para qualquer apreciador de scores , é inevitável e até mesmo imprescindível comparar o trabalho de Beltrami com o do grande Michael Kamen (tragicamente falecido há alguns anos) nos três filmes anteriores. Indubitavelmente Kamen interpretou à perfeição em suas partituras a tensão tragicômica e maliciosa da saga Die Hard, tomando como ponto de partida o fato de que as duas primeiras partes transcorriam no Natal. A partir daí – o óbvio contraste de um ato de violência acontecido precisamente durante a consagrada Noite de Paz – o talento e a veia cômica do compositor nova-iorquino se espalhou sobre a ação, apoiando da melhor maneira possível o tom do personagem interpretado por Willis.

Por sua vez e começando por "Out of Bullets", Beltrami mantém em 4.0 a inspiração original de Kamen, utilizando o motivo de quatro notas que caracteriza a saga. A partir daí, a ação arrebatadora toma seu lugar para não desaparecer, exceto ao final ("Aftermath"). Este estilo de score é saudavelmente próprio do compositor, e não copia os esquemas oportunamente estabelecidos pelo saudoso colega. Segue, como já dito, uma sucessão de temas vigorosos onde o compositor apela para diferentes estruturas rítmicas, utilizando sons sintéticos que parecem ter se convertido numa marca do autor. Sobre essa premissa, Beltrami constrói uma série de motivos de ação que se assemelham a um caos orquestral acompanhado de várias dissonâncias, como em "Traffic Jam", "Leaving the Apartment" e "It's A Fire Sale".

No filme tudo é possível para McClane: esquivar-se de balas e sair ileso de um ataque com explosivos, destruir um helicóptero que lhe dispara mísseis contra-atacando com um automóvel, ou conduzir um caminhão sobre uma elevada bombardeada, derrubando ao mesmo tempo o caça que o ataca... Situações que são apropriadamente acompanhadas pelo conhecido estilo do compositor nas faixas "The F-35", "Landing", "Hurry Up!", ou a excelente "Cold Cuts", talvez a melhor de todo o álbum.

Em que pesem alguns supostos "erros" que esta trilha sonora tem, e considerando os acertos que tampouco lhe faltam, Marco Beltrami mais uma vez demonstra ser um nome obrigatório ao se falar da boa música de cinema na atualidade e por isso teremos de estar muito atentos a seus próximos passos, que sempre serão no sentido de qualificar o entretenimento cinematográfico. Disso podemos estar certos.

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