DIRTY HARRY - THE ORIGINAL SCORE
Música composta e regida por
Lalo Schifrin

Selo:
Aleph Records
Catálogo: 030

Ano: 2004

Faixas:
1. Prologue/The Swimming Pool
2. Main Title 
3. Harry's Hot Dog
4. No More Lies, Girl
5. Scorpio's View
6. Red Light District 
7. Scorpio Takes the Bait 
8. Cross 
9. Goodbye, Callahan 
10. Stadium Grounds 
11. Floodlights 
12. Dawn Discovery 
13. Off Duty 
14. Strip Club 
15. Liquor Store Holdup 
16. City Hall 
17. School Bus 
18. End Titles 
19. Floodlights (Take I) 
20. City Hall (Alternate Take) 
21. School Bus (Alternate Take) 
22. Swimming Pool (Original Version)/Scorpio's View, Pt. 2 & 3 (Alternate Vocal Take)
Duração: 43:05
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

A partir da grande popularidade do tema e trilhas compostas para a popular série de TV Missão Impossível, em meados dos anos 60, o regente, arranjador e pianista argentino Lalo Schifrin passou a ser um dos mais requisitados compositores de Hollywood para a TV e o cinema, em um período que durou até meados dos anos 70. Com Bullit (1968), Schifrin injetou sangue novo nas partituras dos filmes policiais, criando um estilo que agregava jazz e ritmos pop às orquestrações mais tradicionais do cinema. É provável que este estilo tenha chegado à perfeição em sua partitura para este célebre Perseguidor Implacável (Dirty Harry, 1971), dirigido por Don Siegel e estrelado por Clint Eastwood. Tanto que esta trilha sonora estabeleceu um padrão que foi seguido por uma infinidade de filmes de ação que vieram em sua esteira. Nele é introduzido o personagem Harry Callahan, detetive de São Francisco que, por seus métodos duros e desprezo pelo sistema legal, ganha a alcunha de "O Sujo". Considerado fascista por muitos, Harry é um policial à antiga que, na omissão da Justiça, faz valer a potência de sua Magnum 44. Segregado por seus superiores, as mais difíceis missões vão para ele, que ao final demonstra ser o único capaz de capturar o assassino psicopata e seqüestrador Scorpio (Andrew Robinson).

À época, Eastwood ainda trilhava os caminhos abertos por sua atuação em westerns italianos, e seus primeiros filmes fora do gênero o colocavam em papéis não muito diferentes: mesmo em uma metrópole contemporânea, ele continuava sendo o justiceiro que resolvia os casos na base do soco e do revólver. Em
Perseguidor Implacável sua personificação foi mais elaborada pelo roteiro, a fim de entrar em áreas que normalmente não eram exploradas pelos westerns. Mesmo assim dá para dizer que Harry Callahan ainda possuía muito em comum com o frio Pistoleiro Sem Nome que Eastwood interpretou nos faroestes de Sergio Leone. E isto, de certo modo, se reflete na música de Lalo Schifrin, que já havia composto a trilha do filme anterior de Siegel e Eastwood, Meu Nome é Coogan (Coogan's Bluff, 1968), no qual Eastwood era um xerife do interior dos EUA que ia a Nova York em busca de um criminoso.

Para Dirty Harry o compositor criou uma partitura mesclando jazz, rock, soul e atonalidade, que orbita em torno de três temas principais: um de ação, que apresenta a figura de Harry, ouvido inicialmente durante os créditos principais ("Main Title") em uma versão ritmada e percussiva, que resume a essência jazz-pop do score (e que aqui finalmente está na íntegra, com o solo de piano); o do assassino Scorpio, a primeira composição que ouvimos no filme, durante o assassinato na piscina ("Prologue/The Swimming Pool"); e, finalmente, um tema melancólico em piano elétrico, também dedicado a Harry e que tem sua melhor interpretação na faixa final ("End Titles"). Este tema retornou em outras partituras que Schifrin compôs para os filmes de Dirty Harry, tendo inclusive recebido um desenvolvimento mais completo e até uma versão vocal, na interpretação de Aretha Franklin, em Impacto Fulminante (Sudden Impact, 1983). No entanto, aqui em Dirty Harry ele tem uma aparição discreta, uma vez que o tema mais recorrente é mesmo o de Scorpio, que possui em "Scorpio's View" seu melhor momento. O tema possui o ritmo ditado por bateria e guitarra elétrica, tendo por maior característica uma etérea e sinistra voz feminina, cortesia da cantora Sally Stevens (que já trabalhara com Lalo em The Fox, 1968). Este uso criativo da voz, que representa a demência de Scorpio, é o elemento que mais remete aos spaghetti westerns, lembrando em certos momentos as vocalizações incomuns utilizadas por Ennio Morricone em suas trilhas antológicas para o gênero.

Além destes temas e suas variações, Schifrin enriquece o score com algumas composições atonais típicas de seu estilo, como na fenomenal "Floodlights". Nesta faixa, que acompanha a cena na qual, em um estádio vazio, Harry pisa na perna ferida de Scorpio, a música transmite toda a loucura do assassino e a angustiante sede de justiça do policial. Por estes mistérios da indústria fonográfica e do cinema, a marcante trilha original de Dirty Harry nunca havia sido lançada isoladamente em disco. Somente o "Main Title" e algumas de suas faixas surgiram em coletâneas de Schifrin e da série - o próprio Schifrin bancou o lançamento da The Dirty Harry Anthology pelo seu próprio selo Aleph (que tinha aproximadamente 16 minutos deste score), há alguns anos.
Cansados de esperar pela Warner, Schifrin e o produtor Nick Redman decidiram lançar este CD com a íntegra do score, com direito às versões originais e integrais das músicas, incluindo toda source music presente no filme, e algumas faixas bônus, que são versões alternativas daquelas que acabaram na montagem final. A qualidade do áudio é ótima, já que foram utilizadas as masters originais multi-pistas, em ótimo estado de conservação.

Enfim, um lançamento à altura de uma trilha sonora que fez história nos anos 70, definindo um estilo de música muito imitado, mas quase nunca igualado.

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