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Ouvir as composições de Rachel
Portman, é ouvir algo de qualidade. Seja no drama, no
romance ou no clássico, Rachel nunca se perde. É impossível
não considerá-la um orgulho no ramo das composições, pois
ela foi a primeira compositora a ganhar um Oscar na
categoria de melhor trilha sonora (vencendo nomes como
Alan Menken
e Hans
Zimmer naquele ano).
Na música de The Duchess,
Rachel volta ao tipo de filme/trilha que a consagrou: os
romances de época. O longa conta a história de Georgiana
Cavendish (interpretada por Keira Knightley), a duquesa de
Devonshire, que teve a vida marcada por escândalos mas
também foi considerada uma figura incrível e à frente do seu
tempo - ou seja, uma legítima antecessora da Princesa Diana.
O score de Rachel é algo
realmente singular. Conseguindo fugir do comum, Rachel
mostra o porquê de seu talento. A primeira faixa, “The
Duchess”, que dá título ao filme, traz um tema incrível,
marcado por um solo de violino que lê a alma da personagem,
como se estivesse contando uma história. Seguem-se então a
bela e dramática “Mistake of Your Life”, que trata a linha
dramática sucintamente, a suntuosa “I Think of You All the
Time”, “No Mood for Conversation”, onde as cordas “cantam”
em plenos pulmões, “Gee and Grey Make Love”, que atua como
uma peça absoluta para o envolvimento dos personagens, até
chegar à magnífica “Gee and Grey Together in Bath”, onde o
tema do filme volta à cena, com uma sutileza que é essencial
para a trilha. É nesta composição que The Duchess se
torna mais encantadora... conseguimos, de maneira fácil,
acessar os sentimentos da protagonista, entendendo suas
emoções através desta melodia tão clara e fabulosa.
Rachel também utiliza uma
canção do compositor austríaco clássico Joseph Hayden,
“German Dance No. 10 In D Major from Twelve German Dances”
que complementa o andamento do longa, assim como a inclusão,
momentos depois, do “Adágio from String Quartet Opus 1 no.3
in D Major” de Beethoven, que introduz a trilha no rol do
classicismo existente na época.
Destaca- se também “Bess'
Sons”, que tem um piano tranquilamente incluído na faixa,
para dar espaço às cordas que realmente mostram que são a
força desta trilha. A beleza existente no melancólico tema
nos liga à trama como se de fato estivéssemos conectados a
ela. Aliás deve-se salientar que esta é a verdadeira
qualidade existente nas composições de Rachel Portman para
este filme - a beleza inigualável de conseguir pincelar o
enredo através da música, criando uma tonalidade marcante e
convincente o suficiente para nos apaixonarmos pelas suas
composições.
Chegando à
ultima faixa, “End Titles”, entendemos porque as trilhas de
Rachel sempre são tão especiais. Ela consegue, na sua doçura
feminina, transportar o ouvinte a um mundo que poucos
compositores o conseguem levar: ao fundo do coração, onde as
ondas da razão não podem ser alcançadas, e onde sempre
gostaríamos de estar. E é por isto que The Duchess
não só é um excelente trabalho, é também uma pequena
obra-prima, um presente para aqueles que conseguem apreciar
o que de fato é especial. |