THE DUKES OF HAZZARD (SCORE)
Música composta por Nathan Barr


Selo / Catálogo:
Promo
Ano: 2005

Faixas:
1. Welcome to Hazzard
2. Boss Hogg
3. Uncle Jessie
4. Stealing The Safe
5. Wash My Mongoose
6. The General Lee
7. Campus Cops
8. Geology Hi-Jinx
9. Daisy's Undercarriage
10. Make It A Party
11. Seducing Enos
12. Donuts
13. Shoot The Moon
14. Pardon Me
15. Hazzard County Picnic
16. Atlanta Chase
17. Cocktails
Duração: 35:08
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Não são raros os casos em que a trilha sonora de um filme é melhor que o próprio. Cito, por exemplo, Van Helsing, cujo comentário da partitura de Alan Silvestri vocês já leram por aqui. Idem em relação a The Brothers Grimm, de Dario Marianelli. Mas pior que estes casos é quando a trilha original é melhor que o filme, e ela nem chega a sair em CD. Este comentário é sobre um dos casos mais recentes.

Os Gatões: Uma Nova Balada
(The Dukes of Hazzard, 2005) é a versão para o cinema de uma popular – e tola – série de TV dos anos 80, que está sendo lançada em DVD inclusive no Brasil. No filme (que é uma comédia de ação passada no sul dos EUA), os primos Bo (Johnny Knoxville) e Luke Duke (Seann William Scott) e seu carro "General Lee" (um Dodge Charger laranja 1969), com a ajuda da prima Daisy (Jessica Simpson) e do tio Jesse (Willie Nelson), combatem os esquemas das autoridades do Condado de Hazzard - Boss Hogg (Burt Reynolds) e o Sheriff Coltrane (M.C. Gainey). O filme tem lá seus momentos divertidos, baseados principalmente em piadinhas e perseguições de carro, mas o que de melhor vemos na tela são mesmo os “atributos artísticos” da cantora/atriz Jessica Simpson.

O CD da trilha sonora disponível é uma coletânea de canções, que combina rock sulista dos anos 70 e 80 com bandas e artistas contemporâneos.
Obviamente temos ali o tio Jesse em pessoa, Willie Nelson, mais The Allman Brothers Band, Stevie Ray Vaughan And Double Trouble, Lynyrd Skynyrd, entre outros. Por último, mas não menos importante, Jessica Simpson canta uma versão country de "These Boots Are Made for Walkin". De fato, ela é uma moça muito talentosa… Infelizmente o álbum omite por completo a trilha incidental composta por Nathan Barr, que foi editada parcialmente em um CD limitado, para uso promocional exclusivo do compositor (que foi o que utilizei para este comentário).

Barr é um instrumentista e compositor eclético, que começou a sua carreira sob a tutela do premiado e polêmico compositor Hans Zimmer. Desde meados dos anos 90, Barr musicou dúzias de filmes, que incluem From Dusk Til Dawn 3, Club Dread e Cabin Fever, além de várias séries de TV. Para este The Dukes of Hazzard, Barr criou um score instrumental que reflete o cenário do Sul dos Estados Unidos, o tom leve da trama e, obviamente, a ação veloz fornecida pelas corridas automobilísticas. Barr descreve sua música como "Allman Brothers encontra AC/DC que encontra ZZ Top", e de fato ele até utiliza o lendário guitarrista do ZZ Top Billy Gibbons, para dar à música um toque de autêntico rock clássico.

O score pode ser definido como baseado em guitarras, com o acompanhamento sólido de teclados, gaita de boca, uma seção rítmica mais do que competente e, é claro, da rabeca - o instrumento que introduz o score na emblemática faixa "Welcome to Hazzard". Em alguns momentos, este trabalho lembrou-me algumas trilhas clássicas de road movies dos anos 70, como Corrida Contra o Destino (Vanishing Point, 1971), com sua essência heavy-guitar-rock bem equilibrada com sensibilidades country. Apesar da base rock, o score incorpora alguns elementos de jazz e blues, a cargo de excelentes instrumentistas. Neste CD Promo, a música está distribuída principalmente em faixas curtas, com dois, três minutos de duração. A mais longa, com quase seis minutos de duração, é "Atlanta Chase", uma das duas faixas bônus que não foram utilizadas no filme, classificadas no disco como "as perseguições que você nunca ouviu".

Enfim, o score de The Dukes of Hazzard é muito melhor que o filme ao qual serve. Não é especialmente original, mas apresenta várias peças divertidas, alegres e excitantes como "The General Lee". Sem dúvida é um dos melhores scores de 2005, não lançados comercialmente em disco. Se há outro elemento desta produção que pode se igualar à música de Nathan Barr é a gloriosa aparência de Jessica Simpson – e acredite, este é o melhor cumprimento que posso fazer ao trabalho do compositor. Tenho certeza de que pelo menos vocês, meninos, entenderão o que eu quero dizer (shortinhos!). Palmas para o Sr. Barr.

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