The Day the Earth Stood Still
Música composta por Bernard Herrmann. Regência de Joel McNeely


Selo:
Varèse Sarabande Film Classics
Catálogo:
302 066 314 2
Faixas:

1. Prelude and Outer Space
2. Radar
3. Danger
4. Klaatu
5. Gort
6. The Visor
7. The Telescope
8. Escape
9. Solar Diamonds
10. Arlington
11. Lincoln Memorial
12. Nocturne
13. The Flashlight
14. The Robot
15. Space Control
16. The Elevator
17. The Magnetic Pull
18. The Study
19. The Conference
20. The Jeweler
21. 12:30
22. Panic
23. The Glowing
24. Alone
25. Gort's Rage
26. Nikto
27. Captive
28. Terror
29. The Prison
30. Rebirth
31. Departure
32. Farewell
33. Finale

Duração: 38:45
Cotação:

Comentário de
J
orge Saldanha

 
A música para filmes de ficção científica tradicionalmente se classifica em uma de duas categorias: a primeira usa instrumentos eletrônicos (exclusivamente ou combinados com a orquestra), para criar um intenso mas quase frio som que mantém a audiência distante da ação; a segunda emprega uma orquestra de proporções "wagnerianas", movimentos arrastados e grandes leitmotifs que levam os espectadores a uma aventura interestelar. As partituras de John Williams para Star Wars estabeleceram o molde para esta segunda categoria, mas para muitos cinéfilos, especialmente aqueles criados nos anos 1950, é o primeiro estilo que define o sci fi soundO Dia em que a Terra Parou, de Bernard Herrmann, é o protótipo do primeiro estilo e pode-se dizer que, de muitos modos, o inaugurou. Um dos primeiros trabalhos de Herrmann em Hollywood, ele demonstra a sua fascinação por cores tonais afiadas interpretadas por grupos de instrumentos inovadores.

Para este filme o maestro utilizou um conjunto de três trompetes e trombones, quatro tubas, um sopro, dois órgãos Hammond, dois pianos, violino elétrico, violoncelos, contrabaixos, uma bateria de percussão completa e dois theremins. O theremin (para quem ainda não sabe) é um pioneiro instrumento eletrônico tocado movendo as mãos em volta de duas antenas. A localização da mão do músico muda a oscilação do sinal eletrônico, quase como se ele estivesse manipulando, em um daqueles rádios antigos, o zumbido ouvido entre as freqüências de duas estações. O resultado é um som "extraterrestre" que sobe e desce, como uma fantasmagórica voz humana em tom alto. Na visão de Herrmann, o instrumento representa os visitantes alienígenas Klaatu e seu robô Gort. O par de theremins, juntamente com outros instrumentos eletrônicos, foram geralmente agrupados em contraste com os sons mais tradicionais dos metais (os quais tocam frases tristes ou fanfarras militares) e pianos.

O resultado é uma sonoridade "de outro mundo", que simboliza os embates entre cientistas, militares e visitantes alienígenas. Na música de abertura, "Prelude and Outer Space," Herrmann inicia em um grande volume, introduzindo o tema principal com um glissando, seguido por um tema ascendente dos metais (sombras de "Also Sprach Zarathustra"). Os theremins finalmente entram em cena com sua sonoridade assombrada, ondulando a melodia antes de que todo o processo seja revertido (com os theremins ficando em um ponto intermediário). A faixa inicia do modo como começou, com um grande volume da orquestra mas também com um último acorde de theremin, indicando o modo como o filme se encerrará.

Este brilhante score, um marco na história da música do cinema, foi carinhosamente regravado por Joel McNeely para a série Film Score Classics da Varèse Sarabande, e lançado em 2003 praticamente junto com o filme em DVD (nos EUA). Esta edição, em relação às gravações originais da versão cinematográfica editada em CD nos anos 1990 pela Fox, apresenta como vantagens a qualidade de áudio muito superior e uma interpretação afinadíssima dos theremins. Mesmo assim as gravações históricas de Herrmann são indispensáveis, até porque foram utilizadas pela Fox como música de arquivo nas clássicas séries de Irwin Allen dos anos 1960 (especialmente em Perdidos no Espaço), e possuem uma sonoridade impossível de ser reproduzida à exatidão - mesmo Herrmann, em suas populares regravações de seus trabalhos, não conseguiu fazê-lo.

Enfim, o que importa mesmo é que, em qualquer versão, o score de Herrmann (que está a anos luz da trilha que Tyler Bates compôs para a fraca refilmagem de 2008) é indispensável, não somente por sua importância histórica mas também pelo puro prazer que sua audição proporciona.

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