The Day the Earth Stood Still
Música composta por Bernard Herrmann. Regência de Joel McNeely


Selo:
Varèse Sarabande Film Classics
Catálogo:
302 066 314 2
33 Faixas
Duração: 38:45
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

A música para filmes de ficção científica tradicionalmente se classifica em uma de duas categorias: a primeira enfatiza cordas e instrumentos "de outro mundo", como o theremin, para criar um intenso mas quase frio som que mantém a audiência distante da ação; a segunda emprega uma orquestra de proporções "wagnerianas", movimentos arrastados e grandes leitmotifs que levam os espectadores a uma aventura interestelar. As partituras de John Williams para Star Wars estabeleceram o molde para esta segunda categoria, mas para muitos cinéfilos, especialmente aqueles criados nos anos 50, é o primeiro estilo que define o sci-fi sound . O Dia em que a Terra Parou, de Bernard Herrmann, é o protótipo do primeiro estilo e pode-se dizer que, de muitos modos, o inaugurou. Um dos primeiros trabalhos de Herrmann em Hollywood, ele demonstra a sua fascinação por cores tonais afiadas interpretadas por grupos de instrumentos inovadores.

Para este filme o maestro utilizou um conjunto de três trompetes e trombones, quatro tubas, um sopro, dois órgãos Hammond, dois pianos, violino elétrico, violoncelos, contrabaixos, uma bateria de percussão completa e dois theremins. O theremin (para quem ainda não sabe) é um instrumento eletrônico tocado movendo as mãos em volta de duas antenas. A localização da mão do músico muda a oscilação do sinal eletrônico, quase como se ele estivesse manipulando, em um daqueles rádios antigos, o zumbido ouvido entre as freqüências de duas estações. O resultado é um som "extraterrestre" que sobe e desce, como uma fantasmagórica voz humana em tom alto. Na visão de Herrmann, o instrumento veio a simbolizar a voz dos cientistas alienígenas. O par de theremins, juntamente com outros instrumentos eletrônicos, foram geralmente agrupados em contraste com os sons mais tradicionais dos metais (os quais tocam frases tristes ou fanfarras militares) e pianos.

O resultado é verdadeiramente uma sonoridade "de outro mundo", que simboliza os embates entre cientistas, militares e visitantes alienígenas. Ao usar estes instrumentos eletrônicos (e narrar musicalmente a história da impotência do militarismo ante a ciência), Herrmann aparentemente foi influenciado pelos ventos predominantes do total serialismo na música eletrônica. E ao ouvirmos estas faixas curtas, percebemos o rígido controle composicional exercido por Herrmann. Muitas faixas são praticamente palíndromos (repetem-se do mesmo modo, para frente e para trás). Na música de abertura, "Prelude and Outer Space," Herrmann inicia em um grande volume, introduzindo o tema principal com um glissando de duas-oitavas. Este é seguido por um tema ascendente dos metais (sombras de " Also Sprach Zarathustra"). Os theremins finalmente entram em cena com sua sonoridade assombrada, ondulando a melodia antes de que todo o processo seja revertido (com os theremins ficando em um ponto intermediário). A faixa inicia do modo como começou, com um grande volume da orquestra mas também com um último acorde do theremin, indicando o modo como o filme se encerrará.

Este brilhante score, um marco na história da música do cinema, foi carinhosamente regravado por Joel McNeely para a série Film Score Classics da Varèse Sarabande, e lançado praticamente junto com o filme em DVD (nos EUA). É uma satisfação finalmente termos uma gravação deste trabalho onde, diferentemente da versão cinematográfica (editada em CD nos anos 90 pela Fox), os theremins mantêm-se afinados. É impossível deixar de recomendar este álbum, não somente pela importância histórica do score de Herrmann, mas também pelo puro prazer que sua audição nos proporciona.

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